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Mesmo após sua morte, há 19 anos, Jean Baudrillard se destaca como um dos pensadores  provocativos para compreender os f...
25/05/2026

Mesmo após sua morte, há 19 anos, Jean Baudrillard se destaca como um dos pensadores provocativos para compreender os fenômenos da contemporaneidade. Em uma época marcada pela hiperexposição,, pela virtualização das relações humanas e pelo decréscimo das fronteiras entre realidade e representação, suas reflexões parecem cada vez mais atuais.

Baudrillard refletiu e salientou questões que hoje atravessam nosso cotidiano: a influência das redes sociais na construção das identidades, a substituição da experiência pelo espetáculo, o consumo de signos em lugar do consumo de necessidades e o crescente aumento da sensação de vazio em meio a enxurrada de estímulos. Sua crítica não era apenas tecnológica, mas profundamente humana. Fez um convite para pensar o que acontece com o sujeito quando tudo pode ser manipulado e transformado em imagem, performance ou simulação.

Ao refletir sobre o simulacro, hiper-realidade e do “fim do real”, Baudrillard nos permite compreender um mundo em que muitas vezes já não sabemos distinguir o vivido do encenado, o autêntico do produzido. Sua obra segue viva justamente porque continua iluminando as angústias e contradições da nossa época.
Rosângela Martins
CRP 07/05917
www.rosangelapsicologa.com
F 51 98337.4242

Mesmo após sua morte, há 19 anos, Jean Baudrillard se destaca como um dos pensadores  provocativos para compreender os f...
25/05/2026

Mesmo após sua morte, há 19 anos, Jean Baudrillard se destaca como um dos pensadores provocativos para compreender os fenômenos da contemporaneidade. Em uma época marcada pela hiperexposição,, pela virtualização das relações humanas e pelo decréscimo das fronteiras entre realidade e representação, suas reflexões parecem cada vez mais atuais.

Baudrillard refletiu e salientou questões que hoje atravessam nosso cotidiano: a influência das redes sociais na construção das identidades, a substituição da experiência pelo espetáculo, o consumo de signos em lugar do consumo de necessidades e o crescente aumento da sensação de vazio em meio a enxurrada de estímulos. Sua crítica não era apenas tecnológica, mas profundamente humana. Fez um convite para pensar o que acontece com o sujeito quando tudo pode ser manipulado e transformado em imagem, performance ou simulação.

Ao refletir sobre o simulacro, hiper-realidade e do “fim do real”, Baudrillard nos permite compreender um mundo em que muitas vezes já não sabemos distinguir o vivido do encenado, o autêntico do produzido. Sua obra segue viva justamente porque continua iluminando as angústias e contradições da nossa época.
Rosângela Martins
Psicóloga
CRP 07/05917
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O livro “ O Casal Violento” parte da compreensão psicanalítica de que a violência no vínculo amoroso não pode ser explic...
21/05/2026

O livro “ O Casal Violento” parte da compreensão psicanalítica de que a violência no vínculo amoroso não pode ser explicada apenas por fatores morais, sociais ou comportamentais, mas precisa ser compreendida também a partir das dinâmicas inconscientes que estruturam o casal. Algumas relações amorosas se organizam em torno de dependências narcísicas profundas, onde o parceiro deixa de ser reconhecido como sujeito separado e passa a ocupar a função de garantir estabilidade psíquica ao outro.

Neste caso, a violência está ligada à impossibilidade de elaborar a falta, a separação e a diferença. O companheiro é vivido como objeto indispensável para manter a identidade narcísica do sujeito; por isso, qualquer movimento de autonomia, frustração ou distanciamento pode ser experimentado como perigo de desintegração psíquica. A agressividade aparece então como tentativa inconsciente de controlar o outro, impedir sua alteridade ou restaurar uma fantasia de fusão e domínio.
A leitura de Domingo Caratozzolo aprofunda a ideia psicanalítica de que o casal frequentemente funciona como espaço de repetição de conflitos infantis não elaborados.

