18/08/2026
Na maioria dos jogos pós-apocalípticos, a lógica é sobreviver custe o que custar, muitas vezes passando por cima dos outros. Death Stranding, do diretor Hideo Kojima, propõe o contrário. E isso conversa diretamente com o que a psicologia vem estudando sobre bem-estar.
No jogo, você atravessa paisagens hostis para levar mantimentos e remédios a quem precisa. A mecânica multijogador não é sobre eliminar os outros, como em tantos títulos, é sobre ajudá-los. Você encontra uma ponte que outro jogador construiu e, em troca, deixa uma escada para um estranho que virá depois. Ninguém chega ao objetivo sozinho.
Aqui entra um conceito central da psicologia: o comportamento pró-social. Diversos estudos apontam que ajudar os outros está associado a mais bem-estar, menos sintomas depressivos e maior sensação de propósito. E há a outra ponta: a solidão, que a ciência hoje trata como fator de risco real para a saúde física e mental, com impacto comparável ao de hábitos nocivos conhecidos.
Kojima criou o jogo pensando justamente nisso. “Muitas pessoas que jogam sentem que não pertencem a esta sociedade”, diz ele, apontando as redes sociais como um dos motores dessa desconexão.
Conectar-se por um game certamente não substitui os vínculos reais da vida, mas a empatia funciona um pouco como um músculo: quanto mais exercitada, mais forte f**a. E praticá-la, mesmo num espaço simbólico, pode transferir-se para fora da tela.