Geriatra Virgílio Olsen

Geriatra Virgílio Olsen Informações para nos contatar, mapa e direções, formulário para nos contatar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Geriatra Virgílio Olsen, Medicina e saúde, Porto Alegre.

Estamos no episódio 4 da série sobre os principais tipos de demência. A proposta desses conteúdos é mostrar, de forma cl...
03/08/2026

Estamos no episódio 4 da série sobre os principais tipos de demência. A proposta desses conteúdos é mostrar, de forma clara e acessível, que demência não é tudo igual. Existem diferentes tipos, mecanismos e formas de evolução. E entender isso ajuda muito na leitura dos sintomas, na investigação e no planejamento do cuidado.

Hoje, o foco é a demência mista.

Quando falamos em demência mista, estamos falando da presença de mais de um tipo de demência ao mesmo tempo. A combinação mais comum é entre Doença de Alzheimer e demência vascular, mas outras associações também podem acontecer.

Esse conceito é importante porque nem sempre o quadro cognitivo segue um padrão único. Em alguns pacientes, os sintomas refletem mecanismos diferentes acontecendo ao mesmo tempo no cérebro. Isso pode gerar uma combinação de perda de memória, lentif**ação, dificuldade de planejamento, piora funcional e uma evolução menos previsível.

Em alguns casos, parte da progressão pode ser mais contínua, como costuma acontecer em doenças neurodegenerativas. Em outros, pode haver piora em etapas, especialmente quando existe componente vascular associado. Reconhecer isso ajuda a interpretar melhor o quadro clínico e a evitar explicações simplif**adas demais.

Nem sempre é possível separar com precisão absoluta o peso de cada componente. Mas identif**ar que existe uma demência mista faz diferença, porque orienta a investigação, ajuda a definir prioridades no tratamento e melhora a organização do cuidado ao longo do tempo.

Vale lembrar que existem mais de 140 tipos de demência descritos. Nesta série, eu estou abordando alguns dos principais, justamente para tornar esse tema mais compreensível para pacientes, familiares e cuidadores.

No próximo episódio, vou falar sobre demência e doença de Parkinson.

30/07/2026

Quando um idoso tem uma doença cardiovascular, eu preciso orientar o cuidado de forma clara e prática, porque nem sempre a piora aparece de maneira óbvia. Muitas vezes, o corpo vai compensando aos poucos, e a família pode demorar para perceber que algo mudou.

Por isso, um dos pontos mais importantes é observar pequenas mudanças no dia a dia. Mais cansaço ao realizar atividades habituais, falta de ar, dificuldade para deitar, falta de ar súbita durante a noite, inchaço nas pernas, tornozelos e pés, ganho rápido de peso, piora do sono, perda de apetite e confusão mental são sinais que merecem atenção. Em muitos casos, os familiares percebem essas mudanças antes do próprio paciente.

Outro ponto essencial é acompanhar algumas informações de forma objetiva. O peso diário pode ajudar a identif**ar retenção de líquido, especialmente quando há aumento de mais de 2 a 3 libras em 24 horas ou mais de 5 libras em uma semana. Pressão arterial, frequência cardíaca, inchaço e falta de ar também podem ser úteis no acompanhamento, de acordo com a orientação da equipe de saúde.

Para a família, isso costuma reduzir muita dúvida e muita confusão. Em vez de tentar adivinhar se está tudo bem, o ideal é saber o que observar e avisar a equipe de saúde quando surgir algo novo ou quando um sintoma piorar. Muitas vezes, esse contato permite ajustar medicações ou orientar mudanças que ajudam no controle do quadro.

Também é importante lembrar que apoiar não signif**a fazer tudo pelo idoso. O familiar pode ajudar a acompanhar sintomas, participar de consultas, organizar informações e seguir as orientações da equipe, mas sem tirar completamente a autonomia de quem está em cuidado.

E existe mais um ponto que eu sempre reforço: quem cuida também precisa de apoio. Cuidar de uma condição cardíaca costuma exigir tempo, energia e constância. Ter orientação e suporte faz diferença tanto para o paciente quanto para a família.

