18/03/2026
Eu botei os olhos, nela.
Foi coisa espantosa, do tipo que se prende o fôlego. Não era amor, era espanto, encanto ou coisa que se assemelha, mas não amor.
Nós não sabíamos amar ou o que quer que seja.
Sabíamos nos espantar e nos encantar quando nos víamos.
O que era raro, já que nossas casas não se encontravam na mesma rua.
Eu em uma, ela em outra. Mas as vezes os caminhos se cruzavam e nos víamos e nos espantavamos ao nos ver.
Eu menos alto um palmo, ela um palmo a mais e aquilo me encantava. Erguer o nariz para mostrar meu melhor sorriso. E ela me dava seu melhor olhar. Daqueles que brilham no céu e alguém chamou de estrela.
Um dia a vi na missa, de roupa passada, cabelo perfumado e olhar brilhante e nesse dia sim, descobrir o que era amor.
Histórias de Mário Déggas