28/01/2026
Na angústia, há a sensação de que o espaço psíquico é estreito demais para o que se sente. Ela rompe as distrações do cotidiano e impõe uma presença intensa, difícil de evitar.
A angústia também é vivida no corpo: algo aperta o peito, sufoca, desespera. Não se trata apenas de um estado mental, mas de uma experiência que atravessa o sujeito fisicamente.
Ela surge quando o sujeito se aproxima de algo verdadeiro em si que está sendo ameaçado — algo que pode desorganizá-lo psiquicamente. Diferente do medo, cuja ameaça é externa e possui uma causa específica, na angústia a ameaça é interna.
Freud, em um primeiro momento, compreendia a angústia como ligada a conteúdos reprimidos. Mais tarde, reformula essa ideia e passa a entendê-la como uma reação do ego diante da ameaça de perder algo essencial: o amor do outro, a proteção, a identidade, o controle ou até o próprio sentido de existir.
Muitas vezes, a pessoa angustiada não está perdendo algo de fato, mas vive sob a sensação constante de que pode perder. Nesse estado, nenhuma saída lhe parece viável.
A angústia é, portanto, um sinal de que algo essencial em nós pede escuta, algo que precisa ser revisto ou elaborado. Quando compreendida, sua intensidade pode diminuir; quando ignorada, ela tende a se repetir.
Rosângela Martins
Psicóloga
F 51 98337.4242