As relações violentas revelam relações marcadas por ambivalência extrema: amor e ódio coexistem de maneira intensa, gerando relações de dependência, submissão e destruição mútua. Assim, a violência não é apresentada apenas como ato impulsivo, mas como a manifestação de falhas na constituição subjetiva, principalmente na capacidade de reconhecer o outro como separado e suportar os limites colocados pela realidade psíquica e afetiva.
Rosângela Martins
Psicóloga
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Partir é  complexo!   Nos desligamos de pessoas , lugares, objetos, animais, ciclos que se encerram, versões de nós mesm...
14/05/2026

Partir é complexo!
Nos desligamos de pessoas , lugares, objetos, animais, ciclos que se encerram, versões de nós mesmos que já não existem. Há um trabalho silencioso e profundamente psíquico que acompanha cada fim.
Ao longo da vida, nos constituímos através das nossas ligações com o meio. Somos feitos das relações que estabelecemos, dos lugares que habitamos, dos afetos que investimos, dos sonhos que sustentamos. Tudo aquilo a que nos ligamos deixa marcas em nossa organização psíquica. Por isso, desligar-se é atravessar um processo interno de reorganização.
Muitas vezes insistimos em permanecer por mais tempo em condições que já cumpriram seu tempo, porque o conhecido oferece a ilusão de estabilidade. Há relações, projetos e modos de existir que foram profundamente necessários em determinado momento da vida, mas que, ao perderem sua vitalidade, passam a fazer um movimento de retrocesso e ou estagnação e não mais de avanço..
Quando nos ligamos a algo, investimos libido, energia psíquica, presença. Quando a separação ocorre de uma pessoa, uma relação, um lugar, uma fase da vida ou uma identidade, parte dessa energia precisa ser retirada e necessita de uma reinscrição em novos destinos. Esse processo raramente acontece sem dor.
A vida psíquica saudável é feita de movimentos. Existe um adoecimento tanto na incapacidade de criar vínculos quanto na impossibilidade de desfazê-los. Permanecer excessivamente preso ao que já terminou impede o fluxo da vida.
Partir, nesse sentido, não é negar a importância daquilo que foi. Ao contrário: só é difícil partir daquilo que um dia teve valor. O desligamento saudável não apaga o vivido; ele o integra.
Existe maturidade psíquica em reconhecer o tempo de validade das coisas. Nem tudo que foi bom precisa durar para sempre para ter sido verdadeiro.
A arte da partida talvez seja, então, a arte de sustentar pequenos fins sem perder a capacidade de viver. Aceitar que certas mortes simbólicas são necessárias para que novas formas de vida possam emergir.
Há partidas necessárias que encerram ciclos e mantêm a vitalidade da existência.
Rosângela Martins Psicóloga

Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski, é uma obra de delicadeza rara. É um livro de poucas páginas, breve no tamanho, ma...
06/05/2026

Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski, é uma obra de delicadeza rara. É um livro de poucas páginas, breve no tamanho, mas imenso na sensibilidade. Em poucas páginas, Dostoiévski constrói um retrato profundamente humano do desejo, da solidão e da esperança, com grande ternura.
Aos amantes da sensibilidade, indico este livro.

Mas esta obra também nos faz pensar sobre o papel da FANTASIA em nossas vidas. Desejo fazer uma reflexão a esse respeito.
A fantasia é uma das funções mais sofisticadas da vida psíquica. Ela nos permite ensaiar possibilidades, suportar ausências e dar forma àquilo que ainda não encontrou lugar na realidade.
A fantasia amplia o mundo interno, e este é um de seus aspectos benéficos. Ela cria espaço para o desejo, protege frente ao excesso do real e sustenta a capacidade de imaginar outros destinos possíveis. Sem ela, a experiência psíquica se torna limitada.
Mas a fantasia também pode conduzir ao afastamento. O objetivo saudável é que ela seja ponte, e não morada. Pois, ao residir no mundo fantasioso, a pessoa tende a se relacionar mais com a imaginação do que com a realidade.
A fantasia é mediadora entre o desejo inconsciente e a realidade. Muitas vezes, ela permite à pessoa satisfazer de forma simbólica aquilo que não é possível viver na realidade.
Para Freud, a fantasia organiza a realidade psíquica e tem papel central na formação dos sintomas, dos sonhos e da vida psíquica em geral; isto é, aquilo que, mesmo não tendo ocorrido “de fato”, produz efeitos subjetivos reais.
Na clínica, o olhar se volta para perceber se a fantasia está a serviço da vida ou se a está substituindo.
A fantasia fala muito da organização psíquica de um paciente e, por meio dela, conhecemos as águas que banham seu mundo interno.
A fantasia que nutre é aquela que dialoga com o real. A que aprisiona é aquela que substitui o encontro.
Rosângela Martins
Psicóloga
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Relendo o Livro:Técnica Psicoterapia na Adolescência, achei um conceito muito interessante sobre a Família Normal escrit...
27/04/2026

