Núcleo de Psicologia Porto Alegrense

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Hoje, no Dia do Psicólogo, celebramos quem escolheu fazer da escuta um trabalho — e daquilo que não sabemos, uma possibi...
27/08/2026

Hoje, no Dia do Psicólogo, celebramos quem escolheu fazer da escuta um trabalho — e daquilo que não sabemos, uma possibilidade.

Pois o trabalho não está em saber o que o outro pensa.
Está em escutar o que, muitas vezes, ainda não se sabe.

Há o silêncio, o tropeço, a repetição, aquilo que retorna. Há também o que escapa ao que se pretendia dizer.

É nessa escuta, que não procura respostas prontas, que algo pode começar a se transformar.

Feliz Dia do Psicólogo! 🤍

Há algo de inquietante no intervalo quando estamos acostumados a preenchê-lo imediatamente. Um minuto de espera já pede ...
26/08/2026

Há algo de inquietante no intervalo quando estamos acostumados a preenchê-lo imediatamente. Um minuto de espera já pede uma tela; o tédio, alguma novidade; o silêncio, algum ruído.

Na lógica da oferta incessante, o vazio aparece quase como uma falha a ser corrigida.

A Psicanálise, porém, nos permite pensar a falta de outro modo. Ela não é simplesmente aquilo que nos falta e que deveria ser encontrado, adquirido ou preenchido. É justamente o que impede que um objeto possa nos completar definitivamente, e é também o que põe o desejo em movimento.

Talvez descansar não seja apenas diminuir a quantidade de estímulos, mas poder sustentar, por alguns instantes, aquilo que não vem imediatamente ocupar o lugar vazio.

Nem toda falta precisa de resposta.

Às vezes, ela pede apenas tempo.

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Há um sofrimento particular em descobrir que ninguém pode nos dizer como viver.Podem nos ensinar o que é desejável, saud...
19/08/2026

Há um sofrimento particular em descobrir que ninguém pode nos dizer como viver.

Podem nos ensinar o que é desejável, saudável, bem-sucedido. Podemos aprender a desejar aquilo que o Outro deseja para nós. Podemos passar uma vida inteira perseguindo uma felicidade que, quando finalmente alcançada, ainda assim não nos pertence.

Freud nos lembra que não há uma fórmula universal para a felicidade porque não há um sujeito universal.

Cada um é atravessado por uma história, por marcas, por perdas e por um desejo que não se deixa inteiramente capturar pela consciência.

Talvez seja preciso, então, abandonar a pergunta sobre como devemos ser felizes para escutar o que, em nós, insiste em desejar.

Porque tornar-se feliz não é encontrar uma fórmula.

É experimentar, na própria existência, o que pode fazer uma vida ser desejável para quem a vive.

E talvez seja isso que ninguém possa responder por nós.

Talvez tornar-se feliz tenha menos a ver com alcançar uma felicidade ideal e mais com descobrir, no próprio desejo, aquilo que pode fazer uma vida valer a pena ser vivida.

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Talvez essa seja uma das frases de Lacan que mais desloque o lugar de quem escuta.Afinal, se o analista já soubesse o qu...
18/08/2026

Talvez essa seja uma das frases de Lacan que mais desloque o lugar de quem escuta.

Afinal, se o analista já soubesse o que o paciente tem, por que seria necessário escutá-lo?

Quem chega a uma análise pode trazer um diagnóstico, uma queixa, uma história, uma explicação sobre si mesmo. Pode até chegar acreditando que já sabe exatamente o que precisa mudar. Mas nada disso encerra a questão.

Há algo que ainda não se sabe.

E é justamente aí que a fala pode começar a trabalhar.

O consultório não deveria ser um lugar onde alguém recebe uma interpretação pronta sobre a própria vida. É um espaço onde aquilo que ainda não encontrou palavras pode ganhar lugar , inclusive aquilo que contradiz o que o sujeito pensava saber sobre si.

Para quem procura análise, isso significa não precisar chegar com uma versão organizada de si mesmo. Não há uma resposta correta para oferecer ao analista, nem uma história que precise fazer sentido antes de ser contada.

Para quem ocupa o lugar de analista, há uma exigência ainda mais difícil: abrir mão da posição de quem sabe sobre o outro.

Conhecer teorias, diagnósticos e conceitos não nos torna donos da verdade daquele sujeito. O saber da Psicanálise não substitui a escuta.

Talvez seja isso que Lacan esteja lembrando: a clínica não acontece quando o analista demonstra o quanto sabe, mas quando consegue sustentar espaço para que algo novo possa ser dito.

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14/08/2026

Junto com a valorização da saúde, hoje tão difundida nas redes sociais, surge também um mercado incessante, disposto a n...
12/08/2026

Junto com a valorização da saúde, hoje tão difundida nas redes sociais, surge também um mercado incessante, disposto a nos dizer o que precisamos ter, fazer e consumir para estarmos adequados.

De repente, aparece a propaganda de um tênis específico. Depois, o equipamento certo, o suplemento, a tecnologia para acompanhar o desempenho, a roupa adequada. Não se vende apenas um produto. Vende-se também a promessa de que, com ele, estaremos mais próximos de fazer o que deveríamos, alcançar o resultado esperado e, quem sabe, nos tornarmos aquilo que deveríamos ser.

É nesse ponto que a lógica do consumo encontra a nossa relação com a falta: aquilo que ainda não temos passa a aparecer justamente como aquilo que nos falta para alcançar uma versão melhor de nós mesmos.

A psicanálise nos lembra que a falta não é algo que possa ser definitivamente preenchido. Mas uma sociedade organizada pelo consumo pode transformar essa falta em uma oportunidade permanente de venda.

Talvez cuidar de si também implique poder distinguir entre aquilo que realmente desejamos e aquilo que aprendemos a desejar.

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05/08/2026

Qual seu preferido?
31/07/2026

Qual seu preferido?

Qual o lugar que a palavra ocupa entre nós? Para a psicanálise, a palavra não serve apenas para comunicar. Ela implica o...
29/07/2026

Qual o lugar que a palavra ocupa entre nós?

Para a psicanálise, a palavra não serve apenas para comunicar. Ela implica o sujeito, produz efeitos e o inscreve em uma posição diante do outro.

Talvez por isso o silêncio, muitas vezes, pareça mais fácil.

Mas quando a palavra é retirada de uma relação, não desaparecem apenas as explicações. Permanecem perguntas, fantasias e tentativas de dar sentido àquilo que ficou sem nome.

Mais do que discutir quem está certo ou errado, talvez valha perguntar: o que nossa dificuldade em sustentar a palavra diz sobre os laços que estamos construindo?

27/07/2026

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