28/03/2021
Alguém aí já se pegou mudando o tom de voz, utilizando um tom mais agudo e até mesmo mudando sua postura corporal diante de um bebê? Ocorre que esta forma diferente de nos comunicarmos com os bebês ocupa uma importante função para o seu desenvolvimento. Esse modo diferente de comunicação, em especial, a forma como a mãe, ou quem ocupa a função materna, convoca o bebê a responder é também chamada de manhês. Ao escutar as palavras banhadas de afeto e investimento emocional a ele dirigidos, o bebê, que ainda está imerso no mundo da sensorialidade, é capturado pela musicalidade da voz do adulto e não pelo sentido das palavras em si. Os adultos se encantam ao ver o quanto os bebês reagem às suas conversas: seja com um sorriso, braços e pernas que se agitam, pequenas mãozinhas que tentam vir em nossa direção e, um pouco mais tarde, balbucios que vem em resposta às nossas provocações. Para que este diálogo se arme, é necessário que o adulto nutra o bebê com o alimento simbólico das palavras e, também, ofereça-lhe um intervalo de tempo para uma resposta. Respostas para as quais o adulto vai emprestando sentidos e representações, muitas vezes, falando em nome do bebê. Diversas vezes, escutamos a mãe que fala em nome do bebê que balbucia, por exemplo: durante o banho, diante do bebê que se agita pelas inúmeras sensações produzidas pelo contato com a água, ela diz: “mas que bagunça na água, está gostoso esse banho?” e diante do efeito produzido por suas palavras no bebê, que os expressa através de gestos e sons, a mãe prossegue: “mamãe, é que eu gosto de uma bagunça na hora do banho”. Assim, na voz do agente materno que convoca e nos gestos e sons do bebê que responde, vão se costurando os laços para a inscrição da linguagem no bebê.
E você, já conversou com seu bebê hoje? Conta para gente!