Cleci Psicóloga

Cleci Psicóloga Formada em AT
Pós-graduada em TCC e Psicanálise
Pós-graduada em
Psicologia Positiva

25/05/2026

Agneta não é um filme que se assiste. É um filme que invade, atravessa.
Há dores que gritam. Mas existem outras talvez as mais perigosas que aprendem a morar em silêncio. E Agneta é feita desse silêncio que adoece devagar.
O filme nos confronta com uma das tragédias mais invisíveis da existência humana: a de continuar vivo por fora… enquanto partes inteiras da alma já desistiram há muito tempo.
Psicologicamente, é um retrato duro do isolamento afetivo, da solidão crônica e do "Abandono emocional" que vai apagando alguém sem deixar marcas aparentes. Porque o ser humano não desaparece de repente. Ele vai se tornando ausência dentro de si mesmo.
E talvez o mais perturbador seja perceber que Agneta poderia ser qualquer pessoa. A mulher no elevador. O vizinho calado. Alguém que continua funcionando no automático enquanto trava batalhas internas que ninguém vê.
Ainda assim, existe no filme uma delicada crueldade poética: mesmo ferida, a alma humana continua esperando ser alcançada.
Talvez seja isso que mais fique depois dos créditos: ninguém sobrevive muito tempo sem afeto. E há silêncios que, se não forem acolhidos, acabam engolindo uma vida inteira.
Boraaaa...

03/05/2026

Hoje, no Dia das Mães aqui onde me encontro neste momento , Portugal... ainda digerindo o que senti no lançamento do livro do qual sou coautora , enquanto segurava aquele livro nas mãos, pensei na menina que saiu de uma casa de chão batido, sem luz, sem água, carregando mais medo do que possibilidades… mas que, ainda assim, nunca deixou morrer dentro de si a esperança de uma vida diferente.
A minha escrita neste livro fala sobre travessias. Não apenas as geográf**as. Mas aquelas que acontecem na alma.
Fala da menina que precisou crescer cedo demais. Da mulher que aprendeu a sobreviver antes mesmo de aprender a descansar. Da mãe. Da imigrante. Da mulher que voltou a estudar aos 48 anos e se formou em Psicologia aos 56. Da mulher que precisou atravessar dores profundas para finalmente compreender que Deus nunca desperdiça a nossa história.
Hoje entendo que muitas feridas emocionais não desaparecem apenas com o tempo. Elas precisam ser olhadas, acolhidas, ressignif**adas. E talvez seja justamente aí que a graça de Deus nos encontra: no lugar mais humano, mais frágil e mais verdadeiro dentro de nós.
Talvez por isso eu tenha escolhido trabalhar escutando mulheres. Porque conheço os silêncios. Conheço o abandono. Conheço a sensação de não pertencimento. Mas também conheço a força que nasce quando uma mulher decide não desistir de si mesma.
Naquele lançamento, eu não estava sozinha. Comigo estavam todas as versões de mim que sobreviveram até aqui.
E hoje, neste Dia das Mães, meu coração transborda gratidão. Pela vida. Pelos meus filhos. Pelas travessias. E pela mulher que me tornei depois de tantos oceanos atravessados.

24/03/2026

“Não se pode transformar o que não se aceita.” – Carl Jung
A gente foi ensinado a lutar contra o que sente.
A corrigir rápido.
A esconder.
A melhorar antes mesmo de compreender.
Mas a vida não se transforma na base da negação.
Ela se transforma no encontro.
Aquilo que você evita… insiste.
Aquilo que você rejeita… permanece.
Aquilo que você não olha… cresce no escuro.
Negar não resolve. Sofistica o sofrimento.
Aceitar não é concordar.
Não é se acomodar.
Não é desistir de mudar.
Aceitar é olhar com presença.
É parar de fugir de si.
Você não precisa melhorar para se acolher.
Você precisa se acolher para melhorar.
É dizer, com honestidade:
“isso também sou eu… agora.”
E só a partir desse lugar —
sem guerra interna, sem violência disfarçada de autocobrança —
a transformação começa a acontecer de verdade.
Autocrítica não é evolução. Consciência é.
Porque o que é acolhido… se reorganiza.
O que é visto… se move.
O que é amado… encontra caminho.
Talvez o que você precisa hoje
não seja mudar mais,
seja parar de se abandonar no processo.
Mas se encontrar melhor.
Boraaaaa só por hojeeeee.

26/02/2026

“A nossa vida adulta é muito menos adulta do que pensamos.”
(ideia desenvolvida por Contardo Calligaris)
Nós acreditamos que maturidade é independência.
Que crescer é controlar.
Que ser adulto é não sentir demais.
Mas grande parte das nossas escolhas amorosas, profissionais e emocionais
não nasce do adulta que somos hoje.
Nasce da criança que precisou sobreviver.
A criança que aprendeu que precisava agradar.
A que entendeu que precisava ser forte demais.
A que descobriu cedo que não podia incomodar.
Ou aquela que só recebia atenção quando adoecia, gritava ou falhava.
Essa criança não desaparece com a idade.
Ela se organiza em padrões.
E padrão não resolvido vira destino repetido.
É ela quem ativa o medo do abandono.
É ela quem reage com desproporção.
É ela quem escolhe o conhecido, mesmo que o conhecido machuque.
Vida adulta não é ausência de ferida.
É capacidade de perceber de onde estamos reagindo.
Enquanto você não reconhece a sua criança interna,
ela continua conduzindo suas relações, seus limites e seus silêncios.
E aqui está o ponto mais delicado:
olhar para essa criança não é se vitimizar.
É assumir a responsabilidade de interromper o ciclo.
Autorresponsabilidade sem crueldade.
Consciência sem autopunição.
Maturidade não é dureza — é integração.
Ser adulto é parar de abandonar a si mesma.

