Benéria Donato

Benéria Donato Desenvolvemos atividades acadêmicas e clínicas desde 1997 com o objetivo de oferecer serviços de PSY.

21/08/2026

Neste vídeo, cito uma das ideias que mais precisamos ainda superar sobre saúde mental: "buscar uma ajuda apenas quando de fato alguma coisa deu errado ou já está doendo demais".

Não precisa ser sempre assim. A Psicologia tem, sim, um papel fundamental na compreensão, avaliação e tratamento do sofrimento psicológico. Mas seu campo de atuação não se limita a tratar aquilo que "adoeceu". A Psicologia também pode contribuir para a prevenção, para o desenvolvimento de recursos psicológicos, para relações mais saudáveis e para uma vida com mais qualidade e sentido.

Cuidar da saúde mental cada dia mais precisa significar perceber antes, compreender melhor, desenvolver mais recursos emocionais e aprender quanto antes novas formas de lidar com aquilo que a vida apresenta de tempos em tempos.

Ei, leia agora com atenção: o objetivo não é transformar a psicoterapia em uma obrigação, nem tampouco dizer que toda dificuldade precisa virar um diagnóstico ou receber um tratamento.

Apenas quero ajudar a sociedade a reconhecer que o cuidado também pode ser preventivo. Você já parou para pensar: "e se a ajuda pudesse chegar antes de o sofrimento se tornar insuportável?"

A Psicoterapia pode ajudar a pessoa a compreender de maneira mais assertiva o que está vivendo, fortalecer recursos necessários ao momento presente e contribuir com escolhas mais conscientes.

Ter saúde mental não é apenas ausência de transtorno. É também a capacidade de construir uma vida que faça sentido e poder saber cuidar dela ao longo do caminho. Que tal?

19/08/2026

Impressionante como a força e intensidade cai sem o por perto Gustavo Parizio (detalhe: enquanto uns relaxam com todo direito, outros tentam não colocar a perder as conguista de 6 meses)... Vamos simbora, hoje foi na BIO RITMO Boa Viagem , porém ainda tem a parte 2 a noite!

17/08/2026

Percebi que esse vídeo reúne muitas ideias em poucos minutos. Por isso, deixo aqui uma linha de raciocínio para acompanhá-lo.

1. A Psicologia é necessária porque o sofrimento psíquico continua sendo uma importante questão de saúde pública e porque sabemos, em função de muitas pesquisas, que intervenções psicológicas podem produzir mudanças reais.

2. Mas o mundo mudou. As também pessoas mudaram. E as demandas que chegam à clínica de um psicólogo se tornaram mais complexas.

3. Por isso, hoje, não basta conhecer diagnósticos, protocolos e intervenções isoladamente. Precisamos nos manter compreendendo também os processos que mantêm o sofrimento.

4. A flexibilidade psicológica é um desses processos que vêm recebendo atenção da pesquisa científica. Ela amplia nossa compreensão sobre como as pessoas se relacionam com pensamentos, emoções e experiências difíceis. E nos ajuda a desenvolver essa habilidade nos pacientes.

5. Porém, compreender processos não significa abandonar diagnósticos, formulações ou tratamentos baseados em evidências. Significa continuar ampliando o nosso olhar.

6. E ampliar o olhar significa compreender que nenhuma intervenção acontece fora de um contexto. História de vida, cultura, comunidade e condições de vida fazem parte da pessoa que está diante de nós.

7. Não é preciso escolher entre ciência e humanidade. É preciso fazer melhor uso da ciência para cuidar melhor de pessoas reais. Precisamos compreender melhor a pessoa para usar melhor aquilo que a ciência já nos oferece.

8. Esse é uma das responsabilidades mais importantes da Psicologia hoje: continuar aprendendo, atualizando as práticas/intervenções e ampliando a compreensão sem perder de vista quem está na sua frente.

12/08/2026

Sherry Turkle, pesquisadora do MIT, usou a expressão “sozinhos, juntos” para falar de um paradoxo que se tornou cada vez mais presente: nunca tivemos tantos recursos para nos conectar e, ainda assim, podemos nos sentir cada vez menos encontrados pelo outro.

Essa reflexão esteve presente na minha participação, no último domingo, no Globo Comunidade, ao lado de outros dois convidados, quando conversamos sobre solidão e solitude.

Mas existe uma pergunta anterior a tudo isso:

Com quem, de fato, podemos baixar a guarda?

Porque conexão não se mede pelo número de conversas, mensagens, seguidores ou pessoas ao redor. Ela aparece quando existe espaço para troca, reciprocidade, confiança e a sensação de que podemos ser nós mesmos sem precisar performar o tempo inteiro.

É justamente aí que alguns cansaços merecem ser olhados com mais cuidado. Nem sempre precisamos apenas diminuir a agenda. Às vezes, precisamos reaproximar pessoas, recuperar vínculos e voltar a ocupar espaços onde existe encontro de verdade.

O vídeo nasceu antes da entrevista, mas as duas reflexões se encontraram no mesmo ponto: Saúde também é aquilo que acontece entre nós.

Assista e depois me conte: Você tem hoje alguém com quem consegue realmente ser você, sem precisar parecer bem o tempo todo?

04/08/2026

Eu e as minhas ideias. Porém, garanto, vale a pena ouvir. Entretanto, antes leia esse texto por aqui. Pode ser?