Se você cuida de um familiar idoso com problema cardíaco, observar melhor os sinais e organizar o acompanhamento já é um passo importante.

26/07/2026

Neste Dia dos Avós, eu quero propor uma reflexão que vai além da homenagem.

Muitas famílias só percebem que algo não vai bem quando acontece um susto maior. Uma queda. Uma confusão importante. Uma ida ao hospital. Mas, na prática, a perda de autonomia costuma começar de forma mais sutil.

Nem todo avô ou avó precisa de ajuda para tudo. E preservar a autonomia faz parte de envelhecer com dignidade. O ponto é que autonomia não se mede só pela idade. Ela também aparece na capacidade de manter a rotina, se organizar, se movimentar com segurança e tomar boas decisões no dia a dia. Isso conversa diretamente com o cuidado que eu defendo na geriatria: olhar para a funcionalidade, para a qualidade de vida e para a família como parte importante desse processo.

Alguns sinais costumam passar despercebidos no começo.

A geladeira começa a f**ar vazia com frequência.

As contas se acumulam ou os remédios passam a ser tomados de forma confusa.

A casa f**a mais desorganizada do que era habitual.

A roupa já não combina com o clima.

O banho deixa de ser tão regular.

A marcha f**a mais lenta, mais insegura, com medo de tropeçar.

A memória falha além do esperado, ou o raciocínio parece diferente do padrão daquela pessoa.

Nem sempre isso signif**a uma perda grave. Mas signif**a, sim, que vale prestar atenção. Porque muitas vezes o que parece pequeno já está mostrando dificuldade funcional, alterações de memória, risco de queda ou sobrecarga silenciosa na rotina.

Perceber cedo não é tirar independência de ninguém.

É cuidar antes da crise.

É abrir espaço para uma conversa respeitosa.

É agir enquanto ainda há mais possibilidades, mais participação do idoso nas decisões e mais chance de organizar o cuidado com calma.

Neste 26 de julho, além de celebrar os avós, talvez essa também seja uma boa data para olhar com mais presença. Com gratidão, mas também com atenção.

Porque, às vezes, o melhor presente não é esperar o problema aparecer.
É perceber os sinais antes.

23/07/2026

Pode deixar um paciente com demência sozinho em casa?

Essa é uma pergunta delicada, e a resposta exige mais do que um “sim” ou “não”.

Antes de tomar essa decisão, eu costumo orientar a família a observar alguns pontos centrais.

O estágio da demência faz diferença. A capacidade funcional também. Além disso, é preciso avaliar se a pessoa reconhece situações de risco, consegue pedir ajuda, mantém alguma previsibilidade na rotina e está em um ambiente realmente seguro.

Muitas vezes, a família olha apenas para a memória. Mas o risco pode estar em outros pontos, como dificuldade para usar o fogão, chance de quedas, erros com medicação, desorientação dentro de casa ou ausência de uma rede de apoio próxima.

Esse tipo de decisão precisa equilibrar duas coisas importantes: segurança e autonomia.

Nem infantilizar, nem expor a riscos evitáveis. O melhor caminho costuma ser uma avaliação individualizada, com olhar prático para a rotina real daquela pessoa e da família.

Se esse tema faz parte da sua realidade, uma orientação adequada pode ajudar a organizar o cuidado com mais clareza e menos culpa.

16/07/2026

“Não consigo dar conta de tudo.”

Essa frase costuma vir acompanhada de outra, mais silenciosa: “eu nunca sou suficiente”.

Muitos filhos e familiares vivem exatamente esse conflito.
Amam, cuidam, resolvem, se preocupam, tentam antecipar problemas.
E, mesmo assim, carregam culpa por achar que deveriam fazer mais.

Existe ainda uma dor que pesa muito nesse processo: cuidar de alguém que antes cuidava de você.
Essa inversão mexe com a rotina, com a identidade e com as emoções.