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11/02/2026

Nenhuma verdade é absoluta.
Todo ponto de vista é a vista de um ponto.
Na terapia, aprendemos que a realidade psíquica é construída a partir das experiências emocionais de cada sujeito.
Não vemos apenas o que acontece — vemos a partir de quem fomos, do que vivemos e das marcas que carregamos.
Por isso, interpretações diferentes não signif**am, necessariamente, erro.
Elas revelam posições internas, histórias, defesas, necessidades.
Muitas vezes, o conflito não está no fato em si, mas na lente afetiva que o observa.
Ampliar a consciência é desenvolver a capacidade de reconhecer os próprios filtros, relativizar certezas e sustentar a complexidade do olhar do outro.
Esse movimento exige trabalho emocional, humildade psíquica e coragem para rever a si mesmo.
De que lugar você tem olhado para as situações da sua vida?

14/01/2026

Existe uma distância sutil entre aquilo que eu digo ser verdade e a forma como realmente vivo. O que eu conto costuma ser bem organizado, dá sentido à dor, explica, justif**a. É a história que aprendi a sustentar ao longo do tempo.

Já a vida real não aparece no discurso. Ela se mostra nos padrões que se repetem, nas escolhas que permanecem as mesmas, nos vínculos que adoecem, nos sintomas que insistem em aparecer.

Muitas vezes, eu acredito plenamente na versão que conto sobre mim. E é aí que mora o engano. Entender não signif**a integrar. Dar nome às coisas não é o mesmo que transformá-las.

Na prática clínica, o ponto de virada costuma surgir de uma pergunta simples e honesta: se tudo isso que eu digo fosse verdade na minha vida, eu estaria vivendo exatamente o que vivo hoje?

A realidade não acusa nem confronta. Ela apenas revela. E talvez o trabalho mais profundo seja alinhar, com cuidado e responsabilidade, o que eu digo sobre mim com aquilo que sustento nas minhas escolhas.

Porque a vida não responde ao que eu compreendo, mas ao que faço, de fato, com esse entendimento.

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05/01/2026

Janeiro não começa com fogos.
Começa com silêncio.
As festas acabam, os excessos cessam, as visitas vão embora.
E f**a aquilo que a gente costuma evitar:
a própria mente.
Janeiro é branco não por pureza,
mas por espaço.
O branco revela.
Nele, pensamentos aparecem, cansaços antigos pedem nome,
emoções ganham corpo.
Muita gente atravessa este mês acreditando que precisa estar forte, produtiva, resolvida.
Mas saúde mental não nasce da exigência.
Ela nasce do encontro honesto consigo.
Cuidar da mente é poder admitir:
- não estou bem, mas estou aqui.
- não sei ainda, mas estou disposta a olhar.
- não aguento do mesmo jeito de antes.
Talvez janeiro não seja sobre grandes metas,
mas sobre ajustar o ritmo, rever limites e escolher cuidado sem culpa, sem vergonha.
Antes de qualquer ano novo,
existe alguém aí dentro
pedindo atenção.



24/12/2025

Feliz Natal ✨
O Natal nos convida a pausar.
A respirar com mais consciência.
A olhar para o outro e para nós mesmos  com mais gentileza.
Mais do que uma data, é um lembrete da importância do cuidado, da empatia e do vínculo humano.
De reconhecer limites, respeitar processos e compreender que cada pessoa vive sua própria travessia.
Que este período traga a possibilidade de descanso emocional,
de encontros mais verdadeiros
e de escolhas que priorizem saúde mental, presença e sentido.
Desejo que o novo ciclo que se aproxima seja conduzido com mais clareza,
menos culpa
e mais respeito pela própria história.
Com carinho,
Feliz Natal 🤍

29/11/2025

Quero celebrar a caminhada de alguém cuja história representa força, resiliência e autenticidade.
Neguinho da Beija-Flor vive um momento alto e merecido da sua carreira fruto de talento, persistência e de uma relação profunda com a própria verdade.
Tive a alegria de acompanhá-lo num processo de transição importante: o encerramento de um ciclo como puxador de escola de samba e a abertura de uma nova fase como cantor. Ver hoje sua música ganhar o país, sua arte chegar a novos espaços e um programa especial reconhecê-lo… é testemunhar o poder de um percurso construído com alma.
Que essa nova etapa continue revelando o artista gigante que sempre existiu.



28/11/2025

O que chamamos de “eu” é apenas uma parte do que realmente somos. A consciência ilumina, organiza, escolhe o que mostramos ao mundo.

Mas o inconsciente caminha junto: guarda afetos esquecidos, impulsos negados, dores antigas e desejos que evitamos encarar. Ele não é sombra por ser ruim, e sim por permanecer escondido.

Crescer não é silenciar esse lado, mas permitir que luz e escuridão dialoguem. A verdadeira maturidade nasce quando aceitamos olhar para dentro, inclusive onde preferimos não ver.

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24/11/2025

Somos rápidos em julgar o outro e a nós mesmos.
Mas o julgamento não nasce do pensar: nasce do impulso, da dor que ainda não sabemos tocar.
Quando algo nos excede, feridos, colocamos alguém no lugar de agressor, cúmplice ou réu.
Esquecemos que o humano, para escapar do próprio sofrimento, cria máscaras em vez de criar sentido.
O desafio é sermos menos moralistas, menos violentos, mais humanos.
Porque o verdadeiro pensar abre caminhos, inaugura o novo e nos devolve à nossa própria humanidade.
Julgar não constrói.
Pensar humaniza.
Boraaaaa só por hoje não desistir de NÓS.
VÊMMMM.

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Porto Alegre, RS
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