Dr. Francisco Vaz - Neurocirurgia

Dr. Francisco Vaz - Neurocirurgia Neurocirurgia, Cirurgia da Coluna Vertebral e Cirurgia Minimamente Invasiva

Existe um peso que nenhuma balança da Justiça consegue medir: o corpo de uma criança de 4 anos.Convivo profissionalmente...
06/06/2026

Existe um peso que nenhuma balança da Justiça consegue medir: o corpo de uma criança de 4 anos.

Convivo profissionalmente com a linha tênue entre salvar e perder uma vida. Talvez por isso a sentença do caso Henry Borel tenha me tocado tanto. Ele, ainda por cima, tem o mesmo nome do meu filho.

A toga falou: décadas de prisão para o homem que transformou um lar em câmara de tortura. Justo. Necessário. Mas a mesma sentença que condenou a mão que bateu absolveu os olhos que assistiram.

Pensei nos meus filhos dormindo, na confiança absoluta com que uma criança entrega a mão a um adulto, certa de que aquela mão jamais será punho. Henry entregou a dele. E ninguém o segurou. Como pai, não consigo ler “perdão” sem ouvir o choro de um menino que pediu socorro e encontrou silêncio.

A mãe, que conviveu com os hematomas, que ouviu os choros, que escolheu o silêncio, saiu pela porta da frente. Não por inocência. Por “contexto”. Porque, segundo a decisão, teria sido vítima de uma “cobrança desproporcional”, de “expectativas culturalmente atribuídas ao papel materno”.

Traduzindo: mataram Henry duas vezes. A primeira, no apartamento. A segunda, no tribunal, onde a dor de uma criança real foi sacrif**ada no altar de uma tese.

Que país é este, em que a maternidade vira atenuante e a omissão vira vítima?

Não confundamos compaixão com covardia. Henry não precisava de um veredito perfeito. Precisava de alguém que o protegesse. Teve a omissão de quem devia amá-lo. E, agora, o perdão de quem devia julgá-lo.

E, como se um absurdo não bastasse, o mesmo Judiciário que perdoa quem viu um filho morrer encontra forças para condenar quem dedica a vida a educar os seus.

Um casal foi condenado por “abandono intelectual”. O crime? Ensinar as próprias filhas em casa. Meninas que lêem 30 livros por ano, que estudam línguas, música e arte. Pesou contra os pais o fato de uma das meninas não gostar de funk. Pesou a “falta de convivência”. Pesou, no fundo, a ousadia de formar pessoas em vez de terceirizar consciências.

Eis o Brasil de cabeça para baixo: absolve-se a omissão e criminaliza-se a dedicação. Perdoa-se quem calou diante do sofrimento e processa-se quem se debruçou sobre o futuro.

Uma noite na Praia VermelhaHá lugares que carregam história nas paredes, mesmo quando você os visita sem sair do lugar. ...
21/05/2026

Uma noite na Praia Vermelha

Há lugares que carregam história nas paredes, mesmo quando você os visita sem sair do lugar. Criado dentro do que hoje é a UFRJ, o Instituto de Neurologia Deolindo Couto é um desses lugares.

Fundado em 1946, o INDC foi o primeiro serviço a oferecer residência médica em neurologia e neurocirurgia no Brasil e nunca parou. Décadas ininterruptas formando gerações inteiras de neurologistas e neurocirurgiões que hoje atuam em todo o país. Deolindo Couto e José Ribeiro Portugal construíram ali os alicerces de duas especialidades que hoje alcançam o mundo. Não é pouca coisa. É história viva.

Ter sido convidado pelo amigo e professor Marcus Acioly para dar uma aula nessa casa esta noite, ainda que pela tela, foi, para mim, muito mais do que uma gentileza profissional. Foi um privilégio real. O tipo de convite que você aceita sem pestanejar e que carrega um peso que só percebemos completamente quando estamos diante dos residentes, olhando para quem está no começo de uma jornada que é, ao mesmo tempo, exigente, nobre e extraordinária.

E a noite ficou ainda mais especial com a presença dos professores Antônio Aversa e Cesar Andraus. Nomes que dispensam apresentação e que representam exatamente aquilo que uma escola deve ser: referência, seriedade e compromisso com a formação de quem vem depois.

Ensinamos porque aprendemos. E às vezes, numa tela acesa no meio da noite, a Praia Vermelha f**a mais perto do que se imagina e terminamos lembrando porque escolhemos essa profissão.

Obrigado pela recepção, pela atenção e pela confiança. Foi uma honra.

Hoje é Dia das Mães. E faz três anos que eu não tenho para quem ligar.A minha morreu em 2022. Ninguém te avisa, antes de...
10/05/2026

Hoje é Dia das Mães. E faz três anos que eu não tenho para quem ligar.

A minha morreu em 2022. Ninguém te avisa, antes de acontecer, que a morte de uma mãe não é um evento. É uma geografia nova. O mundo continua igual, as ruas no mesmo lugar, as pessoas seguindo a vida, mas dentro de você um continente inteiro se reorganiza em silêncio.

