Psicólogo Gabriel Fernandes Oliveira / Ribeirão Preto - SP

Psicólogo Gabriel Fernandes Oliveira / Ribeirão Preto - SP Sou Psicólogo Clínico formado pela USP-RP. Trabalho com Psicanálise e Orientação Profissional.

Desenhos animados são ótimas ferramentas pra tratar temas difíceis. Nesse texto falo um pouco do potencial ético-reflexi...
27/09/2023

Desenhos animados são ótimas ferramentas pra tratar temas difíceis. Nesse texto falo um pouco do potencial ético-reflexivo de One Piece e como isso pode ter a ver com psicanálise.

O maior desafio que vejo em escrever sobre psicanálise em relação a histórias é manter o tom de sinopse, sem entregar grandes spoilers. Falar de One Piece é particularmente desafiador nesse sentido, já que é uma obra que tem 26 anos e ainda não terminou. Sou fã de tal forma que entendo que...

Estava refletindo sobre como a palavra dependência nos acompanha em situações críticas.Fiz algumas observações sobre dil...
24/07/2023

Estava refletindo sobre como a palavra dependência nos acompanha em situações críticas.

Fiz algumas observações sobre dilemas que envolvem esse assunto

Tenho refletido sobre como questões sobre dependência aparecem de diferentes formas: dependência emocional, dependência financeira, vícios comportamentais e químicos são exemplos dos que mais escuto. Apesar de bem diferentes, e específ**as na história de cada um, as formas de dependência e...

Estudar a linguagem é um caminho que oferece vários momentos interessantes. Um dos momentos que mais me intriga é quando...
02/06/2022

Estudar a linguagem é um caminho que oferece vários momentos interessantes. Um dos momentos que mais me intriga é quando a palavra escapa.

Comecei a reparar mais nisso durante a análise, mas acontece também em outros momentos que falo ou escrevo.

É um momento específico que não é nem o "deu branco", nem o "esqueci", é a ponta da língua.

Sem encontrar a palavra só resta o que eu quero dela, é isso que segura ela na ponta da língua. Eu preciso dessa palavra pra alguma coisa e é só o que sei quando ela escapa.

Nessa hora qualquer palavra parece distante. A linguagem mostra sua incompletude, mas mesmo assim fico procurando a palavra que nem sei mais se eu sabia qual era.

As vezes desisto, as vezes insisto, as vezes aceito a que vier. São movimentos na análise que não tem a ver só com o uso das palavras, mas que esse uso consegue revelar.

Aquilo que a gente quer, que insiste, que desiste, que aceita e que não aceita...

Conforme Byung-Chul Hang avança no desenvolvimento de suas ideias f**a mais evidente como ele fala a partir de um recort...
24/05/2022

Conforme Byung-Chul Hang avança no desenvolvimento de suas ideias f**a mais evidente como ele fala a partir de um recorte de mundo específico, o europeu metropolitano.

Quando observamos a sociedade brasileira, encontramos aspectos tanto da sociedade disciplinar quanto da sociedade do desempenho. Isso f**a mais nítido quando consideramos a violência ambígua que acompanha a desigualdade social. Grupos mais vulneráveis f**am sujeitos tanto à violência disciplinar quanto à violência do desempenho.

Nesse capítulo o autor desenvolve a ideia de liberdade paradoxal que viria do sentimento de liberdade experimentado a partir da auto-exploração, a ponto de dificultar a distinção entre o explorador e o explorado.

A mudança da disciplina para o desempenho viria da percepção de que a positividade do poder é mais eficiente que a negatividade do dever para elevar a produtividade. Se você pode, você deve. O conflito de interesses, como algo que reduz o desempenho, desaparece. Você se explora porque "quer" e não pelas condições colocadas a partir de interesses de outros sobre sua produtividade.

O autor relaciona os adoecimentos psíquicos da sociedade do desempenho como derivações dessa liberdade paradoxal. Os indivíduos se veriam obrigados
a obedecer a si mesmos, ao mesmo tempo orientados por ideais de iniciativa, proatividade e aumento ilimitado de desempenho que vem das expectativas sociais (do Outro, talvez?).

A síndrome de seria um adoecimento relacionado a esses fenômenos e foi incluído como doença ocupacional pela OMS em 01/01/2022.

O sujeito seria aquele exausto de ter que ser ele mesmo e de estar em constante luta consigo mesmo para aumentar seu desempenho.

