25/09/2026
Treinar a respiração antes da cirurgia pode reduzir complicações depois dela.
Uma meta-análise publicada no ANZ Journal of Surgery reuniu 9 ensaios clínicos randomizados e 1.531 pacientes submetidos à cirurgia de substituição valvar para avaliar o efeito do treinamento muscular inspiratório (IMT) no período perioperatório.
Os resultados foram consistentes em três pontos:
🔹 +49,9 metros no teste de caminhada de 6 minutos
🔹 +11,66 cmH₂O na pressão inspiratória máxima
🔹 29% menos complicações pulmonares pós-operatórias
RR 0,71 (IC95% 0,56–0,90)
Mas a ciência também está no que não aconteceu.
O IMT não reduziu signif**ativamente o tempo de UTI ou de internação, nem modificou VEF1 ou CVF.
Isso é importante.
O benefício observado não parece ser simplesmente “melhorar a espirometria”. O treinamento aumentou capacidade funcional e força inspiratória, e isso se associou a menos complicações pulmonares.
Outro achado chama atenção: os resultados foram mais favoráveis quando o IMT estava integrado a um programa mais amplo de reabilitação, especialmente com continuidade no pós-operatório.
É aí que a pré-habilitação deixa de ser uma coleção de exercícios e passa a ser uma estratégia de preparação para o estresse cirúrgico.
O que podemos fazer é reconhecer o princípio que a evidência sustenta:
capacidades fisiológicas são modificáveis.
E algumas delas podem ser treinadas antes que o paciente precise delas.
Na Medicina Operatória, preparar o paciente não signif**a apenas reduzir riscos.
Signif**a aumentar sua capacidade de atravessar a cirurgia e recuperar-se dela.
A cirurgia é um evento agudo.
A capacidade de enfrentá-la é construída antes dela.
📚 Tjahjono CT, et al. Perioperative Inspiratory Muscle Training Improves Functional Recovery in Heart Valve Replacement: A Meta-Analysis of Randomised Controlled Trials. ANZ Journal of Surgery. 2026. DOI: 10.1111/ans.70938.