15/06/2026
O processo de luto fala do rompimento de um laço afetivo significativo.
A dor da perda não vem só. Traz consigo uma maleta que, por vezes, não reconhecemos como nossa. Traz o medo, a tristeza, a raiva, a descrença, a angústia, a culpa, o desespero, a revolta, a ansiedade, o alívio, o desamparo, além das inúmeras manifestações físicas impostas pelo luto. Tudo num vai e vem, num entra e sai que até então desconhecíamos.
O luto chega até nós por diferentes caminhos. Acontece pela morte de alguém amado, pelo término de uma amizade ou relação amorosa, pela morte do nosso animalzinho querido, pelo divórcio, pela perda do emprego, pela mudanças de país, pela conclusão de uma formação acadêmica, pela aposentadoria, quando envelhecemos, entre tantos outros lutos que nos atravessam ao longo da vida.
As perdas trazem um caminho de transformação, já que nunca seremos os mesmos após essa experiência.
Cada pessoa tem seu tempo e seu modo de viver o luto.
Viver o luto é como pintar uma tela em branco, sem referências, inclusive usando uma paleta de cores que parece totalmente estranha e que nos permite usar novas tonalidades e fazer misturas inusitadas.
Respeitar nosso tempo e reconhecer essa dor nos ajuda a transformar o vazio da perda em um espaço repleto do amor que vivemos e das memórias que construimos.
Luci Feijó - Psicóloga Especialista em Intervenções em Situações de Perdas e Luto