23/03/2026
Escutei essa frase da psicanalista Ana Suy e me chamou a atenção justamente por, muitas vezes, a gente observar o luto como um processo que tem um fim. Um processo que terá etapas definidas e um modo específico de se viver. Nada mais presunçoso da nossa parte ao querermos acreditar que a perda de algo ou alguém não vai deixar vestígios…
Cada situação vivenciada nos traz algo novo e, além disso, faz com que nos percebamos de forma diferente. Cria-se uma identidade a mais e, quando existe a perda, surge o vazio de não se entender fora de determinado contexto. Quem sou eu sem aquela pessoa? Sem aquele trabalho? Sem aquela cidade?
Logo, ao nos percebermos vivenciando um “novo” luto, o “velho” ganha um espacinho pra te fazer lembrar de feridas que ainda não foram cicatrizadas. A perda de algo nos convoca a pensar nos momentos anteriores que precisamos lidar com isso, no sentido de entendermos como foi possível sobreviver a tudo aquilo? Independente das situações passadas, os novos lutos aparecem para que a gente compreenda o que tanto dói quando as perdas aparecem. Como eu me vejo quando perco alguém? Qual a sensação que perder algo traz? Por que eu me coloco em determinada posição sempre que a falta se faz presente?
Nem sempre vamos conseguir pôr em palavras tudo o que está acumulado, as coisas vão parecer confusas e a dor pode ir e voltar… Talvez seja a partir do choro, da escrita, da busca por um afago que a gente vai aprendendo a ser quem se é para além do que se foi. Só não esqueça que a parte que foi embora vai sempre deixar um rastro.
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Psicóloga Maria Luísa Leite
CRP 02/25997
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