09/08/2026
"[...] O pai é autor e autoridade e, por isso, é lei e Estado. É aquilo que se move no mundo como o vento, é aquilo que cria e dirige com ideias invisíveis - imagens aéreas. É o sopro do vento - pneuma, spiritus, atmã, o espírito.
Também o pai é um poderoso arquétipo que vive no íntimo da criança. Também o pai é, antes de tudo, o pai, uma imagem abrangente de Deus, um princípio dinâmico. No correr da vida, também essa imagem autoritária vai retrocedendo ao plano de fundo: o pai se transforma numa personalidade limitada e demasiado humana. Por outro lado, a imagem do pai vai ocupando todas as dimensões possíveis. Assim como foi lento em descobrir a natureza, o homem também só descobriu aos poucos o Estado, a Lei, o dever, a responsabilidade e o espírito.
Na medida em que a consciência em evolução se torna capaz de compreender, a importância da personalidade parental definha. Mas no lugar do pai surgiu a sociedade dos homens e no lugar da mãe veio a família.
[...] O pai anda por aí, fala com os outros homens, caça, viaja, faz guerra, espalha seu mau humor qual tempestade e, sem muito refletir, muda a situação toda num piscar de olhos. Ele é a guerra e a arma, a causa de todas as mudanças. É o touro provocado para a violência ou para a preguiça apática. É a imagem de todas as forças elementares, benéficas ou prejudiciais.
Tudo isso a criança já experimenta bem cedo e diretamente, em parte através dos pais e em parte com os pais.
📚 Civilização em Transição, § 65-68.
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Anderson Santiago da Silva
Psicólogo (CRP 02/181788), professor universitário, supervisor clínico, especialista em Psicologia junguiana com enfoque na clínica e co-autor de livros sobre psicologia analítica e suicídio