18/02/2026
O Carnaval sempre me pareceu mais do que festa. Mais do que brilho, suor e música alta. Ele tem algo de rito — É quase um portal onde a gente se permite sentir o que adiou o ano inteiro. Nesse Carnaval, algo em mim se abriu como avenida.
Em meio aos frevos, aos abraços apertados e aos reencontros inesperados, algo se abre por dentro. A gente encontra pessoas, mas também encontra versões antigas de si. Aquela amiga que não via há anos. Houve abraços que curaram rachaduras invisíveis. Aquela parte de nós que estava guardada, adormecida, esperando coragem para respirar de novo. Sensação de despedida como quem aprende a soltar sem deixar de amar.
E é curioso como, no meio da euforia, o choro chega. Lágrimas antigas, guardadas em silêncios longos. Não chorei só pelo que foi, mas porque estou viva!
Há despedidas também. Algumas sutis, quase invisíveis. Outras doídas, conscientes. Despedimo-nos de expectativas, de histórias que não continuam, de fantasias que já não cabem. E há uma cura silenciosa nisso: aceitar o fim como parte da dança.
O Carnaval ensina que estar vivo é sentir tudo — o riso largo e o nó na garganta. É cantar alto mesmo com a voz embargada. É permitir que o corpo conduza aquilo que a mente tentou controlar demais.
Curar-se no Carnaval não é esquecer. É lembrar com menos peso. É abraçar com mais presença. É deixar que as lágrimas lavem o que ficou endurecido.
E, quando a quarta-feira chega, sem glitter. A certeza de que ainda sentimos. E sentir, apesar de tudo, é estar profundamente VIVO.