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Sofrimento é doença? Sofrimento não é doença. Desde Freud, a psicanálise sustenta que o mal-estar é constitutivo da expe...
13/05/2026

Sofrimento é doença?

Sofrimento não é doença. Desde Freud, a psicanálise sustenta que o mal-estar é constitutivo da experiência humana e não pode ser automaticamente convertido em patologia. Em O mal-estar na civilização, Freud mostra que o sofrimento emerge do conflito entre pulsão, cultura e laço social, sendo parte inevitável da vida psíquica. Nem todo sofrimento, portanto, exige supressão; muitos demandam elaboração.

Winnicott aprofunda essa distinção ao compreender que o sofrimento pode resultar de falhas ambientais e não de uma doença em si. Quando o ambiente falha em sustentar o sujeito, o que se impõe não é, de imediato, a intervenção farmacológica, mas a oferta de um espaço suficientemente bom que possibilite a continuidade de ser, o gesto espontâneo e o br**car. Tratar, nesse sentido, é sustentar uma experiência relacional que permita simbolização.

Ogden, ao pensar o sofrimento como algo que se constitui no campo intersubjetivo, aponta que há experiências ainda não pensadas, que não encontraram forma psíquica de existir. O trabalho analítico consiste, então, em criar um espaço de vínculo onde esse sofrimento possa ganhar linguagem e tornar-se experienciável, mais do que ser silenciado por uma resposta técnica imediata.

Jurandir Freire Costa contribui com uma crítica à medicalização da existência ao denunciar a tendência contemporânea de transformar conflitos éticos, sociais e existenciais em transtornos. Para o autor, a patologização empobrece a vida psíquica e fragiliza os laços, ao substituir a escuta do sofrimento por uma normatização do comportamento.

Diferenciar sofrimento de doença não significa recusar a farmacologia, mas recolocá-la em seu devido lugar. Há sofrimentos que pedem medicação; outros clamam por escuta, vínculo e pertencimento — eixo ético fundamental da psicanálise.

Ajudamos você e sua família com Orientação Psicanalítica para crianças, adolescentes, adultos e casais.
Psicólogas: Jussara Neptune Herrmann e Elisete A. Piedade

Rua Treze de maio nº 768
4º andar sala 41 Centro
Piracicaba – SP

Feliz dia das Mães!
10/05/2026

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Obrigada a Unimed pelo reconhecimento do meu trabalho 🙏🙏
08/05/2026

Obrigada a Unimed pelo reconhecimento do meu trabalho 🙏🙏

Falando sobre PsicanáliseExiste uma expectativa curiosa em torno da psicanálise: a de que ela sirva para aliviar, resolv...
06/05/2026

Falando sobre Psicanálise
Existe uma expectativa curiosa em torno da psicanálise: a de que ela sirva para aliviar, resolver, dar conta.
É aí que muita gente se frustra.
A psicanálise não foi pensada para facilitar a vida. Ela foi pensada para torná-la mais legível:
- no ponto que a gente repete sem perceber,
- no ponto que sofre sem entender o porquê,
- no ponto em que escolhe achando que escolhe quando na verdade está sendo escolhido.
Nem todo mundo quer isso, e está tudo bem. Há quem prefira respostas rápidas, orientações claras, soluções externas. Há quem não queira abrir mão de suas próprias certezas. Há quem precisa acreditar que o problema está sempre fora.
A psicanálise não disputa esse lugar.

Ela se sustenta para quem, em algum momento, se pergunta: o que eu tenho a ver com o que se repete na minha vida?

Quando essa pergunta aparece, não tem volta fácil. E exatamente por isso que a psicanálise, mesmo lenta, mesmo exigente, segue fazendo sentido. Não para todos, mas para quem está pronto para escutar.
Sobre Transgeracionalidade

Em psicanálise, costuma-se dizer que conselhos e traumas transmitidos de geração em geração fazem parte do que é herdado simbolicamente, mesmo quando nunca foi claramente dito. Não se trata apenas de histórias contadas, mas de modos de sentir, desejar, temer e se defender que passam dos pais aos filhos.

