04/06/2026
Eu sempre achei que estava preparado para a diabetes.
Afinal, eu convivo com ela há mais de 20 anos.
Estudei.
Me especializei.
Dediquei minha vida a cuidar de pessoas com diabetes.
Mas existe uma dor que faculdade nenhuma ensina.
Ver a diabetes chegar na pessoa que você mais ama.
Naquele dia, eu não pensei como médico.
Não pensei como especialista.
Não pensei em protocolos, diretrizes ou tratamentos.
Pensei como pai.
E, pela primeira vez, entendi que existe uma dor maior do que receber um diagnóstico.
É ver esse diagnóstico chegar em um filho.
Foi nesse instante que a diabetes deixou de ser apenas uma doença.
Se fosse possível, eu carregaria a minha.
Carregaria a dela.
Carregaria as duas.
Sem hesitar.
Só para poupá-la de enfrentar uma.
Só para que ela nunca precisasse conhecer o medo de uma hipoglicemia durante a madrugada, de ficar de furando.
Só para que ela nunca precisasse carregar esse peso tão cedo.
Ali, entendi uma verdade que nenhum livro havia me ensinado:
A diabetes não afeta apenas quem recebe o diagnóstico.
Ela entra na vida de toda a família.
Ela muda rotinas.
Muda prioridades.
Muda a forma como um pai enxerga o mundo.
Mas foi também naquele momento que uma decisão ganhou ainda mais força dentro de mim.
Se eu não posso mudar o diagnóstico, vou lutar para mudar a história.
A história da minha filha.
Dos meus pacientes.
E de todas as famílias que convivem com diabetes.
Porque a diabetes muda a vida.
Eu sei.
Ela mudou a minha.
Mas eu me recuso a deixar que ela roube os sonhos da minha filha.
E de qualquer pessoa que conviva com ela.
Porque, no fundo, existe uma verdade que nunca mudou:
Se fosse possível, eu carregaria a minha.
Carregaria a dela.
Carregaria as duas.
💙💙🩸