Dr. Felipe Caracuel

Dr. Felipe Caracuel Psiquiatra - RQE 113125

Causar danos repetitivos à própria pele sem conseguir parar tem nome. Chama transtorno de escoriação.É um comportamento ...
29/07/2026

Causar danos repetitivos à própria pele sem conseguir parar tem nome. Chama transtorno de escoriação.
É um comportamento que regula emoção, alivia por um momento e gera culpa depois.

👉🏼 pode aparecer junto com ansiedade, depressão e TOC.
👉🏼 A vergonha das marcas pode fazer a pessoa esconder por anos.
👉🏼 Tem tratamento eficaz.

Nomear o que está acontecendo já é o primeiro passo.

TOC não é simplesmente gostar de organização. É um transtorno marcado pela mente que não consegue parar e que rumina alg...
24/07/2026

TOC não é simplesmente gostar de organização. É um transtorno marcado pela mente que não consegue parar e que rumina alguns tipos de pensamentos.

Pensamentos que invadem, rituais que aliviam por minutos e recomeçam, medo intenso sem explicação lógica.

👉🏼 Não é frescura.
👉🏼 Não é falta de força de vontade.
👉🏼 É um transtorno com tratamento eficaz.

O que mais atrasa o diagnóstico é a vergonha de falar.

Salva e manda para quem pode estar passando por isso em silêncio. 📌

Os chamados “smart drugs” ganharam fama por supostamente aumentar produtividade, concentração e desempenho intelectual e...
22/07/2026

Os chamados “smart drugs” ganharam fama por supostamente aumentar produtividade, concentração e desempenho intelectual em pessoas saudáveis. Mas será que as evidências científicas realmente sustentam essa ideia?

Um estudo publicado na Science Advances buscou responder essa pergunta. Em um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, 40 adultos saudáveis receberam, em diferentes sessões, metilfenidato, dextroanfetamina, modafinil e placebo antes de resolver uma tarefa complexa, desenhada para simular problemas semelhantes aos que enfrentamos no dia a dia.

O resultado chamou a atenção.

Sob efeito dos estimulantes, os participantes passaram mais tempo na tarefa e fizeram mais tentativas, sugerindo maior persistência. Ainda assim, esse esforço adicional não se traduziu em melhor desempenho. Em média, as soluções foram de menor qualidade e a produtividade diminuiu.

Um dos achados mais interessantes foi que os participantes que apresentavam melhor desempenho quando receberam placebo foram justamente os que mais perderam eficiência após o uso dos estimulantes.

Isso significa que esses medicamentos “não funcionam”?
Definitivamente, não.

Este estudo avaliou adultos saudáveis, utilizando essas medicações como potencializadores cognitivos. Portanto, seus resultados não devem ser extrapolados para pessoas com TDAH, condição na qual existe evidência consistente de benefício quando o tratamento é corretamente indicado e acompanhado.

Talvez a principal mensagem seja outra: sentir-se mais motivado ou dedicar mais tempo a uma tarefa não significa, necessariamente, raciocinar melhor. Em problemas que exigem planejamento, estratégia e tomada de decisão, a qualidade do esforço pode ser tão importante quanto a quantidade de esforço.

A ciência raramente confirma narrativas simplistas. E este estudo é um bom exemplo de como a resposta costuma ser mais interessante e mais complexa do que parece à primeira vista.

Ansiedade é uma emoção. Todo mundo sente. O problema começa quando ela se organiza em um padrão persistente que interfer...
17/07/2026

Ansiedade é uma emoção. Todo mundo sente. O problema começa quando ela se organiza em um padrão persistente que interfere na vida. 🎯

Existem pelo menos 7 tipos de transtornos ansiosos, cada um com apresentação e tratamento diferentes:

👉🏼 TAG, Pânico, Fobia Social, Fobia Específica, Agorafobia, Ansiedade de Separação e Mutismo Seletivo.

Chamar tudo de “ansiedade” atrasa o diagnóstico certo. Nomear certo é o primeiro passo para tratar certo.

Atendo presencialmente em São Paulo e ABC, e também por teleconsulta. Link na bio.