Freud já apontava que o sujeito não nasce “em branco”: ele nasce inscrito em uma história familiar, marcada por recalques, ideais, proibições e repetições. Muitos conselhos carregam restos de traumas não elaborados.

Quando alguém rompe o ciclo, isso não é um simples ato de vontade, mas um trabalho psíquico de simbolização: dar palavra ao que antes era vivido como destino, reconhecendo o que foi transmitido sem repetir cegamente.
Romper o ciclo não significa negar a história familiar, mas assumir uma relação diferente com ela, onde o trauma deixa de ser um legado mudo e pode ser elaborado

Ajudamos você e sua família com Orientação Psicanalítica para crianças, adolescentes, adultos e casais.
Psicólogas: Jussara Neptune Herrmann e Elisete A. Piedade

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06/05/2026
Feliz Dia do Trabalhador! Que seu caminho seja de sucesso, dignidade e muitas realizações!
01/05/2026

Feliz Dia do Trabalhador! Que seu caminho seja de sucesso, dignidade e muitas realizações!

O br**car ocupa um lugar central na constituição da vida psíquica infantil. Para Winnicott, é no br**car que a criança p...
29/04/2026

O br**car ocupa um lugar central na constituição da vida psíquica infantil. Para Winnicott, é no br**car que a criança pode existir como sujeito, pois essa atividade se inscreve no espaço potencial, área intermediária entre a realidade interna e a realidade externa, na qual a experiência pode ser vivida de forma criativa. O br**car não é, portanto, mero entretenimento, mas uma condição para a integração do self e para o sentimento de continuidade de ser.

Quando a criança br**ca, ela transforma experiências emocionais em formas simbolizáveis, apropriando-se do que vive de maneira singular. Nesse sentido, o br**car funciona como um meio privilegiado de elaboração psíquica, permitindo que angústias, conflitos e fantasias sejam expressos sem a necessidade de tradução verbal. A qualidade do br**car indica, assim, o grau de vitalidade psíquica da criança.

O empobrecimento do br**car — caracterizado por rigidez, repetição estéril ou ausência de envolvimento — pode ser compreendido, à luz de Winnicott, como sinal de falhas no ambiente suficientemente bom. Quando o ambiente não sustenta a espontaneidade e a criatividade, a criança tende a recorrer a formas defensivas de funcionamento, comprometendo a experiência de br**car e, consequentemente, a possibilidade de sentir-se real.

Nesses casos, o sofrimento psíquico não se expressa prioritariamente por sintomas organizados, mas por uma restrição da experiência lúdica. O empobrecimento do br**car indica que algo do mundo interno não encontra condições para ser vivido e simbolizado. Cabe à clínica psicanalítica oferecer um espaço de sustentação que possibilite a retomada da experiência criativa, restaurando o br**car como lugar de existência psíquica.

Assim, à luz de Winnicott, pode-se afirmar que a criança br**ca para existir psiquicamente; quando o br**car empobrece, não se trata de um déficit da criança, mas de um apelo à escuta e à reconstrução das condições ambientais necessárias à vida psíquica.

Ajudamos você e sua família com Orientação Psicanalítica para crianças, adolescentes, adultos e casais.
Psicólogas: Jussara Neptune Herrmann e Elisete A. Piedade

Iniciando a sexta com nosso curso de Teoria, Técnicas e Práticas Psicanalistas  com a psicanalista Cibele Brandão - Gep ...
24/04/2026

Iniciando a sexta com nosso curso de Teoria, Técnicas e Práticas Psicanalistas com a psicanalista Cibele Brandão - Gep Marília

A clínica psicanalítica contemporânea tem sido atravessada por sofrimentos que se manifestam como vazio subjetivo, depre...
22/04/2026

A clínica psicanalítica contemporânea tem sido atravessada por sofrimentos que se manifestam como vazio subjetivo, depressão difusa e ansiedade sem objeto claramente definido. Tais apresentações desafiam modelos clássicos centrados no conflito neurótico e exigem uma escuta atenta às transformações da experiência psíquica na contemporaneidade. Na perspectiva de Thomas H. Ogden, esses quadros podem ser compreendidos como expressões de falhas na capacidade de viver, simbolizar e “sonhar” a experiência emocional.