Relendo o Livro:Técnica Psicoterapia na Adolescência, achei um conceito muito interessante sobre a Família Normal escrito por Noé Marchevsky. Ele diz:

“...poderíamos dizer que a família também pode ser normal ou doente. E a família normal não é aquela isenta de problemas.Ela não é perfeita.A existência de problemas e conflitos é inerente à vida. A família normal seria aquela em que em que predominam sentimentos amorosos e o bom senso,capacitando-a a lidar com os problemas, dificuldades e angustias de forma não só pragmática, mas também amorosa.Seus componentes têm consideração com as necessidades do outro e, quando em momentos de crise, procuram caminhos e soluções criativas, conciliadoras e justas. Usam seriedade, mas não excesso de dramaticidade. Costumam ter maior clareza sobre os limites das coisas e sobre o certo e errado. É uma questão de maturidade emocional, que pouco tem a ver com nível cultural.”
Rosângela Martins
Psicóloga
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Não desejamos a Crise, porém ela nos convoca a mudança e a uma nova organização.Percebemos um momento de crise quando al...
23/04/2026

Não desejamos a Crise, porém ela nos convoca a mudança e a uma nova organização.

Percebemos um momento de crise quando algo nos inquieta, nos provoca dor e chama a nossa atenção para algum ponto que mesmo não estando bem definido pulsa sem parar.

A crise rompe defesas e revela conflitos inconscientes. Algo se desorganiza e não nos sentimos mais bem dentro do que está posto.

Nem sempre sabemos definir exatamente o que é, mas é possível reconhecer os sinais que são normalmente de reações desproporcionais como:pensamentos confusos, explosões recorrentes, buscar o isolamento, chorar facilmente entre outros.

A crise é o que fura a ilusão de controle e obriga o sujeito a confrontar-se consigo mesmo.

Frente a este estado a pessoa tende a buscar uma nova organização na intenção de restabelecer o equilíbrio emocional, agora sobre novas bases.

Saber o que desencadeou a crise e sua origem é importante para entender o que está em questão e assim facilitar esta nova reestruturação.
A psicoterapia ajuda neste processo, pois uma escuta atenta e profissional é importante para identificar os fatores envolvidos na crise e suas raízes mais profundas, dando forma ao que era confuso.
Rosângela Martins
Psicóloga
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15/04/2026

A arte...ela junto!

Diante do desejo que não se realiza, o sujeito encontra um limite — e todo limite convoca a experiência da falta. Esse e...
09/04/2026

Diante do desejo que não se realiza, o sujeito encontra um limite — e todo limite convoca a experiência da falta. Esse encontro pode causar frustração, tristeza, inveja, raiva e sensação de inadequação. A questão não é evitar esses afetos, mas pensar nos destinos que lhes damos.

Não há um momento da vida em que estejamos completamente protegidos da falta, da perda, da castração. O que varia é a forma como cada sujeito consegue simbolizar essa falta. O trabalho analítico não promete suprimir a falta.
Ele possibilita:

- reconhecer limites sem caos narcísico

- suportar a frustração sem necessitar da ação como descarga

- transformar angústia em palavra

Rosângela Martins
Psicóloga
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“Nada é uma palavra esperando tradução”Frase da música Piano Bar de Humberto Gessinger."Nada", afetando mas sem se anunc...
31/03/2026

“Nada é uma palavra esperando tradução”

Frase da música Piano Bar de Humberto Gessinger.

"Nada", afetando mas sem se anunciar como afeto

Nem sempre um afeto é claro, muitas vezes ele funciona como um fantasma
Não se vê diretamente, mas comparece nos desvios, nos silêncios, nas repetições.

A pessoa se sente incomodada por algo que não consegue nomear, ou ainda é afetada e não percebe, embora haja algo que esteja ali.

Um incômodo difuso ou até uma aparente indiferença.
Opera à margem da consciência,
Afetando sem se anunciar como afeto.

A psicanálise oferece a escuta a este “nada” . Observa com cuidado esta inscrição que sutilmente aparece sem ter encontrado uma representação, que foi sentido mas não simbolizado, aquilo que ainda não pode encontrar a palavra.
O trabalho analítico é sensível.

O objetivo não é explicar que algo existe, mas possibilitar que esse “nada” ganhe contorno, associação, palavra.
Rosângela Martins
Psicóloga
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