Os primeiros meses são os piores não pelo que se sente, mas pelo que se esquece de sentir. A mão que pega o telefone num domingo de tarde. O dedo que quase aperta o nome dela na lista de favoritos. O segundo de delay até a memória atualizar a realidade.
Depois vem outra coisa. Mais sutil. Mais funda.

Você começa a perceber que ela não foi embora. Ela mudou de endereço. Mora agora em lugares que você não escolhe: no jeito de você cortar uma fruta, na frase que sai da sua boca igualzinha à dela, no cheiro de uma cozinha que não é mais a dela mas que, sem saber como, virou.

Apesar de trabalhar com cérebros eu não sei dizer se existe córtex que explique como uma mulher que morreu há quase quatro anos continua me corrigindo a postura quando eu sento torto. Continua me dizendo, no meio de uma cirurgia difícil, “tenha calma, respire”. Continua sendo a primeira voz que eu ouço quando alguma coisa dá certo na minha vida.
Isso a ciência não explica. E tudo bem.

Hoje é Dia das Mães. E eu queria dizer, especialmente para quem também perdeu a sua, que a saudade não é castigo. É prova. Prova de que houve amor suficiente para deixar marca permanente. Prova de que algumas pessoas não cabem dentro do tempo que viveram.

Para quem ainda tem a sua mãe: ligue hoje. Não amanhã. Hoje. Pergunte coisas que você nunca perguntou. Escute respostas que você acha que já sabe. Repare no jeito que ela ri. Guarde. Guarde tudo. Porque um dia a única coisa que sobra é o que você guardou.

E para a minha:
Mainha, anos depois, eu finalmente entendi. Você não foi embora. Você virou raiz. E é por isso que eu ainda fico em pé.

Feliz Dia das Mães!

Por aqui seguimos tentando fazer com que você sempre sinta orgulho de nós. Seguimos pelos seus netos e por tudo que você plantou e que ainda está dando flor.

❤️

Mais um dia daqueles…Há alguns meses, quando a trouxeram pela primeira vez, ela chegou numa cadeira de rodas com o lado ...
06/05/2026

Mais um dia daqueles…

Há alguns meses, quando a trouxeram pela primeira vez, ela chegou numa cadeira de rodas com o lado direito do corpo parcialmente paralisado. Tinha um tumor cerebral. Alguns colegas que a referenciaram chamaram de “caso complexo de alto risco cirúrgico”. Estavam cobertos de razão.

Eu chamei de desafio. Sempre chamo.
Operei com ela acordada. Porque naquela cirurgia, a resposta dela em tempo real era o único mapa confiável que eu tinha. Um erro de um milímetro para o lado errado e ela voltaria diferente.

Ela tinha medo. Eu sabia. Ela sabia que eu sabia. E ainda assim conversamos durante horas, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo: duas pessoas, um cérebro aberto, e uma negociação silenciosa com o destino.

Hoje ela entrou no consultório andando. Sem cadeira. Com a filha do lado e um sorriso que eu ainda não aprendi a receber. Aquele tipo de sorriso que não é agradecimento, é devolução. Como se ela estivesse me entregando de volta algo que eu nem sabia que tinha guardado.

Sentamos. Conversamos. Ela me contou que voltou a trabalhar, que viajou, que dançou no aniversário da filha.

Dançou.

Eu ouvi isso e fiquei em silêncio um segundo mais longo do que o habitual. Dançar estava além do que eu ousava prometer naquele dia quando o tumor ainda ditava as regras.

E me lembrei de Alex Zanardi, falecido há pouco. Piloto de Fórmula 1, perdeu as pernas num acidente horroroso. Devia ter desistido. Ao invés disso, virou campeão paralímpico e disse que aquele acidente não roubou sua vida, devolveu-a com outro sentido.

Pois é. A vida tem dessas inversões. Aquilo que parecia fim, era começo. Aquilo que parecia perda, era passagem. As pernas que se foram e a medalha que veio. A cadeira de rodas que entrou e os pés que dançaram.

Tem uma pergunta que carrego desde que escolhi essa especialidade, pergunta que nenhum livro responde: Vale a pena? Vale a pena o peso? As madrugadas? As decisões que ninguém divide com você e os casos que não terminam bem e f**am morando dentro da gente pra sempre?

Hoje a resposta entrou no consultório andando.

E dançou no aniversário da filha.

Vale.

Ou como dizia Santa Terezinha:
“Que importa? Tudo é graça.”

16/04/2026

Neurocirurgia para retirada de um tumor cerebral num paciente de 88 anos de idade?!?! Sim, é possível! E com segurança e eficiência.

Hoje em dia, com ciência e tecnologia, além da dedicação e comprometimento de uma equipe multidisciplinar, a idade avançada está deixando de ser um fator limitante à realização de cirurgias neurológicas.