15/07/2026

Por quê algumas perdas doem mais que outras?

A gente costuma associar a dor da perda ao tamanho do que foi perdido. Mas, na prática, não é só isso que está em jogo.

Algumas perdas doem tanto porque não levam embora apenas algo do presente — elas desorganizam o passado e sequestram o futuro. Aquilo que você perdeu não era só o que era… era também tudo o que você imaginava que ainda poderia ser.

Existe também um aspecto menos visível: perder alguém ou algo importante mexe na forma como você se entende. Porque vínculos não são só relações externas — eles ajudam a sustentar quem a gente é. Quando um vínculo se rompe, não é só o outro que vai embora. Uma versão sua vai junto.

E tem um detalhe que raramente se fala: algumas dores são maiores não pela intensidade do amor, mas pela quantidade de coisas que ficaram sem elaboração. Palavras não ditas, conflitos não resolvidos, possibilidades interrompidas. O luto, às vezes, não é só pela ausência — é pelo que não chegou a existir completamente.

Talvez por isso não exista um “superar” no sentido clássico. O que existe é reorganizar internamente um mundo que perdeu uma peça central.

Algumas perdas doem tanto… porque elas não cabem só no presente. Elas atravessam toda a narrativa que você fazia da própria vida.

Uma cena que vejo com frequência no consultório: pessoas que já iniciaram um processo consistente de melhora, mas sentem...
13/07/2026

Uma cena que vejo com frequência no consultório: pessoas que já iniciaram um processo consistente de melhora, mas sentem que “nada mudou”.

Isso costuma acontecer porque a imagem que construíram da recuperação é diferente da realidade. Esperam acordar um dia sem tristeza, sem angústia e sem qualquer sofrimento emocional, como se o tratamento tivesse a função de apagar sentimentos humanos, mas não tem.

Melhorar da depressão não significa tornar-se imune às dificuldades da vida. Significa recuperar a capacidade de se envolver com ela: voltar a encontrar prazer em pequenas experiências, retomar projetos, sentir que as emoções já não dominam completamente os dias.

Às vezes, a melhora se revela de forma sutil: uma noite de sono mais reparadora, a energia para cumprir uma tarefa antes impossível, a vontade de conversar com alguém querido ou a percepção de que os momentos de alívio estão se tornando mais frequentes.

Melhora parcial é melhora real. E o fato de o caminho não ser linear não indica que o tratamento falhou. Avanços e recuos fazem parte da recuperação. O importante é observar a trajetória ao longo do tempo, e não apenas o peso de um dia difícil.

Aprender a reconhecer os pequenos sinais de progresso ajuda a criar expectativas, aderir ao tratamento e compreender que, na maioria das vezes, a recuperação acontece gradualmente, mas acontece.

“Me dá um comprimido daquele seu?” Parece inofensivo, mas o que alivia quem tem indicação pode desregular quem não tem. ...
08/07/2026

“Me dá um comprimido daquele seu?”
Parece inofensivo, mas o que alivia quem tem indicação pode desregular quem não tem.

👉🏼 Benzodiazepínico cria dependência antes que você perceba.
👉🏼 Estimulante superestimula quem não tem TDAH.
👉🏼 Antidepressivo pode desencadear mania em quem tem predisposição.

A resposta científica é mais interessante do que um simples “sim” ou “não”.Nenhuma emoção, por si só, causa uma doença. ...
03/07/2026

A resposta científica é mais interessante do que um simples “sim” ou “não”.

Nenhuma emoção, por si só, causa uma doença. Sentir tristeza, medo, raiva ou ansiedade faz parte da experiência humana. O problema não está em sentir, mas na forma como lidamos com essas emoções ao longo do tempo.

Durante muitos anos acreditou-se que “guardar tudo para si” era sinal de força. Hoje sabemos que a regulação emocional é muito mais complexa do que apenas expressar ou reprimir sentimentos.

Estudos em neurociência e psicologia mostram que a supressão emocional crônica está associada a maior ativação do sistema nervoso simpático, aumento do cortisol, pior qualidade do sono, maior inflamação sistêmica, dificuldades nos relacionamentos e maior risco de sintomas ansiosos e depressivos.

