08/09/2026
Nesta terça-feira (8/9/2026), nos despedimos, com profundo sentimento de gratidão, da querida Zélia Amador de Deus, uma das principais referências da luta antirracista brasileira, especialmente na Amazônia.
Professora emérita da UFPA, pesquisadora, artista e ativista, Zélia (com
74 anos) é considerada uma das mais importantes vozes contra o racismo no Pará e no país. 
Nascida no território quilombola de Mangueiras, em Salvaterra, no Marajó (PA), construiu uma trajetória ligada à Universidade Federal do Pará, ao movimento negro e à defesa de políticas de ações afirmativas. Sua atuação de mais de cinco décadas foi marcada pela organização do movimento negro, pela defesa das comunidades quilombolas e pela transformação da universidade pública em um espaço mais diverso.  
Na UFPA, chegou ao cargo de vice-reitora entre 1993 e 1997, tornando-se a primeira reitora negra de uma universidade brasileira. Em 1980, esteve entre os fundadores do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), além de ter ajudado a criar o Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e o Grupo de Estudos Afro-Amazônico na universidade. 
Atriz, escritora e diretora de teatro, publicou a obra “Caminhos Trilhados na Luta Antirracista”, sobre sua trajetória de mobilização e enfrentamento ao racismo. Foi também oradora na Conferência de Durban, da ONU.  
Zélia nos ensinou que “enquanto houver racismo, não haverá democracia. O racismo é o que está na origem de todas as desigualdades existentes no país.”
Zélia deixa um legado que atravessa a universidade, o movimento negro e a luta quilombola na Amazônia.