28/07/2026
Quando pensamos na chegada de uma criança, seja pela gestação ou pela adoção, é comum imaginarmos que o amor começa no encontro. Mas, na verdade, ele costuma começar muito antes.
Durante a gravidez, muitas mães passam meses imaginando quem será aquele bebê. Na adoção, esse movimento também acontece. Enquanto aguardam uma ligação, uma decisão judicial ou a chegada tão esperada, muitas famílias constroem imagens, desejos, planos e expectativas sobre a criança que está por vir.
De formas diferentes, mães gestantes e mães adotivas compartilham algo em comum: ambas tentam conhecer alguém que ainda não conhecem.
E então o encontro acontece.
A criança real chega com sua própria história, seu próprio jeito de ser, suas necessidades, seus desafios e sua singularidade. E, inevitavelmente, ela não corresponde exatamente à criança que habitava a imaginação.
Isso não signif**a que houve decepção com a criança.
Signif**a apenas que existe uma diferença entre a criança sonhada e a criança real. E reconhecer essa diferença faz parte da construção dos vínculos.
Às vezes, existe uma tristeza silenciosa nesse processo. A perda de algumas expectativas, de algumas fantasias, de algumas certezas que foram construídas durante a espera.
Mas essa perda não diminui o amor.
Pelo contrário. Muitas vezes, é justamente quando conseguimos nos despedir da criança que imaginamos que começamos a enxergar, de fato, a criança que está diante de nós.
Seja na maternidade biológica ou na adoção, todo encontro importante pede um espaço para a descoberta. Porque nenhuma criança chega para confirmar uma fantasia. Ela chega para nos convidar a conhecê-la como ela é.
E talvez exista algo profundamente amoroso em aceitar esse convite. 🤍