19/08/2026
Há um sofrimento particular em descobrir que ninguém pode nos dizer como viver.
Podem nos ensinar o que é desejável, saudável, bem-sucedido. Podemos aprender a desejar aquilo que o Outro deseja para nós. Podemos passar uma vida inteira perseguindo uma felicidade que, quando finalmente alcançada, ainda assim não nos pertence.
Freud nos lembra que não há uma fórmula universal para a felicidade porque não há um sujeito universal.
Cada um é atravessado por uma história, por marcas, por perdas e por um desejo que não se deixa inteiramente capturar pela consciência.
Talvez seja preciso, então, abandonar a pergunta sobre como devemos ser felizes para escutar o que, em nós, insiste em desejar.
Porque tornar-se feliz não é encontrar uma fórmula.
É experimentar, na própria existência, o que pode fazer uma vida ser desejável para quem a vive.
E talvez seja isso que ninguém possa responder por nós.
Talvez tornar-se feliz tenha menos a ver com alcançar uma felicidade ideal e mais com descobrir, no próprio desejo, aquilo que pode fazer uma vida valer a pena ser vivida.
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