Esse capítulo nos convida a refletir em que medida esses ideais de ter um bom e uma excessivamente dedicada ao são, de fato, nossos. Os mesmos grupos que se beneficiam do aumento ilimitado da produtividade continuam se beneficiando, só que agora a cai sobre os indivíduos com a aparência de e ...

18/05/2022

Alguns versos desse poema são suficientes pra me deixar pensando um tempo.

Esse trecho nos convida a refletir sobre a sensação de anonimato que a modernidade anunciava há décadas atrás. Ser alguém entre milhões...

O mais intrigante é a provocação "E se soubessem quem é, o que saberiam?"

Quando digo que sei quem é alguém, o que sei dessa pessoa? Pra dizer quem alguém é sempre recorremos a saberes incompletos.

Conhecer uma única pessoa, em uma única janela já tem seus desafios, imagine quando consideramos uma modernidade líquida onde o ideal é olhar para mais janelas do que sustentar a atenção olhando uma... É como se a curiosidade de saber fosse substituída pela pressa em classif**ar ou julgar.

Podemos pensar nas telas como lugares através dos quais julgamos e somos julgados pelas nossas janelas. Quando dizemos que sabemos quem é alguém olhando pela tela do celular, o que sabemos? 🤔

A imagem inicial desse post não fala de um   real, mas poderia ser. É instigante a forma como   se debruça sobre os esqu...
09/05/2022

A imagem inicial desse post não fala de um real, mas poderia ser.

É instigante a forma como se debruça sobre os esquecimentos de seus pacientes, colegas e seus próprios. Mesmo aquela pequena confusão, boba e sem sentido, vai se mostrando signif**ativa através da associação livre e chega a questões mais delicadas.

O livro Sobre a Psicopatologia da vida cotidiana oferece centenas de exemplos de atos falhos. Trocas de palavras, esquecimentos, gestos e ações que podem parecer sem grandes signif**ados mas se conectam com uma linha histórica importante, um signif**ado particular e oculto nas entrelinhas. É impressionante quantos detalhes Freud percebeu e descreveu nas ações das pessoas, quanta suspeita sustentou pra se abrir ao desconhecido.

O contato com esse livro, num primeiro momento, me deixou alerta com qualquer lapso ou esquecimento que eu tivesse. Me peguei diversas vezes querendo justif**ar meus atos falhos, o que deixava eles ainda mais evidentes. Essa tentativa frustrada de controle foi aos poucos substituída pela sensação de ter sido vencido pelo inconsciente.

"Não tenho controle do que lembro ou esqueço. Não tenho controle nem dos motivos pelos quais esqueci"

Mais aí que tá o ponto, mesmo sem saber quais são meus motivos inconscientes, sei que eles existem.

A análise me deixa conformado que sou um ser que comete lapsos, tropeços e equívocos, ao mesmo tempo curioso sobre meus motivos para cada um deles. Faço análise porque é o lugar que acolhe e incentiva minhas inquietações com meus motivos inconscientes até trazê-los a tona.

Não ter controle é diferente de não saber. Faz alguma diferença estar advertido dos motivos que não conhecemos mas guiam nossas ações.

03/05/2022

Primeiro a citação é verdadeira. Há diversas falsas citações de circulando por aí. Essa é parte do livro Paixão segundo G.H. de 1964. Cheguei nessa leitura depois de ouvir o último episódio do podcast Meu inconsciente Coletivo.

O que mais gosto na escrita da Clarice é o espaço que ela sustenta entre ler e entender. Quando diz que compreende, entende, sabe algo, logo em seguida já critica as noções de compreensão, entendimento e saber. Parece que ela consegue falar sobre aquilo que não pode ser dito. E sem firula. Cada frase é um apontamento direto pro viver que escapa à linguagem. Paradoxalmente tudo que ela tem pra apontar pra esse viver é a linguagem.

"Não quero que me seja explicado o que de novo precisaria da validação humana para ser interpretado".
"Como eu poderia dizer sem que a palavra mentisse por mim?"

Poderia f**ar colocando frases e frases... Mas acho que o legal desse livro é a experiência bela que proporciona na medida em que não pode ser descrita. Falar dele é aumentar a fronteira do que não é possível falar. Talvez só por isso já vale a pena...

No primeiro livro dos Seminários Lacan alerta sobre os perigos de compreender rápido demais. Uma certa recusa à essa compreensão inicial abre espaço para escutar o que há além. Talvez exista uma similaridade entre esse além do discurso na análise e o além da compreensão que Clarice menciona... 🤔

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