16/09/2026
Demorei para entender que espiritualidade não é sobre parecer em paz o tempo todo.
Tem dias em que a gente acende uma vela e continua confuso. Reza e continua com medo. Busca respostas e percebe que algumas delas não estão no mundo, nem nas pessoas, nem no passado. Estão dentro da gente.
E talvez uma das partes mais difíceis do caminho seja justamente essa: parar de fugir de nós mesmos.
Olhar para as próprias feridas sem transformar tudo em culpa dos outros. Reconhecer nossos erros. Entender nossos padrões. Pedir perdão quando for preciso. Perdoar quando for possível. E aceitar que existem dores que ninguém poderá atravessar em nosso lugar.
Eu acredito na força da fé, da oração, dos rituais, da ancestralidade e do sagrado. Mas acredito também que espiritualidade exige responsabilidade.
Porque não adianta pedir luz se eu me recuso a olhar para aquilo que ainda existe de escuro dentro de mim.
E isso não significa lutar contra a própria sombra.
Significa conhecê-la tão profundamente que ela já não precise comandar nossas escolhas.
Talvez evoluir espiritualmente seja exatamente isso: não se tornar alguém perfeito, mas alguém cada vez mais consciente de quem é.
E, para mim, essa caminhada ainda está acontecendo. Todos os dias.
Autor: Gerson Paixão