09/05/2022
A imagem inicial desse post não fala de um real, mas poderia ser.
É instigante a forma como se debruça sobre os esquecimentos de seus pacientes, colegas e seus próprios. Mesmo aquela pequena confusão, boba e sem sentido, vai se mostrando signif**ativa através da associação livre e chega a questões mais delicadas.
O livro Sobre a Psicopatologia da vida cotidiana oferece centenas de exemplos de atos falhos. Trocas de palavras, esquecimentos, gestos e ações que podem parecer sem grandes signif**ados mas se conectam com uma linha histórica importante, um signif**ado particular e oculto nas entrelinhas. É impressionante quantos detalhes Freud percebeu e descreveu nas ações das pessoas, quanta suspeita sustentou pra se abrir ao desconhecido.
O contato com esse livro, num primeiro momento, me deixou alerta com qualquer lapso ou esquecimento que eu tivesse. Me peguei diversas vezes querendo justif**ar meus atos falhos, o que deixava eles ainda mais evidentes. Essa tentativa frustrada de controle foi aos poucos substituída pela sensação de ter sido vencido pelo inconsciente.
"Não tenho controle do que lembro ou esqueço. Não tenho controle nem dos motivos pelos quais esqueci"
Mais aí que tá o ponto, mesmo sem saber quais são meus motivos inconscientes, sei que eles existem.
A análise me deixa conformado que sou um ser que comete lapsos, tropeços e equívocos, ao mesmo tempo curioso sobre meus motivos para cada um deles. Faço análise porque é o lugar que acolhe e incentiva minhas inquietações com meus motivos inconscientes até trazê-los a tona.
Não ter controle é diferente de não saber. Faz alguma diferença estar advertido dos motivos que não conhecemos mas guiam nossas ações.