Isso não significa que “engolir o choro causa câncer” ou que “raiva provoca infarto”. Essas afirmações não encontram respaldo científico.

Por outro lado, também seria um erro ignorar a influência da saúde mental sobre o organismo. Cérebro, sistema imunológico, endócrino e cardiovascular mantêm uma comunicação constante. Estresse crônico, traumas e dificuldades persistentes na regulação emocional podem aumentar a vulnerabilidade ao adoecimento por mecanismos biológicos e comportamentais.

Além disso, quem sofre emocionalmente costuma dormir pior, praticar menos atividade física, alimentar-se de forma menos saudável, consumir mais álcool ou outras substâncias e aderir menos aos tratamentos médicos.

Expressar emoções também não significa dizer tudo o que se pensa. Regulação emocional saudável envolve reconhecer o que se sente, compreender essas emoções e elaborá-las de forma adaptativa — muitas vezes com apoio da psicoterapia, da atividade física, da escrita ou de outras estratégias baseadas em evidências.

Em psiquiatria, não tratamos emoções como inimigas. Emoções são sinais.

Talvez a pergunta mais útil não seja: “Emoções guardadas viram doença?”

Mas sim: “O que acontece quando alguém passa anos sem conseguir compreender ou elaborar aquilo que sente?”

Medicamento de referência, genérico ou similar: afinal, qual é a diferença?Essa é uma dúvida extremamente comum e que, m...
01/07/2026

Medicamento de referência, genérico ou similar: afinal, qual é a diferença?

Essa é uma dúvida extremamente comum e que, muitas vezes, também gera insegurança entre profissionais da saúde.

De forma resumida, o medicamento de referência é o produto inovador que teve sua eficácia, segurança e qualidade demonstradas nos estudos que permitiram seu registro.
Já o medicamento genérico contém o mesmo princípio ativo, na mesma concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação terapêutica, devendo demonstrar equivalência farmacêutica e bioequivalência em relação ao medicamento de referência.
O medicamento similar, por sua vez, possui o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração, posologia e indicação, mas é comercializado com uma marca própria e, desde as mudanças regulatórias implementadas pela ANVISA, também precisa comprovar equivalência farmacêutica e bioequivalência para ser intercambiável com o medicamento de referência.

Na imensa maioria das situações, isso significa que referência, genérico e similar intercambiável apresentam eficácia e segurança comparáveis. Entretanto, como toda regra em medicina, existem contextos específicos em que uma eventual troca pode merecer maior cautela e acompanhamento clínico, especialmente em pacientes que utilizam medicamentos de índice terapêutico estreito ou que estejam clinicamente muito sensíveis a pequenas variações.

Mais do que defender um ou outro, o mais importante é compreender o que realmente diz a ciência e evitar tanto o preconceito contra os genéricos quanto a falsa ideia de que todos os medicamentos são absolutamente idênticos em todos os aspectos.

E você: já teve alguma experiência (como paciente ou profissional da saúde) após a troca entre um medicamento de referência, genérico ou similar? Essa percepção coincidiu com o que esperaríamos à luz das evidências científicas? Vamos discutir nos comentários.

Alguns pais esperam que, com o tempo, a criança “se solte” sozinha.Mas, para muitas crianças, isso não acontece. Enquant...
29/06/2026

Alguns pais esperam que, com o tempo, a criança “se solte” sozinha.

Mas, para muitas crianças, isso não acontece. Enquanto os adultos esperam, elas continuam enfrentando dificuldades para se aproximar dos colegas, participar das brincadeiras e criar vínculos.

O impacto vai além da timidez. O isolamento pode comprometer a autoestima, o desenvolvimento das habilidades sociais e trazer repercussões que aparecem mais tarde.

Quanto mais cedo essas dificuldades são reconhecidas, maiores as chances de oferecer o suporte adequado e mudar essa trajetória.

Se esse conteúdo fez sentido para você, salve para consultar depois e compartilhe com pais e professores que convivem com uma criança nessa situação.

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Porto Alegre, RS

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