Psicóloga Luiza de Oliveira

Psicóloga Luiza de Oliveira Psicologia/Psicoterapia/Psicanálise

Na experiência analítica, aquilo que retorna como sintoma, angústia ou ato falho não está simplesmente “no passado”.O in...
03/03/2026

Na experiência analítica, aquilo que retorna como sintoma, angústia ou ato falho não está simplesmente “no passado”.
O inconsciente não conhece o tempo, ele insiste.

É pela palavra que algo pode se deslocar da repetição automática para a elaboração.

Falar não é apenas relatar: é ligar, simbolizar, historicizar.

Quando algo ganha palavra, ganha tempo.
E onde há tempo, pode haver transformação.

Em O inconsciente (1915), Freud esclarece que o afeto, enquanto vivência, é sempre consciente.O que pode permanecer inco...
10/02/2026

Em O inconsciente (1915), Freud esclarece que o afeto, enquanto vivência, é sempre consciente.

O que pode permanecer inconsciente é a ideia à qual esse afeto estava ligado.

Com o recalque, o afeto se desprende de sua representação original e encontra destinos substitutivos: angústia, deslocamentos, manifestações corporais.

O sujeito sente,
mas não sabe de onde vem
o que sente.

A clínica opera justamente nesse ponto: não para eliminar o afeto,
mas para reinscrevê-lo numa trama possível de sentido.

O afeto precisa encontrar alguma possibilidade de palavra.

Encerrando mais um ano nesse cantinho que tem gosto de conforto, de casa. O fim do ano opera como um significante carreg...
19/12/2025

Encerrando mais um ano nesse cantinho que tem gosto de conforto, de casa.

O fim do ano opera como um significante carregado de exigências: fechar, concluir, resolver, agradecer, perdoar, recomeçar. Como se o tempo psíquico obedecesse à mesma lógica do tempo social. Mas o inconsciente, sabemos, não faz viradas de página, ele insiste, repete, retorna.

Há algo de melancólico nesse período porque o fim do ano convoca um balanço. E todo balanço toca a perda. O que não foi dito, o que não se sustentou, o que se perdeu. Para alguns, o fim do ano reativa fantasias de completude: “no próximo, serei outro”. Para outros, escancara a ferida narcísica do tempo que passou sem cumprir promessas.

O supereu se intensifica: cobra alegria, presença, gratidão. Exige felicidade como dever moral. E justamente aí o sofrimento se torna mais silencioso, porque não cabe nas luzes, nos rituais, nas fotos.

Há um trabalho psíquico em curso, mesmo quando não é nomeado: o de aceitar que o tempo passa sem pedir licença e que a vida não se organiza em arcos narrativos tão limpos quanto gostaríamos.

Talvez o mais ético, nesse período, seja permitir-se não saber. Não forçar sentidos. Não exigir sínteses. Sustentar a pergunta em vez da resposta. O ano acaba, mas o sujeito continua em elaboração. E elaborar não é esquecer, é dar lugar.

Que o fim do ano possa ser menos um tribunal e mais um intervalo. Um espaço onde o sujeito descansa da obrigação de ser inteiro e aceita existir em fragmentos.✨✨✨

Mais um semestre concluído 💕Estive presente em três seminários ocupando papéis distintos: coordenadora de técnica I, pro...
09/12/2025

Mais um semestre concluído 💕

Estive presente em três seminários ocupando papéis distintos: coordenadora de técnica I, professora auxiliar de psicopatologia II e aluna de Ferenczi.

Coisa boa poder transitar entre espaços que te acolhem e te querem bem!

O sentimento de pertencimento atravessa a psicanálise inteira:
*Freud falava do sujeito como estruturalmente ligado ao outro.
*Melanie trazia a necessidade de ser incluído no objeto bom, sem ser evacuado dele.
*Bion se referia a função continente como condição de ter um “lugar” psíquico.
*Winnicott falava que é no ambiente que o self encontra autorização pra existir.
*Ferenczi nomeava o quão traumático pode ser a experiência de não pertencimento, de ser invalidado.

E nosso contemporâneo Thomas Ogden nos trouxe a importância da sensação de habitar uma experiência compartilhada, poder existir no espaço entre dois. No campo analítico.

Ansiosa para os próximos capítulos dessa jornada compartilhada, passando meus conhecimentos e absorvendo novas ideias.

“Sentir-se real é o primeiro sinal de que há um lugar possível” Winnicott

Entre PelesMe encontro aqui,longe de mim.Quantas camadas maisé preciso retirar?Me despi, vivi, morri,e nasci de novo.E s...
04/11/2025

Entre Peles

Me encontro aqui,
longe de mim.

Quantas camadas mais
é preciso retirar?

