16/09/2026
Setembro Amarelo também envolve o que fazemos antes da crise.
“Há 13 anos, minha tese de doutorado investigava a autolesão na adolescência. Em 2026, no 8th International Congress on Borderline Personality Disorder and Allied Disorders, em Lausanne, reencontrei esse tema à luz das evidências mais recentes.
E alguns pontos continuam especialmente importantes.
A autolesão pode estar presente em diferentes transtornos e não deve ser compreendida, isoladamente, como sinônimo de Transtorno de Personalidade Borderline. Depressão aparece com frequência associada a esses comportamentos, e reconhecer os diferentes contextos clínicos é fundamental para uma avaliação adequada.
As discussões do congresso também reforçaram outro aspecto essencial: prevenção se constrói em rede. Família, profissionais de saúde, escola e comunidade podem participar da identificação precoce de sinais de sofrimento e da construção de estratégias de cuidado. O carrossel destaca, inclusive, as intervenções familiares apresentadas pelo Prof. Alan E. Fruzzetti e a integração entre pesquisa, prática clínica e vivência das famílias.
E quando falamos especificamente em risco de suicídio na adolescência, a mensagem trazida pelo Prof. Michael Kaess é particularmente pertinente neste Setembro Amarelo: compreender precocemente, perguntar, avaliar o risco e trabalhar de forma interdisciplinar amplia nossas possibilidades de intervenção.”
Prevenção do suicídio não deve ocupar apenas um mês do calendário. Setembro pode, porém, ampliar uma conversa que precisa acontecer durante todo o ano.
Ciência, escuta, identificação precoce e cuidado compartilhado fazem parte dessa conversa.