01/12/2025
Entro em dezembro vestindo uma peça que teci comigo mesma nos intervalos, nos silêncios, nas conversas e nas pequenas pausas que a vida permite.
Fio por fio, como foi este ano entre acolher histórias na clínica, sustentar redes no Social e me redesenhar enquanto caminho.
Sinto que nada do que fiz foi às pressas.
Tudo teve o tempo certo do ponto que se repete, da trama que às vezes aperta, às vezes alivia, mas sempre segue em frente.
Eu, que trabalho com palavras, afetos e limites, aprendo que também preciso costurar os meus.
E que não existe cuidado verdadeiro sem presença a mesma presença que coloco em cada paciente que retorna, em cada pessoa que chega, em cada vínculo que pede delicadeza e firmeza ao mesmo tempo.
A verdade é simples: eu teço.
Tecido gente, tecido histórias, tecido caminhos. E teço a mim mesma no processo. E dezembro chega como aquele ponto final que não encerra nada apenas prepara o fio para o próximo começo.