16/01/2026
Essa semana sai para andar pelo bairro com meu filho, como sempre fazemos, e ele gosta muito de parar pra pegar frutas pelo caminho. Quando chegamos no pé de acerola, só tinha acerola no alto, num lugar onde era difícil pegá-las.
Expliquei ao Benício que talvez eu não fosse conseguir pegar as acerolas que ele queria porque estavam muito no alto e eu sou baixinha. E então ele me disse: mas você consegue mamãe. E assim começou a gritar com muito ânimo "vai, vai, vai" torcendo por mim. E eu consegui pegar as acerolas que ele queria, o que foi comemorado por ele com um "você conseguiu mamãe, isso".
E hoje me lembrei dessa cena ao acolher uma paciente, e tantas outras, que estão grávidas, que são mães e em muitos momentos duvidam de si mesmas. Das suas capacidades, das suas habilidades, das suas escolhas e se sentem incapazes ou culpadas por serem quem são. Que se questionam se darão conta ou se serão boas mães.
E eu tento lembrá-las que não nascemos sabendo ser mães, que de fato na maior parte do tempo escolhemos de forma intuitiva, sem saber muito bem o que estamos fazendo. Mas não porque não somos capazes, mas porque ser mãe, ou ser uma boa mãe, é construção. A maternidade não é algo pronto.
Não existe uma mãe perfeita, que não erra, não falha. A boa mãe é aquela que vai ser construída junto com a relação com seu filho. É nosso filho que nos mostra o caminho, que nos guia, nos diz pra onde ir, de que forma ir. Cada criança, cada momento é único, cada relação é individual.
Em cada desafio a maternidade nos exige de forma diferente: novas habilidades, novas características, novas decisões, novas qualidades, e tudo bem se algumas delas não possuímos, ou estamos descobrindo.
O importante é olhar para nossa criança. É para nosso filho que devemos ser uma mãe possível, e sim isso é ser uma boa mãe. E não tentar sermos a mãe perfeita.
Desejo que a cada vez que você duvidar de si mesma, que olhe para o seu filho e se lembre que ele está ali torcendo por você, ele acredita em você antes de qualquer pessoa, e antes mesmo de você. Isso é o que deve ser valorizado.
Essa é a maternidade real e possível 🤍