10/08/2026
*Aproveitando o Dia dos Pais, vamos falar sobre a importância de uma figura paterna segura na vida de uma criança?*
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A figura paterna desempenha um papel estruturante no desenvolvimento psíquico e emocional da criança, atuando na diferenciação da simbiose primária e na construção da subjetividade, com repercussões diretas na autoimagem e nas relações futuras da filha.
Segundo a psicanálise clássica, o pai é a pessoa que ajuda a filha a perceber que existe um mundo além da mãe. Na constituição da sexualidade e identidade feminina, a filha realiza uma virada de objeto: direciona o afeto originalmente voltado à mãe para a figura paterna. A forma como o pai acolhe e valida essa busca afetuosa serve como matriz para a autoimagem da menina e como protótipo para as escolhas amorosas na vida adulta.
Já Winnicott enfatiza o papel do pai primeiramente como suporte do ambiente. Ele oferece sustentação à mãe para que ela possa vivenciar a maternidade com segurança. Para a filha, esse pai presente representa uma ponte segura para perceber o mundo além da mãe, favorecendo o desenvolvimento do verdadeiro self, a capacidade de brincar e a conquista da autonomia.
Pela Teoria do Apego, Bowlby conceitua o pai como uma base segura a partir da qual a criança explora o ambiente. A sensibilidade e a responsividade do pai no cuidado com a filha moldam suas estruturas mentais que definem a percepção do próprio valor e a expectativa de confiança no outro. Um apego paterno seguro ensina à menina que ela é digna de amor, proteção e respeito, prevenindo padrões de apego ansioso ou evitativo nas relações interpessoais.
A articulação entre essas teorias mostra que o vínculo paterno saudável oferece à filha a experiência de sentir-se reconhecida enquanto sujeito singular, integrando limites e afetos de forma equilibrada, comprovando como a figura paterna é algo essencial na construção do psiquismo da criança.
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Laura Luiza Lozano de Pontes
CRP 04/52808
Psicóloga e Neuropsicóloga Clínica