Ogden propõe que uma dimensão central do sofrimento psíquico atual reside na incapacidade de transformar vivências emocionais em experiências psíquicas passíveis de pensamento e apropriação subjetiva. O conceito de dreaming the dream refere-se à função psíquica que permite metabolizar a experiência emocional, integrando-a à vida psíquica. Quando essa função falha, a experiência permanece bruta e não simbolizada, manifestando-se como vazio, anestesia emocional ou angústia difusa.

Na clínica do vazio, observa-se não a ausência de acontecimentos, mas a ausência de experiência viva: o sujeito funciona, relata fatos e cumpre tarefas, mas não se sente real ou afetado por sua própria vida. A depressão diferencia-se desse estado por envolver uma experiência afetiva presente, porém empobrecida, marcada por retraimento da vitalidade e perda de criatividade psíquica. Já a ansiedade contemporânea pode ser compreendida como expressão de experiências emocionais sem forma, vividas no corpo, mas não transformadas em emoções nomeáveis ou pensamentos.

Diante desses estados, Ogden reformula o papel do analista, enfatizando a análise como um espaço de co-experiência. O trabalho analítico não se centra prioritariamente na interpretação, mas na criação de um campo relacional que possibilite ao paciente viver e sonhar experiências até então não simbolizadas. A presença, o ritmo e a sustentação dos afetos tornam-se elementos centrais da clínica.
Conclui-se que, à luz de Ogden, a clínica contemporânea do vazio, da depressão e da ansiedade revela menos conflitos reprimidos e mais experiências não vividas.

Na psicanálise, as estruturas psíquicas não são entendidas como algo pronto desde o nascimento, mas como formas de organ...
08/04/2026

Na psicanálise, as estruturas psíquicas não são entendidas como algo pronto desde o nascimento, mas como formas de organização do sujeito diante do desejo, da lei e da falta. Elas nascem na relação com o Outro e se sustentam ao longo da vida pela maneira como cada sujeito lida com o conflito, a angústia e o gozo.

Como nascem ?
O bebê nasce em estado de desamparo (Hilflosigkeit). Ele depende radicalmente de um Outro que o nomeie, o cuide e lhe atribua sentido. É nesse campo da linguagem que o psiquismo se constitui.
A forma como esse Outro responde — presença, ausência, excesso, falha — vai organizando o aparelho psíquico. A entrada ou não da lei simbólica (a função paterna, em Lacan) é decisiva: ela introduz a noção de limite, de castração e de falta. A partir daí se formam as neuroses, psicoses e perversões . Sempre o pensar está calçado no questionamento do que o outro quer de mim.

Como se sustentam?
As estruturas se mantêm por meio de repetições: sintomas, fantasias, escolhas amorosas, modos de sofrimento e de gozo. O sujeito tende a repetir aquilo que lhe deu, um dia, uma solução possível para a angústia. Mesmo o sofrimento tem uma função: ele organiza.

A linguagem, o discurso familiar, a cultura e os laços sociais funcionam como suportes dessa estrutura. Quando esses suportes falham (perdas, traumas, mudanças radicais), surgem crises — não porque a estrutura mude facilmente, mas porque seus pontos de sustentação se fragilizam.

E a análise?
A psicanálise não visa mudar a estrutura, mas modificar a posição do sujeito dentro dela. Ao colocar em palavras o que antes se repetia em ato ou em sintoma, o sujeito pode inventar novas formas de sustentação, menos custosas, ainda que dentro da mesma estrutura.

Em suma, as estruturas psíquicas nascem do encontro entre o corpo, a linguagem e o desejo do Outro, e se sustentam pelas soluções que o sujeito encontra para existir nesse campo. O trabalho analítico não desfaz a estrutura, mas permite que ela seja habitada com mais liberdade.

Desejamos a todos uma Feliz Páscoa!
05/04/2026

Desejamos a todos uma Feliz Páscoa!

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