13/08/2026
Na semana passada, mostrei que um raio-X normal após uma queda nem sempre encerra a investigação.
Hoje, o outro lado: uma ressonância alterada também não decide sozinha o tratamento.
Uma lesão do manguito rotador pode ter significados muito diferentes. Uma ruptura recente após um trauma, acompanhada de perda de força, não é a mesma situação de uma alteração degenerativa de evolução lenta e com a função preservada.
Na decisão, avaliamos:
• como e quando os sintomas começaram;
• dor, força e limitação funcional;
• extensão e retração da lesão;
• qualidade do tendão e da musculatura;
• demanda do braço e resposta ao tratamento clínico.
Em lesões sintomáticas pequenas ou médias, tanto o tratamento clínico quanto o cirúrgico podem melhorar a dor e a função quando bem indicados.
A reabilitação estruturada pode ser a estratégia adequada em muitos casos. Ao mesmo tempo, a melhora dos sintomas não garante que o tendão permanecerá inalterado: algumas lesões podem aumentar ao longo dos anos e evoluir com atrofia muscular e infiltração gordurosa.
Por isso, nem a presença da lesão obriga automaticamente uma cirurgia, nem a melhora da dor autoriza observar indefinidamente todos os casos.
A imagem orienta. A avaliação define a estratégia.
Se a ressonância mostrou uma lesão do manguito, a próxima pergunta não é apenas “precisa operar?”, mas qual estratégia oferece o melhor equilíbrio entre alívio, função e preservação do tendão no seu caso.