As árvores mais antigas raramente permanecem exatamente iguais ao longo dos anos. Elas crescem em novas direções, fortalecem alguns galhos, deixam outros para trás e aprofundam as raízes para continuar sustentando a copa. Não é mesmo?

O desenvolvimento humano também segue esse movimento. Crescer não depende apenas do tempo. Depende da capacidade de responder às mudanças que cada etapa da vida apresenta. Já percebeu que venho falando mais sobre isso?

O psiquiatra e pesquisador George Vaillant, por décadas diretor do Harvard Study of Adult Development, escreveu que amadurecimento envolve adaptar-se às diferentes estações da vida preservando aquilo que dá sentido à existência. A solidez não nasce da rigidez. Ela cresce da capacidade de continuar aprendendo.

Cada fase traz perguntas diferentes. O vídeo de hoje é um convite para refletir sobre as respostas que a sua vida está pedindo neste momento. Vem comigo?

No meu consultório onde realizo sessões de psicoterapia, é comum  eu ouvir pessoas dizerem que estão cansadas, sobrecarr...
23/07/2026

No meu consultório onde realizo sessões de psicoterapia, é comum eu ouvir pessoas dizerem que estão cansadas, sobrecarregadas ou enfrentando momentos difíceis.

Muitas vezes, para avaliar, entender e orientar, conversamos sobre sono, alimentação, atividade física, habilidades socioemocionais, infância, família, trabalho, forças de caráter e manejo do estresse. Todos esses aspectos são importantes. Porém, existe outro componente da vida que merece atenção: a qualidade das nossas relações sociais.

O Harvard Study of Adult Development, uma das pesquisas mais longas já realizadas sobre desenvolvimento humano, mostra que boas relações estão fortemente associadas à saúde, ao bem-estar e à satisfação com a vida. Robert Waldinger, coordenador, resume esse achado de forma simples: "Boas relações nos mantêm mais felizes e mais saudáveis."

Na mesma direção, a pesquisadora Julianne Holt-Lunstad demonstrou que o isolamento social está associado a um aumento importante do risco de adoecimento e mortalidade, reforçando que conexões humanas são parte do cuidado com a saúde.

Como falei em vídeo postado recentemente, na vida adulta, amizades raramente acontecem por acaso. Elas precisam ser cultivadas. Quem sabe uma mensagem enviada hoje, um café marcado nesta semana ou alguns minutos de presença verdadeira na realidade não sejam mais do que gentilezas? Quem sabe?

Podem inclusive ser uma forma concreta de cuidar da própria saúde mental e da saúde de quem caminha ao seu lado. Será?

Diz aqui a sua opinião, por favor. E se quiser leia as mensagens que deixei com todo cuidado nas imagens desse carrossel...

20/07/2026

Quais amizades você gostaria que ainda estivessem ao seu lado daqui a dez anos? E o que tem feito hoje para cultivá-las?

A vida não se sustenta sozinha. O que realmente importa precisa ser percebido, cuidado e cultivado ao longo do tempo.

O que aconteceu com o nosso tempo? Ele encheu a agenda desde quando? Trouxe trabalho, filhos, responsabilidades e fez da amizade uma escolha, não mais um acaso? Será? Você percebe assim?

Amizade é como planta. Ninguém floresce só porque um dia foi regada. Entendeu?

No vídeo de hoje, falo sobre por que fazer amigos parece mais difícil na vida adulta e o que a ciência (por exemplo: Arthur Aron, Robert Waldinger) tem a dizer sobre isso.

Vem comigo?! Assista até o final. E depois, me conta: existe alguma amizade que você vem adiando cultivar?

"O homem que move uma montanha começa carregando pequenas pedras." (Confúcio)Talvez o perfeccionismo nos faça esquecer j...
17/07/2026

"O homem que move uma montanha começa carregando pequenas pedras." (Confúcio)

Talvez o perfeccionismo nos faça esquecer justamente disso. Ele nos convence de que só vale a pena agir quando tudo estiver impecável. Que errar diminui nosso valor. Que revisitar mais uma vez, controlar mais um detalhe ou esperar mais um pouco nos deixará mais preparados.

Mas, paradoxalmente, é essa busca incessante pelo "perfeito" que muitas vezes nos impede de experimentar aquilo que realmente promove crescimento: a prática, o aprendizado e a possibilidade de rever o caminho.

A ciência tem mostrado que o problema não está em gostar de fazer um bom trabalho ou em ter padrões elevados. O problema surge quando esses padrões deixam de orientar nossas ações e passam a governar nossa autoestima.

É quando o erro deixa de ser uma oportunidade de aprendizagem e passa a ser interpretado como uma ameaça à própria identidade.

Foi justamente por isso que decidi preparar este carrossel. Não para incentivar as pessoas a serem menos comprometidas. Mas para refletirmos sobre uma pergunta que, na clínica, faz toda a diferença:

Em que momento a busca por qualidade deixa de impulsionar o crescimento e começa a alimentar o sofrimento?

Se essa pergunta fez sentido para você, percorra cada imagem com calma.

Talvez você descubra que o perfeccionismo tem muito menos relação com fazer tudo perfeitamente... e muito mais com o medo de não ser suficiente.

Leituras que fundamentam esse tema:

Hewitt, P. L., & Flett, G. L. (1991; 2022).
Shafran, R., Cooper, Z., & Fairburn, C. G. (2002).
Egan, S. J., Wade, T. D., & Shafran, R. (2011).

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