03/11/2021
Dizem que, para quem escuta a história da Chapeuzinho Vermelho, o Lobo Mau será sempre o vilão. Mas e quando o Lobo Mau realmente é o culpado por toda a história? Ou, pior dizendo, e quando nós somos o Lobo Mau na história de alguém?
Você consegue contar com sinceridade sobre as vezes em que foi tóxico com pessoas com as quais se relacionou? E nem é necessário ir longe, não estamos falando sobre amor, exclusivamente. Nessa infinidade de relacionamentos, podemos ser tóxicos até mesmo em nossas amizades ou em nossa família.
E o que podemos fazer quando descobrimos que não fomos tão legais com alguém de quem gostamos muito ou até mesmo amamos? Quando ferimos a última pessoa a quem pensávamos poder ferir?
Assumir esse lado, o lado que não gostamos e não admiramos, é o primeiro passo para que aprendamos e para que possamos deixar de repetir o comportamento abusivo que estamos fadados a ter em algum momento. Admitir é o primeiro passo. O segundo é acolher-se. O terceiro, quem sabe, é amar de novo, exercendo sempre o exercício da alteridade.
No final das contas, não é sobre mocinho e vilão. Estaremos sempre nos dois papéis. Ou os dois papéis estarão sempre em nós. Jung, muitas vezes falou sobre isso e a ideia de "sombra". Existem diferentes tipos de sombras e uma maneira de alcançar o bem-estar, a cura e a liberdade pessoal é, definitivamente, torná-las conscientes. A sombra se torna mais destrutiva, insidiosa e perigosa quando a “reprimimos”.
Fabiano Saft
♡ 03/15496