O ponto que eu mais gosto de reforçar é este: culpa excessiva não melhora o cuidado.
Na maioria das vezes, ela só aumenta a sobrecarga e dificulta decisões importantes.

O que costuma ajudar?

Reconhecer que limite não é fracasso.

Entender que pedir ajuda não signif**a abandonar.

Dividir tarefas de forma objetiva com a família.

Aceitar que você não vai conseguir controlar tudo.

Buscar suporte, inclusive psicológico, quando esse peso começa a transbordar.

Cuidar bem não é fazer tudo sozinho.
Cuidar bem também é construir uma rede possível, mais segura e mais sustentável.

Se você tem se sentido insuficiente, talvez o problema não seja falta de amor.
Talvez seja excesso de responsabilidade concentrada em uma pessoa só.

Quem cuida também precisa ser cuidado.

Se esse conteúdo fez sentido para você, compartilhe com alguém da família. Muitas vezes, a mudança começa quando esse assunto finalmente é dito em voz alta.

09/07/2026

de uma participação que fiquei muito feliz em fazer no , da RBS TV, falando sobre envelhecimento saudável.

Poder levar esse tema para mais pessoas é sempre uma alegria, especialmente quando a conversa aborda algo tão importante e, muitas vezes, subestimado: o impacto das atividades coletivas na autoestima, no senso de pertencimento e na participação social ao longo da maturidade.

Envelhecer bem não tem relação apenas com tratar doenças. Tem relação com manter autonomia, vínculos, propósito e qualidade de vida. Participar de grupos, conviver, se sentir incluído e ativo faz parte do cuidado com a saúde e pode transformar a forma como essa fase da vida é vivida.

Agradeço pelo convite e pelo espaço para compartilhar informação de forma clara e acessível. Sempre fico feliz quando tenho a oportunidade de contribuir com orientações que podem ajudar pacientes, familiares e cuidadores a entender que viver mais precisa vir acompanhado de viver melhor.

08/07/2026

Quando a demência avança, muitas famílias começam a viver um luto muito particular.

A pessoa muda.
A conversa muda.
A memória falha.
A rotina f**a mais difícil.

E, no meio disso tudo, pode surgir uma sensação silenciosa de que aquele familiar “já não sente mais como antes”.

Eu acho importante fazer esse alerta.

A pessoa com Alzheimer pode ter limitações importantes de memória, linguagem e compreensão. Mas isso não signif**a ausência de vida emocional.

Ela ainda pode sentir medo, desconforto, tristeza, saudade, carinho, alívio, segurança.

Isso muda a forma como eu devo me comunicar e cuidar.

Em vez de confrontar o tempo todo, vale observar melhor.
O que essa reação está tentando mostrar?
Existe dor?
Existe cansaço?
Existe fome, sede, excesso de estímulo, confusão, insegurança?

Nem sempre o paciente vai conseguir explicar o que sente.
Mas isso não quer dizer que ele não esteja sentindo.

Em muitos casos, a forma de falar, o ambiente, a rotina, o toque respeitoso e a presença tranquila ajudam mais do que insistir em corrigir ou convencer.

Cuidar de alguém com Alzheimer também é aprender a enxergar além da memória.

É reconhecer que ainda existe uma pessoa ali, com história, emoções e necessidade de afeto.

Se esse conteúdo fez sentido para você, compartilhe com alguém da família. Às vezes, essa compreensão muda completamente o cuidado.

06/07/2026

Chegamos ao último episódio da série Manual da Mente sobre os 14 fatores de risco para demência. Ao longo dos posts anteriores, eu falei sobre baixa escolaridade, perda auditiva, traumatismo craniano e os demais fatores já reconhecidos. Hoje, encerrando a série, eu quero falar sobre perda de visão.

A perda de visão não tratada passou a integrar a lista dos 14 fatores de risco modificáveis para demência no relatório mais recente da comissão da Lancet. Modificável signif**a exatamente isso: não é destino, não é sentença, não é algo diante do qual a pessoa só pode assistir. É um fator que pode ser prevenido, tratado ou adiado.