Me despi, vivi, morri,
e nasci de novo.
E sigo ali,
entre uma pele e outra,
nua de si.

O que falta?
Pedaços, nuances… sei lá.
A profundidade que ofereço
dita o que posso encontrar.

Quantas peles ainda
vão escamar?

Processo que não estanca,
não cessa.

Pensei que entregava o suficiente.
Mas, depois de tanto tempo,
sigo sendo
fragmento.

Compilado de  ✨Para nos lembrar que o viver é psicanalítico(ela exala poesia)
09/10/2025

Compilado de ✨

Para nos lembrar que o viver é psicanalítico

(ela exala poesia)

Na clínica, o analista não conversa apenas com palavras, ele entra em contato com o mundo interno do paciente. Esse mund...
05/09/2025

Na clínica, o analista não conversa apenas com palavras, ele entra em contato com o mundo interno do paciente. Esse mundo é povoado por afetos, fantasias, repetições e silêncios que se fazem presentes na relação transferencial.

Autores contemporâneos ampliaram essa perspectiva, mostrando que a análise acontece em um campo compartilhado:

▪️Bleger fala do enquadre como parte constitutiva da experiência analítica, onde o não-dito e o pré-verbal também se manifestam.

▪️Winnicott nos lembra que o analista oferece um ambiente suficientemente bom, capaz de sustentar aquilo que ainda não pôde ser simbolizado.

▪️Bion convida o analista a escutar “sem memória e sem desejo”, permitindo que o campo analítico seja um espaço vivo de transformação.

▪️Ogden descreve a análise como uma experiência intersubjetiva, em que analista e paciente criam juntos uma nova narrativa psíquica.

Assim, podemos pensar que o analista não interpreta apenas conteúdos, mas dialoga com um campo emocional compartilhado, onde o mundo interno do paciente encontra ressonância e pode, pouco a pouco, ser transformado em palavra e experiência elaborada.

27 de agosto, dia do psicólogo 💕Ser psicólogo é habitar territórios invisíveis da alma humana, com ética, respeito e del...
27/08/2025

27 de agosto, dia do psicólogo 💕

Ser psicólogo é habitar territórios invisíveis da alma humana, com ética, respeito e delicadeza.
É enxergar o que muitas vezes não se consegue nomear, é dar linguagem ao indizível e lembrar que nenhum sofrimento precisa ser enfrentado sozinho.

Já são nove anos exercendo essa profissão que me encanta a cada novo encontro.

Troquei minha planta de lugar. Eu cuidava dela, regava, oferecia todos os nutrientes possíveis. Mas ela não florescia. F...
16/08/2025

Troquei minha planta de lugar. Eu cuidava dela, regava, oferecia todos os nutrientes possíveis. Mas ela não florescia. Foi quando entendi: o problema não era dela, mas do ambiente. Bastou mudá-la de posição e, pouco a pouco, ela retomou a vitalidade.

Na psicanálise, aprendemos que não basta o sujeito ser “forte por dentro”. O ambiente é decisivo. Winnicott nos lembra que é no encontro entre o interno e o externo que a vida psíquica se sustenta. Se o entorno falha, a força interna se esgota.

Olho para minha vida e percebo que, por muito tempo, tentei sobreviver apenas com recursos internos: insistindo, resistindo, regando minhas próprias raízes. Mas cheguei a um ponto em que já não florescia. A separação me mostra isso: não é falta de amor, nem falta de potência dentro de mim. É que, às vezes, o ambiente compartilhado deixa de nutrir, deixa de permitir crescimento.

Trocar de lugar não é desistir, é se dar a chance de respirar novamente. É reconhecer que a sobrevivência não depende só da raiz, mas também da luz que incide sobre ela. É a coragem de admitir que, para viver plenamente, às vezes precisamos mudar o espaço em que estamos plantados.

Mais um semestre chegando ao fim. Estivemos debruçadas pelos artigos metapsicológicos de Freud. Ministrar seminários é u...
10/07/2025

Mais um semestre chegando ao fim. Estivemos debruçadas pelos artigos metapsicológicos de Freud. Ministrar seminários é um desafio, mas estar ao lado de mulheres potentes facilita tudo! Obrigada pela parceria .formoso e .lumorellato 🩷

Estar à frente de um seminário, dando aulas e contribuindo com meu conhecimento e experiência nunca foi um objetivo para mim. Foi algo que aconteceu naturalmente, como se alguém tivesse notado meu desejo antes mesmo que eu pudesse perceber. Fui vista e assim pude me ver. Bonito isso né?

Estudar, revisitar, e discutir a base da psicanálise é essencial no nosso percurso. Já estou animada para o próximo semestre!

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