15/01/2026
Você já ouviu falar em Transtorno de Romance Revisionista (TRR)?
“It’s Called a Breakup Because It’s Broken: The Smart Girl’s Break-Up Buddy”, de Greg Behrendt e Amiira Ruotola-Behrendt,
traz um rótulo bem-humorado (não clínico) para descrever um fenômeno comum após o término de um relacionamento:
a pessoa reescreve mentalmente o relacionamento passado por uma lente nostálgica, lembrando principalmente do que foi bom e minimizando/justificando o que foi ruim.
O que acontece no TRR, na prática?
Você começa a idealizar o(a) ex (“no fundo, ele era incrível”; “ninguém vai me amar assim”).
O cérebro faz a “edição”: apaga humilhações, incoerências e descasos e mantém só os highlights (“as viagens”, “as mensagens fofas”, “o começo”).
Você transforma problemas reais em “explicações românticas” (“ele era frio porque tinha medo de se envolver”; “ela sumia porque era confusa, mas me amava”).
Por que os autores chamam isso de “transtorno”?
Porque, segundo eles, esse “modo nostalgia” atrapalha a recuperação: você sente saudade de uma versão “revisada” do relacionamento, e isso aumenta a chance de recaída (mandar mensagem, tentar um encontro “por acaso”, aceitar migalhas). A ideia do livro é: se fosse tão bom assim, provavelmente não teria acabado.
Ou seja: a saudade engana quando falamos de términos.
Ela vem com filtro bonito, recorta só os melhores momentos e faz a gente esquecer o resto. De repente, a lembrança parece “prova” de que era amor, de que era certo, de que era bom.
Mas aqui vai um lembrete que muda tudo: Saudade não é prova de que era bom — é prova de vínculo + hábito.
Vínculo é aquilo que a gente constrói com o tempo: intimidade, rotina, histórias, referências.
Hábito é o corpo procurando o conhecido: a mensagem, o “bom dia”, a companhia, o lugar ocupado na vida.
Por isso dói. 💔
Não porque era perfeito, mas porque se desprender do conhecido dói — mesmo quando o conhecido não fazia bem.
Quando a saudade bater, tente trocar a pergunta:
❌ “Será que eu perdi alguém incrível?”
✅ “Do que eu sinto falta: da pessoa… ou da rotina de ter alguém?”
E lembre: intensidade não é sinônimo de qualidade.
Você pode ter sentido muito — e, ainda assim, não ter sido bom pra você. 🤍