Luci Feijó Psicóloga - Especialista em Intervenções em Situações de Luto

Luci Feijó Psicóloga - Especialista em Intervenções em Situações de Luto Psicóloga Especialista em Intervenções em Situações de Luto.

As experiências vividas no VII Congresso de Cuidados Paliativos do Mercosul, III Congresso da Frente Paliativistas e o I...
19/08/2026

As experiências vividas no VII Congresso de Cuidados Paliativos do Mercosul, III Congresso da Frente Paliativistas e o II Congresso de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde uniram profissionais de diferentes áreas, estudantes e comunidade promovendo espaços de reflexão e trocas, aproximando pessoas de todos os cantos do país e de países vizinhos.

Foram três dias de muita escuta, aprendizado, confraternização e, acima de tudo, de muita inspiração para que o nosso trabalho, conectado em rede, tenha como objetivo melhorar a qualidade de vida para todos nós.

Que assim seja!!!🌻

A vivência da perda é universal e ao mesmo tempo única. O que cada pessoa experimenta faz parte do seu processo de enlut...
24/07/2026

A vivência da perda é universal e ao mesmo tempo única. O que cada pessoa experimenta faz parte do seu processo de enlutar-se.

Importante considerar que, por uma mesma perda, membros de uma família podem apresentar diferentes sentimentos e diferentes manifestações de Luto. Isso não significa que uma pessoa sente mais ou menos que outra.

Nesta perspectiva, a psicoeducação sobre morte, perdas e luto abre um caminho mais arejado para compartilharmos nossas vivências e nossas dores diante deste processo de elaboração e transformação da dor.

Encontrar espaços seguros de acolhimento e uma escuta sem crítica e julgamento faz muita diferença nesta caminhada.

"Sim, é preciso fazer algo com a morte. É preciso fazer algo com os mortos. Depositar flores. Falar com eles. Dizer que ...
10/07/2026

"Sim, é preciso fazer algo com a morte. É preciso fazer algo com os mortos. Depositar flores. Falar com eles. Dizer que você os ama e que sempre os amou. É melhor dizê-lo em vida, mas, se não, também pode ser depois. Gritar para o mundo. Escrever num livro como este. Pablo, que pena ter esquecido que você podia morrer, que eu podia te perder. Se tivesse essa consciência, eu teria te amado não mais, mas melhor. Teria dito a você muito mais vezes que te amava. Teria discutido menos por besteiras. Teria dado mais risadas. Teria até me esforçado em aprender o nome de todas as árvores e reconhecer cada folhinha. Pronto. Já fiz. Já disse. Realmente conforta."
Rosa Montero

Hoje deu vontade de voltar pra essa leitura. De reler alguns parágrafos, de me sentir reconfortada, como a autora escreveu que se sentiu com sua escrita. Eu, pela leitura das palavras de Rosa, tive esse sentimento! A leitura me ajuda sempre, talvez seja por isso que quando leio um trecho que gosto, e são muitos na literatura sobre o luto, eu trago pra cá e divido com vocês. A partilha tem um movimento de presença, mesmo na distância!

Um abraço! 🌻

O processo de luto fala do rompimento de um laço afetivo significativo.          A dor da perda não vem só. Traz consigo...
15/06/2026

O processo de luto fala do rompimento de um laço afetivo significativo.

A dor da perda não vem só. Traz consigo uma maleta que, por vezes, não reconhecemos como nossa. Traz o medo, a tristeza, a raiva, a descrença, a angústia, a culpa, o desespero, a revolta, a ansiedade, o alívio, o desamparo, além das inúmeras manifestações físicas impostas pelo luto. Tudo num vai e vem, num entra e sai que até então desconhecíamos.

O luto chega até nós por diferentes caminhos. Acontece pela morte de alguém amado, pelo término de uma amizade ou relação amorosa, pela morte do nosso animalzinho querido, pelo divórcio, pela perda do emprego, pela mudanças de país, pela conclusão de uma formação acadêmica, pela aposentadoria, quando envelhecemos, entre tantos outros lutos que nos atravessam ao longo da vida.

As perdas trazem um caminho de transformação, já que nunca seremos os mesmos após essa experiência.

Cada pessoa tem seu tempo e seu modo de viver o luto.

Viver o luto é como pintar uma tela em branco, sem referências, inclusive usando uma paleta de cores que parece totalmente estranha e que nos permite usar novas tonalidades e fazer misturas inusitadas.

Respeitar nosso tempo e reconhecer essa dor nos ajuda a transformar o vazio da perda em um espaço repleto do amor que vivemos e das memórias que construimos.

Luci Feijó - Psicóloga Especialista em Intervenções em Situações de Perdas e Luto

Existe, e são vários os lutos na adoção.  Os lutos da criança e do adolescente pelo rompimento dos vínculos com a famíli...
30/05/2026

Existe, e são vários os lutos na adoção.

Os lutos da criança e do adolescente pelo rompimento dos vínculos com a família de origem, o luto pelo rompimento com os vínculos formados nas instituições de acolhimento que também pode ser visto nas equipes que trabalham nestes locais, o luto dos adotantes pelo filho biológico, entre outros.