Os dados chamam atenção. A comissão estimou que cerca de 2% dos casos de demência podem estar relacionados à perda de visão não tratada na vida mais tardia. Além disso, em adultos acima de 65 anos, a perda visual foi associada a um risco quase 50% maior de demência.

Por que isso pode acontecer? Porque o cérebro depende de estímulo. Quando a visão piora, há menos entrada de informação visual e menor ativação de circuitos importantes. Além disso, muitas pessoas passam a sair menos, participar menos de atividades e se isolar mais, e isso também pesa na saúde cognitiva.

A parte mais importante é esta: tratar a visão importa. Corrigir grau, usar óculos ou lentes quando indicados, acompanhar com oftalmologista e tratar causas frequentes de perda visual, como catarata, retinopatia diabética e degeneração macular, pode reduzir esse impacto. Um dos estudos citados mostrou que idosos submetidos à cirurgia de catarata tiveram cerca de 30% menos risco de demência em comparação com aqueles que não operaram.

Cuidar da visão não é só enxergar melhor. Também é preservar autonomia, interação com o mundo e saúde cerebral.

Assim eu encerro a série dos 14 fatores de risco para demência. E essa talvez seja a principal mensagem de todas: existe prevenção possível, e ela começa muito antes do diagnóstico.

7 mil pessoas por aqui. Confesso que esse número me deixou muito feliz.Porque, por trás dele, não estão só seguidores. E...
01/07/2026

7 mil pessoas por aqui. Confesso que esse número me deixou muito feliz.

Porque, por trás dele, não estão só seguidores. Estão pessoas que escolhem acompanhar, aprender, compartilhar, comentar, mandar uma mensagem, salvar um conteúdo e, de alguma forma, dizer que isso faz sentido.

E isso tem muito valor para mim.

Quem produz conteúdo sabe que nada disso acontece por acaso. Existe estudo, tempo, dedicação, constância e muito esforço para transformar informação em algo realmente útil, claro e que chegue até quem precisa.

Sou muito grato a cada pessoa que está aqui, que acompanha meu trabalho e que ajuda essas informações a chegarem mais longe.

Meu desejo é exatamente esse: que cada vez mais pessoas possam conhecer, entender e se beneficiar do conteúdo que compartilho por aqui.

Obrigado por estarem comigo nesse caminho.

Seguimos. Com gratidão, entusiasmo e com a mesma vontade de sempre de levar informação de qualidade para mais pessoas.

Quando se fala em demência, muita gente pensa apenas em pessoas mais velhas. Mas ela também pode acontecer antes dos 65 ...
30/06/2026

Quando se fala em demência, muita gente pensa apenas em pessoas mais velhas. Mas ela também pode acontecer antes dos 65 anos. Nesses casos, chamamos de demência de início precoce.

Ela é menos comum, mas existe. E justamente por isso pode passar despercebida. Muitas vezes, os sinais são confundidos com estresse, depressão, ansiedade, sobrecarga ou até com uma mudança de personalidade.

Esse atraso no reconhecimento tem impacto real. A pessoa começa a ter dificuldade no trabalho, na organização da rotina, na tomada de decisões ou no convívio social, e a família nem sempre entende o que está acontecendo.

Nem toda demência de início precoce é Alzheimer, mas o ponto principal aqui é outro: alterações cognitivas e comportamentais importantes em pessoas mais jovens não devem ser ignoradas.

Como esse tema costuma ser pouco lembrado, vale não ignorar mudanças persistentes que chamem atenção e buscar avaliação adequada.

Falar sobre esse tema também ajuda a reduzir estigma e culpa. Quanto mais cedo o quadro é percebido, mais cedo a família pode buscar avaliação adequada, entender o que está acontecendo e se organizar melhor para o cuidado.

Nem toda falha de memória é demência. Mas demência nem sempre começa depois dos 65.

Se tiver alguma dúvida, fale comigo.

Endereço

Porto Alegre, RS

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Geriatra Virgílio Olsen posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Atalhos

Compartilhar