05/08/2026
"A prática não é nunca se distrair. A prática é voltar, com amor, todas as vezes."
Às vezes pensamos que meditar significa não sermos interrompidos: Silêncio. Imobilidade. Nada acontecendo.
Mas hoje a vida contribuiu comigo, a mostrar "SEM MISTÉRIOS", algo diferente.
Sentei para meditar e, antes mesmo de fechar completamente os olhos, o Zeca veio meu pé e começou a cantar.
Durante alguns instantes, minha atenção saiu da respiração e foi para aquele pequeno ser celebrando a própria existência.
E sabe de uma coisa?
Não havia problema algum nisso.
O yôga não nos convida a rejeitar a vida para encontrar presença.
Ele nos convida a estar presentes para a vida.
Existe um conceito chamado SANTOSHA, o contentamento. Não é resignação. Não é acomodação. É a capacidade de reconhecer a beleza do instante exatamente como ele é.
Naquele momento, SANTOSHA era ouvir aquele canto. Era sorrir. Era perceber a simplicidade da vida acontecendo diante de mim.
E existe outro ensinamento igualmente importante: TAPAS.
TAPAS é o fogo da disciplina. É aquilo que nos faz retornar ao caminho escolhido. Porque, se eu permanecesse apenas contemplando minha calopsita durante toda a manhã, talvez aquilo que começou como presença se transformasse em distração.
Percebe a sutileza?
O yôga não pede que você rejeite o momento. Também não pede que você permaneça preso a ele. Ele convida a viver plenamente... e, depois, voltar.
Voltar à respiração.
Voltar ao corpo.
Voltar à intenção.
Entre a rigidez de ignorar a beleza da vida e a dispersão de esquecer completamente o propósito, existe um caminho do meio.
É nele que mora a prática.
Talvez seja por isso que a disciplina verdadeira não seja permanecer imóvel. Seja desenvolver a capacidade de retornar.
Retornar uma vez. Depois outra. E outra. Sem culpa. Sem violência. Com amor. Porque cada retorno fortalece a consciência.
Hoje, meu mestre foi o Zeca 🐥.
Ela me lembrou de celebrar o instante. E o yôga me lembrou de voltar para mim.
Talvez a prática não seja evitar as distrações. Talvez a prática seja descobrir que podemos acolher a vida com carinho... sem perder a