A questão da indisponibilidade dos pais biológicos para criarem seus filhos é recorrente nos casos em que a adoção acontece. Todavia, quando uma mãe decide entregar um filho em adoção, o luto, nestes casos, não é reconhecido. Este foi o tema do meu trabalho de conclusão da especialização em Luto e foi possível perceber o quanto ainda precisamos falar sobre todos os lutos presentes na adoção sem excluir o luto destas mães.
Estudos acerca das mães que entregam seus filhos em adoção, pelo viés destas mulheres são pouco comuns. A entrega de um filho ainda é vista em nossa sociedade como um comportamento não natural, envolto em julgamentos, preconceitos e críticas, como se a maternidade não fosse uma construção social, mas um instinto que pertence ao feminino desde sempre.A figura da mãe biológica tem permanecido em segundo plano quando se discute a adoção, como se fosse possível apagar da história de uma criança a sua origem. Entende-se que ao dar visibilidade a esta história, muitas vezes pode-se encontrar uma mãe solitária, temerosa, angustiada e confusa. Ao discutir a entrega de um filho à luz do processo de luto, constatou-se que estas mulheres são colocadas em uma categoria marginal, como se não merecesse ser considerado como um pesar, como um luto.
A partir das referências teóricas no que concerne ao luto não reconhecido/ não autorizado abre-se uma importante discussão acerca da não visibilidade destas mulheres ainda que exista um espaço legal minimamente estabelecido. A vivência do luto pela perda do filho que foi entregue em adoção visa trabalhar na promoção da saúde mental e física destas mães e na prevenção de situações de abandono com risco de morte destas crianças por absoluta falta de empatia e reconhecimento desta dor que de tão negada não consegue ser reconhecida e muito menos nomeada, inclusive pelas próprias mães.

Sobre o luto e seu ritmo:"  Não queira caminhar com pressa no luto. O único lugar a que tem de chegar é a si próprio. De...
27/03/2026

Sobre o luto e seu ritmo:

" Não queira caminhar com pressa no luto. O único lugar a que tem de chegar é a si próprio.

Desacelere o seu ritmo

A primeira recomendação é abrandar. Já não há pressa. Caminhar devagar irá ajudá-lo a não se desligar de si mesmo, a manter a consciência próxima do seu corpo. Para conseguir abrandar é imperativo que primeiro desacelere a respiração.

Dedique um momento, todos os dias, para tomar consciência da sua respiração. Em qualquer altura, especialmente quando sentir alguma agitação, pare por um minuto e preste atenção. Inspire lentamente; repare como seu corpo absorve o ar e o expire pouco a pouco. (...)

Reserve tempo para descansar entre seus compromissos. Organize-se de modo a ter tempo para fazer tudo com mais calma. A correria e a pressa são formas de não viver a realidade do momento presente (...)

(...) Temos de aprender a abrandar e a estar mais presentes em cada momento da nossa vida. O luto pode ajudar-nos a descobrir as coisas simples da vida, que dão sentido à vida cotidiana, mas, para isso, temos que estar atentos. "

Trecho do livro: A Mensagem das Lágrimas
Autora: Alba Payàs

Hoje divido, mais uma vez, com vocês este poema "Sobre dores que desconcertam", do livro Laços e Lutos, da querida Teres...
27/03/2026

Hoje divido, mais uma vez, com vocês este poema "Sobre dores que desconcertam", do livro Laços e Lutos, da querida Teresa Gouvea.
Lendo este poema fiquei pensando nas dores que nos invadem diante de tantas perdas, dos muitos e diferentes lutos, individuais e coletivos, que estamos vivendo e que pedem espaços que, por vezes, temos a sensação de não existirem... mas eles estão em algum lugar dentro de nós...
Espero que cada um, no seu tempo, crie estes respiros para que possamos continuar buscando um caminho que nos ajude a seguir.

Os dias difíceis fazem parte da vida, estão misturados, às vezes camuflados, outras escancarados, muitas vezes nos surpr...
23/03/2026

Os dias difíceis fazem parte da vida, estão misturados, às vezes camuflados, outras escancarados, muitas vezes nos surpreendem, outras vezes anunciam sua chegada.

O que fazer com os dias difíceis? Quem sabe deixá-los descansar?Quem sabe olharmos bem de pertinho, no nosso tempo? Quem sabe os dias difíceis precisam de um abraço? De fazer parte, de serem acolhidos, de serem entendidos em toda a sua falta de lógica? Quem sabe?

Quem sabe cuidando dos dias difíceis eles possam entrar pra nossa história ressignificados e nos ajudar no processo de compreendermos e nos encantarmos com a vida!
Sempre que for possível, acolha seus dias difíceis, dê espaço a eles. Não precisa emoldurá-los, eles já fazem parte da "galeria" da vida.

Eles são seus, guarde-os onde quiser e visite-os se fizer sentido e, se as experiências vividas neste "passar do tempo" te ajudarem a dar um novo sentido a esta mirada.

Luci Feijó - Psicóloga Especialista em Intervenção em Situações de Luto

Quando comecei a ler o livro: Tudo bem não estar tudo bem, escrito por Megan Devine, logo no prefácio, assinado por Mark...
16/03/2026

Quando comecei a ler o livro: Tudo bem não estar tudo bem, escrito por Megan Devine, logo no prefácio, assinado por Mark Nepo, me deparei com parágrafos que diziam muito sobre o luto e resolvi dividir com vocês:

" Há um paradoxo duplo em ser humano. Primeiro, ninguém pode viver sua vida por você - ninguém pode enfrentar seus problemas nem sentir seus sentimentos - e ninguém pode viver sozinho.

Segundo, enquanto vivemos a única vida a que temos direito, estamos aqui para amar e perder. Ninguém sabe porquê. É assim. Se nos comprometermos a amar, inevitavelmente conheceremos a perda e o luto. Se tentarmos evitar a perda e o luto, jamais amaremos de verdade.

No entanto, de modo imperioso e misterioso, conhecer o amor e a perda é o que nos deixa completa e profundamente vivos.

(...) O amor e o luto mudam nossa visão de mundo. Nada volta a ser o mesmo e não existe uma vida normal à qual retornar. Há apenas uma tarefa íntima de desenhar um mapa novo e acurado. Como diz Megan, muito sabiamente: ' Não estamos aqui para curar nossa dor, e sim para cuidar dela'."

Mark Nepo

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