29/07/2026
A terapia hormonal na menopausa é um dos temas que mais geram desinformação, tanto pelo excesso de alarmismo quanto pela minimização dos riscos. A realidade é que a ciência avançou bastante nos últimos 20 anos, e o que sabemos hoje é significativamente diferente do que se pensava na virada do milênio.
O estudo Women's Health Initiative, publicado em 2002, gerou um grande impacto e levou milhões de mulheres a abandonarem a terapia hormonal com base em uma interpretação inicial dos dados. O estudo incluía, em sua maioria, mulheres mais velhas, com mais tempo de menopausa, além de utilizar formulações hormonais diferentes das mais empregadas atualmente.
Hoje, o consenso das principais sociedades de ginecologia e endocrinologia é diferente. Para mulheres saudáveis, sem contraindicações, com sintomas moderados a graves e que iniciam a terapia hormonal até 10 anos após a menopausa ou antes dos 60 anos, os benefícios tendem a superar os riscos na maioria dos casos. Isso inclui alívio dos sintomas, proteção óssea e melhora da qualidade de vida.
As contraindicações existem e devem ser consideradas. Entre as principais estão: câncer de mama hormônio-dependente ativo ou recente, trombose venosa ou embolia pulmonar recente e sangramento vaginal sem causa identificada.
Com a aprovação do Veoza pela Anvisa em 2026, mulheres com contraindicação ao uso de hormônios passaram a contar com uma alternativa não hormonal para o tratamento dos fogachos. O cenário das opções terapêuticas está em evolução.
A decisão de usar ou não a terapia hormonal deve ser individualizada, baseada na avaliação médica, nas características de cada paciente e nas melhores evidências científicas disponíveis, e não em medo ou em mitos.