01/06/2026
Kylie Minogue lançou recentemente um documentário na Netflix, contando sua história de vida. Mas como psicólogo (e fã da diva!!), uma coisa me chamou atenção: a forma como o ambiente em que crescemos influencia a maneira como enxergamos a nós mesmos.
Kylie conta que, apesar do sucesso, recebeu críticas muito duras no início da carreira. Em alguns momentos, passou a duvidar do próprio talento e do seu valor como artista. Afinal, quando ouvimos repetidamente que não somos bons o suficiente, é natural que uma parte dessas mensagens acabe sendo internalizada.
Ao mesmo tempo, ela fala com carinho sobre sua família e o quanto foi incentivada desde criança a explorar seus interesses e perseguir seus sonhos. Na psicologia, chamamos isso de ambiente validante: um ambiente em que emoções, medos e desejos são levados a sério.
O oposto são os ambientes invalidantes, em que aprendemos que sentir determinadas coisas é errado, que alguns sonhos são impossíveis ou que precisamos esconder partes de quem somos para sermos aceitos. Muitas vezes, isso acontece através de comentários aparentemente simples, mas repetidos ao longo dos anos.
Essa é uma experiência muito comum para pessoas LGBT+, que cresceram ouvindo, de forma explícita ou não, que havia algo de errado com elas. Com o tempo, essas mensagens podem se transformar em vergonha, autocrítica e dificuldade de aceitar quem realmente são.
Claro que ninguém consegue validar o outro o tempo todo. Todos nós acabamos sendo invalidantes em alguns momentos. O problema é quando a invalidação se torna a regra, e não a exceção.
A boa notícia é que nossa infância influencia nossa história, mas não precisa definir nosso futuro. É possível construir uma relação mais compassiva consigo mesmo e aprender a validar aquilo que talvez tenha sido rejeitado durante anos.
Se você pudesse conversar com sua versão criança hoje, o que diria para ela não desistir de quem ela é?