10/03/2026
RS: Instituição gaúcha de telemedicina ultrapassa 10 mil atendimentos de AVC em seis estados brasileiros
Uma iniciativa criada no Rio Grande do Sul vem ganhando protagonismo nacional ao ampliar o acesso ao tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) por meio da telemedicina. Desde a implantação do modelo, mais de 10 mil pacientes já foram atendidos em 19 cidades de seis estados brasileiros, conectando 22 hospitais a neurologistas vasculares em regime de plantão 24 horas por dia.
O projeto é liderado pelo IMCELER, instituição gaúcha fundadora do TeleAVC®, que estruturou uma rede especializada para garantir atendimento rápido e qualificado a pacientes com suspeita de AVC, especialmente em regiões onde não há especialistas disponíveis de forma permanente.
“O maior desafio no tratamento do AVC não é a falta de tecnologia ou de medicamentos, mas o tempo. Cada minuto sem atendimento especializado representa perda irreversível de tecido cerebral”, destaca o neurologista Diógenes Zãn, fundador do TeleAVC.
O Acidente Vascular Cerebral segue como uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil. Apesar de existir tratamento eficaz há mais de 30 anos, menos de 2% dos pacientes recebem a terapia adequada dentro da chamada janela terapêutica, período decisivo para a recuperação.
Segundo Zãn, a ausência de neurologistas vasculares em tempo integral em muitos municípios compromete diretamente o desfecho dos casos. “Em grande parte do país, o paciente chega ao hospital e não encontra um especialista disponível. A telemedicina rompe essa barreira geográfica e garante que a decisão correta seja tomada no momento certo”, explica o neurologista.
Atendimento em tempo real
O funcionamento da rede é baseado em resposta imediata. Ao identificar um possível caso de AVC, a equipe local aciona o neurologista de plantão, que avalia o paciente em tempo real, analisa exames de imagem à distância e orienta a conduta médica.
“O objetivo é reduzir ao máximo o tempo entre a chegada do paciente e o início do tratamento. Quando conseguimos agir rápido, aumentamos significativamente as chances de recuperação e independência funcional”, destaca Diógenes Zãn.
Atualmente, o modelo conecta hospitais de 19 cidades brasileiras, distribuídas em seis estados, consolidando a principal rede de telemedicina para AVC em operação no país.
Impacto na saúde e nos custos
Além de salvar vidas, o projeto apresenta impacto positivo na sustentabilidade do sistema de saúde. Estudos internacionais indicam que a telemedicina em AVC reduz sequelas nas vítimas, tempo de internação e gastos com a reabilitação do paciente.
“Quando evitamos incapacidades permanentes, estamos preservando a qualidade de vida do paciente e reduzindo custos futuros com internações prolongadas e reabilitação. É um investimento que retorna para toda a sociedade”, ressalta o neurologista.
A iniciativa segue diretrizes internacionais que recomendam a organização de redes integradas, com centros de referência apoiando hospitais regionais. Na Europa, esse modelo já é considerado padrão para doenças tempo-dependentes, como o AVC.
Referência nacional
Ao integrar atendimento 24 horas, organização da linha de cuidado e capacitação contínua das equipes locais, o IMCELER vem replicando no Brasil um modelo consolidado em sistemas de saúde mais maduros.
“Estamos mostrando que é possível oferecer atendimento de excelência independentemente da localização do paciente. A tecnologia, quando aliada a processos bem definidos e equipes capacitadas, se transforma em um instrumento real de equidade em saúde”, conclui Diógenes Zãn.
Em um país de dimensões continentais, onde a distância ainda define o acesso ao cuidado, a experiência gaúcha reforça que redes especializadas podem representar a diferença entre a recuperação plena e a incapacidade permanente.
Foto: Reunião das equipes do TeleAVC para garantir eficiência 24h por dia/ Divulgação