Psicóloga Suleima Biacchi Penz

Psicóloga Suleima Biacchi Penz Abordagem Cognitivo-comportamental e EMDR. Psicoterapia individual e para casais. Av. Carlos Gomes CRP 07/14771

Tratamento dos transtornos mentais com abordagens baseadas em protocolos específicos para atender as necessidades diagnósticas.

VOCÊ É LIVRE PARA ESCOLHER.O QUE NÃO EXISTE É A LIBERDADE DE ESCOLHER AS CONSEQUÊNCIAS.Podemos escolher permanecer ou pa...
23/07/2026

VOCÊ É LIVRE PARA ESCOLHER.
O QUE NÃO EXISTE É A LIBERDADE DE ESCOLHER AS CONSEQUÊNCIAS.

Podemos escolher permanecer ou partir.

Falar ou silenciar.

Enfrentar ou adiar.

Cuidar ou negligenciar.

Podemos insistir em uma relação, abandonar um projeto, ignorar um problema, assumir um risco ou continuar exatamente onde estamos.

Essa é a nossa liberdade.

Mas há uma parte da vida sobre a qual nossa vontade tem muito menos poder: não podemos decidir quais serão as consequências das nossas escolhas.

E talvez uma das formas mais sofisticadas de imaturidade psicológica seja querer exercer plenamente a liberdade de escolher — enquanto esperamos ser poupados daquilo que a escolha produz.

Queremos adiar sem perder oportunidades.

Negligenciar sem sofrer perdas.

Romper sem provocar dor.

Permanecer no que nos faz mal sem adoecer.

Repetir comportamentos e obter resultados diferentes.

Queremos, algumas vezes, uma espécie de negociação impossível com a realidade: manter a escolha, mas recusar seu preço.

Só que não decidir também é uma decisão.

Adiar também produz consequências.

Permanecer também é uma escolha.

E aquilo que toleramos repetidamente pode, aos poucos, transformar-se na vida que construímos.

Responsabilidade psicológica não significa culpar-se por tudo o que acontece. Há acontecimentos que não escolhemos, perdas que não provocamos e circunstâncias sobre as quais temos pouco ou nenhum controle.

Responsabilidade é outra coisa.

É conseguir distinguir o que aconteceu conosco daquilo que estamos fazendo, a partir de agora, com o que aconteceu.

Na psicoterapia, amadurecer não significa aprender a fazer sempre as escolhas certas.

Significa ampliar a consciência para escolher sabendo que toda decisão implica alguma renúncia, algum risco e alguma consequência.

Porque liberdade sem consciência pode se transformar em impulsividade.

Consciência sem decisão pode se transformar em paralisia.

E escolha sem responsabilidade frequentemente termina em repetição.

Você não controla todas as cartas que a vida coloca em suas mãos.

Mas chega um momento em que precisa reconhecer como está escolhendo jogá-las.

LUCIDEZ TEM UM CUSTO PSICOLÓGICONem sempre nos enganamos porque não conseguimos enxergar a realidade.Às vezes, nós a enx...
21/07/2026

LUCIDEZ TEM UM CUSTO PSICOLÓGICO

Nem sempre nos enganamos porque não conseguimos enxergar a realidade.
Às vezes, nós a enxergamos muito bem, problema é o que teríamos de fazer se admitíssemos, sem atenuantes, aquilo que já sabemos.

Reconhecer que uma relação não vai mudar.
Que um projeto fracassou.
Que alguém não é quem imaginávamos.
Que insistir deixou de ser perseverança.
Que uma escolha importante foi equivocada.
Que anos de investimento não garantem que continuar investindo seja a melhor decisão.

A mente humana não busca apenas a verdade. Ela também busca preservar coerência, identidade, vínculos, esperança e uma certa continuidade da própria história.

É aí que o autoengano pode se tornar sofisticado.

Não necessariamente inventamos uma realidade completamente falsa. Fazemos algo muito mais sutil: selecionamos os fatos que conseguimos tolerar, reinterpretamos os que nos ameaçam e adiamos conclusões que exigiriam uma mudança para a qual talvez ainda não estejamos preparados.

