11/05/2025
Eu teria milhões de coisas para falar sobre maternidade e s**o. Mas hoje eu vou me focar no desejo no início.
O período de resguardo pós parto, para o útero cicatrizar e ser fisiologicamente seguro tran.sar são 40 dias. O puerpério, período de adaptação psicológica a se ter um filho, pode durar em média 2 anos.
Ter um filho é virar a sua vida de cabeça pra baixo de formas que você nem consegue imaginar. É absurdamente comum a mulher se sentir perdida de si tamanha a entrega exigida por esse papel. Eu lembro que dizia para uma amiga “quero a Madalena organizada que dava conta de tudo de volta” e ela me respondia “ela morreu, tu vai ter que descobrir quem nasceu”.
Alem disso, estresse e s**o não combinam. Fisiologicamente é mais importante reproduzir ou se proteger? E períodos de mudança são estressantes, mesmo que seja algo bom. Demanda energia física e psíquica que o seu corpo não está acostumada. E sem o tempo de descanso para regular o corpo e a mente. No meio de tanta coisa, será que vai ser prioridade?
Sem falar da prolactina, hormônio da amamentação, que inibe o desejo. Da dinâmica do casal que em situações de estresse f**a mais vulnerável ainda. Quem tinha algum problema antes de ter filho, nessa situação é bem provável que amplifique. A menos que achem recursos de se unir.
São vários os fatores que lutam contra o desejo nesse primeiro momento. Maaas existem excessões e formas de retomar a intimidade. Vai depender das crenças sobre sexualidade, de como a pessoa se enxerga, como enxerga o parceiro, da gestão do tempo e energia. Eu, por exemplo, apesar de ter VÁRIOS fatores lutando contra, permaneci acesa pq tinha a crenças como “eu sou f**a, gerei uma vida”, “sexualidade é sobre o meu prazer”, “sexualidade é expressão de afeto”, “eu mereço ter um momento de me sentir melhor, uma pausa no meio do caos”, “gozar dá energia”. E claro que ajuda ter acabado um relacionamento que já não fazia sentido 🤭 A minha sexualidade já não era mais sobre o outro, mas sobre mim e como eu me expresso e me relaciono. E é isso que eu busco desenvolver com as minhas pacientes.
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