30/06/2026
Era para você ser o gato do Tonho.
Mas você tinha outros planos.
Você me escolheu.
E passou quase nove anos fazendo questão de me lembrar disso.
Você me seguia pela casa, conversava comigo todas as manhãs, puxava a coberta para dormir no meu braço e tinha a mania mais bonita do mundo: sempre encontrava um pedacinho de mim para encostar a cabeça.
A gente brincava que você era um “gato tóxico”, porque eu mudava de lugar e, poucos minutos depois, lá estava você de novo.
Você só queria estar pertinho de mim.
Você mudou completamente a minha ideia sobre gatos. Passei a vida ouvindo que eles eram independentes e distantes. Você passou quase nove anos tentando provar exatamente o contrário.
Tudo o que você me deu foi carinho.
Tudo o que você me deu foi amor.
No nosso último dia, você fez exatamente o que sempre fazia quando queria se sentir seguro.
Arranhou a porta do quarto.
Entrou.
Dormimos juntos debaixo das cobertas mais uma vez.
Na clínica, segurei a sua patinha até o último segundo. Fiz carinho. Disse que te amava. Desejei uma boa viagem.
Você foi embora ronronando.
A doença venceu o seu corpo.
Mas ela nunca venceu a vida que nós construímos enquanto você ainda estava aqui.
Você foi o gato que me ensinou a amar gatos.
E esse vai ser, para sempre, o seu maior legado.
Boa viagem, meu Mimão.
No meu coração, vou guardar você exatamente como apareceu no meu sonho desta noite: grandão, faceiro, correndo por um campo bem verdinho atrás de uma borboleta azul!
Te amaremos pra sempre!
♥️