Chamamos medo de prudência.

Apego de esperança.

Repetição de tentativa.

Evitação de “esperar o momento certo”.

E, algumas vezes, chamamos de dúvida aquilo que, no fundo, já sabemos.

Isso ajuda a compreender por que pessoas inteligentes, lúcidas e capazes podem permanecer durante anos em situações que, vistas de fora, parecem óbvias.

Inteligência não nos imuniza contra o autoengano.

Às vezes, ela apenas nos torna mais competentes para construir argumentos convincentes em defesa daquilo que precisamos continuar acreditando.

Porque enxergar é apenas uma parte da lucidez.

A outra — muito mais difícil — é suportar as consequências do que foi visto.

Há verdades que não mudam nossa vida quando as descobrimos.
Mudam quando já não conseguimos mais negociar com elas.

Você não supera um trauma quando para de lembrar. Você supera quando para de viver como se ele ainda estivesse acontecen...
15/07/2026

Você não supera um trauma quando para de lembrar. Você supera quando para de viver como se ele ainda estivesse acontecendo.
Essa é uma das maiores confusões que encontro na clínica.
Muitas pessoas acreditam que o sofrimento persiste porque ainda se lembram do que viveram.

Não.

O sofrimento persiste quando o corpo continua reagindo ao passado como se ele ainda fosse uma ameaça presente.
É por isso que, mesmo anos depois, algumas pessoas continuam em estado de alerta.

Assustam-se com facilidade.

Desconfiam de quem as ama.

Dormem mal.

Sentem culpa sem saber exatamente por quê.

E, muitas vezes, acreditam que “esse é o meu jeito”.

Mas não é.

Frequentemente, esse é apenas o modo que a mente encontrou para sobreviver.
O trauma não muda apenas a memória de um acontecimento.
Ele altera a forma como o cérebro interpreta segurança, confiança e previsibilidade.
Por isso, tratar um trauma não significa apagar lembranças.
Significa ensinar o cérebro e o corpo que o perigo terminou.
Quando isso acontece, a pessoa não esquece sua história.
Ela finalmente deixa de ser governada por ela.

A liberdade psicológica começa quando o passado deixa de decidir como você vive o presente.

Psicologia baseada em evidências é, antes de tudo, a possibilidade de devolver à pessoa a liberdade de voltar a viver.

Carol Dweck, psicóloga da Universidade de Stanford, mostrou que uma simples mudança na forma de elogiar pode transformar...
14/07/2026

Carol Dweck, psicóloga da Universidade de Stanford, mostrou que uma simples mudança na forma de elogiar pode transformar a maneira como uma pessoa enfrenta desafios.

Quando dizemos:

“Você é muito inteligente.”

A pessoa tende a proteger essa identidade. Erra menos, arrisca menos e evita situações em que possa fracassar.

Mas quando dizemos:

“Você se dedicou.”
“Sua estratégia foi boa.”
“Você persistiu.”

Ensinamos que o crescimento depende do processo, não de uma característica fixa.

Na clínica, vejo isso com frequência.

Muitos pacientes não sofrem apenas porque fracassaram. Sofrem porque concluíram que o fracasso define quem eles são.

E essa é uma diferença fundamental.

O erro não determina o seu valor.

Ele apenas revela onde ainda existe espaço para crescer.

Não elogie apenas resultados. Valorize o esforço, a persistência e a capacidade de aprender. São essas características que constroem uma vida de evolução.

Quando o trauma não é tratado, ele não desaparece. Muitas vezes, ele muda de forma.Existe uma ideia bastante difundida d...
13/07/2026

