25/06/2026
Claire, de Eu, a Patroa e as Crianças, resolveu tirar alguns pelos da sobrancelha. No impulso, tirou mais do que deveria. Tentou consertar. Tirou mais um pouco. Tentou equilibrar os dois lados. E, quando percebeu, estava sem as duas sobrancelhas.
Na prática, isso tem nome: controle inibitório. Controle inibitório é a capacidade de parar, pensar e resistir a um impulso antes de agir. É o famoso “freio” do cérebro. Essa habilidade depende principalmente do córtex pré-frontal, uma região que continua se desenvolvendo até aproximadamente os 25 anos de idade.
Por isso, crianças não tomam decisões da mesma forma que os adultos. Só a partir dos 7 anos esse freio passa a funcionar de forma mais consistente, e mesmo assim ainda precisa de muita ajuda dos adultos. Na cena, Claire não sentou para calcular as consequências. Ela sentiu vontade e agiu. O arrependimento veio depois.
O problema é que nós, adultos, costumamos interpretar esses comportamentos apenas como desobediência, quando muitas vezes estamos diante de uma habilidade que ainda está em desenvolvimento.
Isso significa que não devemos colocar limites? Claro que não. Limites continuam sendo fundamentais. Mas, além do limite, a criança precisa aprender como agir de outra forma.
É exatamente isso que trabalhamos na terapia. Muitas vezes através de jogos, brincadeiras e atividades que parecem simples, mas que têm um objetivo muito importante: ensinar a esperar a vez, tolerar a frustração, pensar antes de agir, controlar impulsos e lidar melhor com emoções difíceis.