12/09/2026
A solidão mais dolorosa nem sempre acontece quando não há ninguém por perto.
Às vezes, ela aparece dentro de uma casa cheia.
Em um relacionamento.
Entre amigos.
Até durante o tratamento.
Porque estar acompanhado não é o mesmo que se sentir compreendido, acolhido ou emocionalmente conectado.
A solidão não é apenas ausência de pessoas. É a percepção de que não existe alguém disponível quando o sofrimento aperta.
E isso pode ter consequências reais.
Pessoas com depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e outros transtornos mentais apresentam níveis importantes de solidão e isolamento social. No transtorno bipolar, menor apoio social percebido também tem sido associado à ideação suicida e ao histórico de tentativas.
Isso não signif**a que a solidão seja a causa única do adoecimento. Também não signif**a que ter alguém por perto substitua psicoterapia, medicação ou acompanhamento médico.
Signif**a que a rede de apoio não pode ser lembrada apenas durante uma crise.
Ela precisa ser construída, orientada e incluída no cuidado.
Na prática clínica, não basta perguntar:
“Como estão os sintomas?”
Também precisamos perguntar:
“Quem percebe quando você não está bem?”
“Para quem você consegue pedir ajuda?”
“Você se sente cuidado ou apenas acompanhado?”
“Quem conhece o seu plano de crise?”
Conexão não é cura. Mas pode ser proteção.
Talvez alguém próximo de você esteja convivendo com um sofrimento que ainda não conseguiu colocar em palavras.
Envie este post e escreva apenas:
“Eu estou aqui. Você não precisa me explicar tudo agora.”
Salve para lembrar. Compartilhe para alcançar quem pode estar se sentindo sozinho mesmo cercado de pessoas.
Flávia de Moraes
Psicóloga Clínica | PhD em Neurociências
Supervisora Clínica para Psicólogos | Pesquisadora em Neurociências
Atendimento especializado em Transtornos do Humor