Quando o trauma não é tratado, ele não desaparece. Muitas vezes, ele muda de forma.Existe uma ideia bastante difundida de que “o tempo cura tudo”. Na realidade, o tempo pode amenizar a intensidade da dor, mas nem sempre reorganiza a forma como o cérebro e o organismo responderam a uma experiência traumática.É por isso que, anos depois de um acontecimento marcante, algumas pessoas procuram terapia por ansiedade, depressão, crises de pânico, dificuldades nos relacionamentos, alterações do sono ou compulsões, sem imaginar que esses sintomas podem estar relacionados a um trauma vivido no passado.O trauma psicológico não tratado pode contribuir para o desenvolvimento ou para a manutenção de diferentes quadros clínicos, entre eles:Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT);
• Transtornos de ansiedade;
• Depressão;
• Transtorno do pânico;
• Fobias;
• Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), em alguns casos;
• Transtornos dissociativos;
• Transtornos relacionados ao uso de álcool e outras substâncias;
• Transtornos alimentares, especialmente quando há histórico de abuso ou violência;
• Dificuldades persistentes na regulação emocional;
• Baixa autoestima, culpa intensa e vergonha crônica;
• Dificuldades em estabelecer vínculos seguros e relações de confiança.É importante compreender que nem toda pessoa exposta a um trauma desenvolverá essas condições. O sofrimento psicológico resulta da interação entre diversos fatores, como características individuais, história de vida, apoio recebido, fatores biológicos e a forma como a experiência foi elaborada.Mas há algo que a ciência demonstra de forma consistente: o trauma não elaborado pode continuar influenciando pensamentos, emoções, comportamentos e relacionamentos muito tempo depois de o perigo ter passado.A boa notícia é que o cérebro mantém uma extraordinária capacidade de mudança ao longo da vida. Com uma psicoterapia baseada em evidências, é possível reduzir o impacto das memórias traumáticas, recuperar a sensação de segurança e interromper ciclos de sofrimento que, muitas vezes, persistem há anos.

Nem toda ferida é visível, mas  algumas mudam completamente a forma como uma pessoa vive.Quando ouvimos a palavra trauma...
11/07/2026

Nem toda ferida é visível, mas algumas mudam completamente a forma como uma pessoa vive.
Quando ouvimos a palavra trauma, é comum imaginarmos apenas acontecimentos extremos. Mas, na clínica, vejo algo diferente; o trauma não é definido apenas pelo que aconteceu, ele é definido pelo impacto que aquela experiência continua exercendo sobre a vida da pessoa.
Algumas pessoas passam a viver em constante estado de alerta. Outras perdem a confiança nas pessoas. Há quem desenvolva ansiedade intensa, culpa, vergonha, dificuldades para dormir, para trabalhar, para se relacionar ou simplesmente para sentir que está em segurança.
O mais importante é compreender que essas reações não representam fraqueza. Muitas vezes, são respostas esperadas de um cérebro que precisou se adaptar para sobreviver a uma experiência extremamente dolorosa.
O importante é saber que o trauma pode ser tratado.
Com técnicas baseadas em evidências e um trabalho cuidadoso, é possível reduzir o sofrimento, reorganizar as memórias traumáticas e recuperar a liberdade de viver sem que o passado continue determinando o presente.
Nos próximos meses, quero dedicar este espaço a falar sobre trauma psicológico de forma clara, ética e fundamentada na ciência.
Porque compreender o trauma é, muitas vezes, o primeiro passo para deixar que ele dirija a sua vida e defina quem você é.

29/06/2026
Há pessoas que atravessam a vida sustentadas por uma estranha obrigação de serem fortes.Não porque escolheram essa posiç...
22/06/2026

Há pessoas que atravessam a vida sustentadas por uma estranha obrigação de serem fortes.
Não porque escolheram essa posição, mas porque, em algum momento, compreenderam que demonstrar fragilidade tinha um custo elevado.
Aprenderam a funcionar apesar da dor.
A produzir apesar do esgotamento.
A cuidar dos outros enquanto negligenciavam a si mesmas.
Com o tempo, essa adaptação costuma ser confundida com virtude.
Mas existe uma diferença importante entre força e endurecimento.
A força preserva a capacidade de sentir.
O endurecimento exige que partes de si sejam sacrificadas para garantir a sobrevivência.
Muitos dos sofrimentos que chegam à clínica não decorrem apenas do que aconteceu. Decorrem também dos recursos psíquicos que precisaram ser mobilizados para suportar o que aconteceu.
Nem toda a cicatriz é consequência do trauma, algumas são consequência do esforço contínuo para fingir que ele não deixou marcas.
A saúde mental não consiste em tornar-se imune ao sofrimento.
Consiste em desenvolver condições para não precisar carregar sozinho aquilo que, por natureza, nunca deveria ter sido suportado em solidão.