O exemplo que trazemos aqui demonstra que pacientes octogenários, quase nonagenários, podem ser sim submetidos a cirurgias de alta complexidade desde que critérios de seleção sejam adequadamente aplicados. Boa condição geral de saúde, uma família presente e que oferece total suporte e planejamento terapêutico com objetivos claros e bem estabelecidos são fundamentais para se garantir que nossos pacientes geriátricos continuem vivendo com qualidade por mais e mais tempo.

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Cuidar do que nos move é assumir uma grande responsabilidade.O médico neurocirurgião atua em uma das áreas mais sensívei...
14/04/2026

Cuidar do que nos move é assumir uma grande responsabilidade.

O médico neurocirurgião atua em uma das áreas mais sensíveis do corpo humano, onde cada decisão exige precisão, conhecimento e compromisso com a vida.

Sua atuação impacta diretamente a autonomia, a consciência e a qualidade de vida dos pacientes.

Neste 14 de abril, o Simepe homenageia esses profissionais.

É voz. É direito. É presença. É sindicato.

Você sabia que a Doença de Cushing leva, em média, mais de 5 anos para ser diagnosticada?Rosto arredondado. Gordura na n...
08/04/2026

Você sabia que a Doença de Cushing leva, em média, mais de 5 anos para ser diagnosticada?

Rosto arredondado. Gordura na nuca. Estrias roxas no abdômen. Pressão alta que não cede. Diabetes difícil de controlar. São sinais que o corpo dá — e que frequentemente são tratados separadamente, sem investigar a causa raiz.

A Doença de Cushing é causada por um pequeno tumor na hipófise que produz excesso de ACTH — e isso coloca o cortisol em níveis que destroem o organismo.

A boa notícia: existe tratamento cirúrgico altamente ef**az, com taxa de cura acima de 80% nos casos bem selecionados.

A cirurgia é feita inteiramente pelas narinas. Sem corte. Sem abertura do crânio. Com o paciente de volta para casa em 2 ou 3 dias.

Essa é a cirurgia endoscópica endonasal — minha especialidade, desenvolvida durante minha formação em Pittsburgh (berço mundial dessa técnica), Stanford e Baylor College of Medicine.

Se você suspeita que pode ter Cushing, ou se você é médico e tem um paciente com esse quadro — estou aqui.

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Sexta-feira, fim de tarde. Escrevo depois de um dia que podemos chamar de “comum” ao lado da família e amigos. Mas nada ...
03/04/2026

Sexta-feira, fim de tarde. Escrevo depois de um dia que podemos chamar de “comum” ao lado da família e amigos. Mas nada hoje parece comum.

Essa sexta não é sobre “sextar” ou “quem fez, fez”. Essa sexta, a da paixão, é sobre uma pausa. Uma pausa para encarar o que a gente vive evitando. A dor. A injustiça. O silêncio de Deus…

A cruz não foi o fim bonito de uma história inspiradora. Foi o pior dia de todos. Traição. Negação. Abandono. Dor. E, no meio disso tudo, silêncio.

Nenhum milagre para impedir. Nenhuma intervenção para salvar. Só a entrega. E talvez seja isso que mais nos incomode.

Porque a gente foi treinado para resolver, para agir, para lutar…mas existem momentos em que a vida exige algo diferente:

Aceitar.

Esta sexta-feira é o dia em que a gente percebe que não controla tudo. Vcs sabem… eu quase deixei de viver também numa sexta-feira…

Mas existe um detalhe que muda tudo. A cruz não foi acidente. Foi escolha. Amor que decide f**ar. Amor que decide suportar. Amor que decide perdoar… mesmo sangrando.

Na medicina, a gente aprende a lutar pela vida. Na cruz, a gente aprende a entregar a vida. E existe uma diferença profunda entre as duas coisas. Uma vem da força. A outra vem da fé.

Esta sexta-feira não tem aplausos. Não tem final feliz. Não tem resposta pronta. Tem lágrimas. Tem dúvida. Tem um “por quê?”. Mas também tem algo silencioso acontecendo… Algo que você não vê, mas que está sendo preparado. Porque o maior milagre de Deus não é evitar a cruz. É dar sentido a ela.

Então, hoje, se a sua vida parece uma sexta-feira da paixão… Se algo em você está doendo, sangrando, cansando…

Não fuja. Entregue e responda com coragem: o que você precisa confiar a Deus… mesmo sem entender? Lembre-se que foi nesta época também que, mesmo sem entender, o povo hebreu, liberto do Egito, iniciou a travessia no deserto. É a celebração do Pessach.

Assim, hoje não é o fim desde que vc aceite o convite para a travessia e para o Domingo. Um convite para morrer para o orgulho, para a falta de perdão… E ressuscitar melhor, mais verdadeiro. Quiçá Santo.

Confesse-se. O que precisa morrer em você para que algo melhor possa ressuscitar?

Feliz Páscoa e Chag Pessach Sameach!

02/04/2026

Tumor cerebral benigno não é tumor inofensivo!
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