Nem toda mudança começa com uma resposta.Muitas começam quando alguém descobre que não precisa mais provar nada.Há pesso...
10/06/2026

Nem toda mudança começa com uma resposta.
Muitas começam quando alguém descobre que não precisa mais provar nada.
Há pessoas que chegam à terapia acreditando que precisam explicar por que sofrem.
Explicar por que não conseguem esquecer.
Explicar por que reagem daquela forma.
Explicar por que permanecem em relacionamentos que as machucam.
Explicar por que sentem medo, culpa, vergonha ou vazio.
Passaram uma vida inteira tentando ser compreendidas.
Defendendo suas escolhas.
Justificando suas dores.
Tentando convencer os outros — e a si mesmas — de que aquilo que sentem faz sentido.
Mas o sofrimento raramente nasce da falta de explicação.
Na maioria das vezes, ele nasce da falta de acolhimento.
Porque ninguém supera uma ferida apenas entendendo intelectualmente o que aconteceu.
O ser humano se transforma quando aquilo que ficou congelado dentro dele finalmente encontra espaço para existir.
Quando uma emoção que precisou ser escondida pode ser sentida.
Quando uma dor que precisou ser silenciada pode ser reconhecida.
Quando uma parte da própria história que foi rejeitada pode ser integrada.
Por isso, psicoterapia não é apenas um lugar para falar.
É um lugar para deixar de lutar.
Lutar para ser aceito.
Lutar para ser entendido.
Lutar para parecer forte.
Lutar para merecer amor.
E, muitas vezes, é justamente nesse momento — quando a batalha termina — que a mudança começa.
Não porque alguém encontrou todas as respostas.
Mas porque, pela primeira vez, encontrou um lugar onde não precisava mais se defender para existir.
A transformação profunda não acontece quando você aprende algo novo sobre si mesmo.
Ela acontece quando você finalmente consegue ser quem é sem precisar pedir licença.

Por que tantas pessoas procuram terapia justamente na vida adulta?Muitas vezes, não é porque o problema começou agora.É ...
01/06/2026

Por que tantas pessoas procuram terapia justamente na vida adulta?

Muitas vezes, não é porque o problema começou agora.
É porque chegou o momento em que já não é mais possível continuar carregando tudo sozinho.
Ao longo do desenvolvimento, o ser humano cria formas de adaptação para sobreviver às experiências difíceis que vive. Traumas, perdas, rejeições, negligências emocionais, relações familiares conflituosas ou situações que exigiram maturidade precoce podem permanecer relativamente silenciosos por anos.
A pessoa estuda, trabalha, constrói relacionamentos, forma uma família e segue em frente. Mas seguir em frente não significa elaborar.
Em algum momento da vida adulta, especialmente diante de maiores responsabilidades, relacionamentos mais profundos, mudanças importantes ou situações de estresse prolongado, aquilo que permaneceu sem elaboração pode emergir com intensidade.
Ansiedade, depressão, crises emocionais, esgotamento, dificuldades nos relacionamentos, sensação de vazio, irritabilidade constante ou até sintomas físicos passam a ocupar um espaço cada vez maior.
Não se trata de fraqueza.
Muitas vezes, é o resultado de anos sustentando um sofrimento que nunca encontrou espaço adequado para ser compreendido e processado.
O que antes era suportável deixa de ser.
As estratégias utilizadas durante décadas já não funcionam da mesma forma. O psiquismo começa a sinalizar que chegou o momento de olhar para aquilo que foi evitado, minimizado ou simplesmente sobrevivido.
Paradoxalmente, essa fase de sofrimento costuma representar também uma oportunidade de transformação.

Quando as dores antigas finalmente encontram espaço para serem compreendidas e elaboradas, a pessoa deixa de apenas sobreviver à própria história e passa a construir uma relação mais saudável consigo mesma.
Nem todo sofrimento que aparece na vida adulta nasceu na vida adulta.
Muitas vezes, ele apenas encontrou o momento em que já não pode mais ser ignorado.

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