Dr. André Boin - Psiquiatra em Ribeirão Preto

Dr. André Boin - Psiquiatra em Ribeirão Preto Médico psiquiatra e psicoterapeuta.

Psiquiatra e mestrando USP - RP
Especialista em Psiquiatria de Cuidados Agudos e Intervenção Precoce
Estágios HARVARD e University of Chicago
Atendimento em Ribeirão Preto e região.

21/07/2026

Depressão resistente: trocar ou potencializar?

Cerca de 30% dos pacientes com depressão não apresentam resposta completa ao primeiro antidepressivo.

Isso não signif**a, necessariamente, que o tratamento “falhou”. Em muitos casos, é preciso revisar o diagnóstico, a dose, o tempo adequado de uso, comorbidades, sono, uso de substâncias, risco de bipolaridade e outros fatores clínicos.

Quando a resposta é parcial, uma das estratégias possíveis é a potencialização: associar uma medicação adjuvante ao antidepressivo em pacientes selecionados.

No APA 2026, em San Francisco, uma das discussões envolveu o uso de antipsicóticos atípicos como adjuvantes na depressão resistente, incluindo o brexpiprazol.

O ponto central não é apenas eficácia.
Tolerabilidade também importa.

Em tratamentos de longo prazo, efeitos como sedação, agitação, sintomas motores, alterações metabólicas ou hormonais podem interferir diretamente na adesão e na continuidade do tratamento.

Por isso, a escolha de um adjuvante precisa considerar não apenas “o que funciona”, mas também para quem funciona, em qual contexto e com qual perfil de tolerabilidade.

Tratamento de depressão resistente exige raciocínio clínico individualizado. Não é apenas adicionar medicações.

Conteúdo informativo. Não inicie, suspenda ou ajuste medicações por conta própria. A avaliação médica individualizada é indispensável.

17/07/2026

Lítio em idosos: o exame pode estar “normal”, mas o alvo pode não ser o ideal para aquela idade.

No APA 2026, em San Francisco, um dos temas discutidos foi a necessidade de interpretar a litemia em idosos com mais cautela.

O lítio continua sendo uma medicação importante na manutenção do transtorno bipolar, inclusive em idosos. Mas, com o envelhecimento, a função renal muda, a farmacocinética se altera e a margem entre benefício e efeitos indesejados f**a mais estreita.

Um consenso Delphi da Sociedade Internacional de Transtorno Bipolar, a ISBD, recomenda faixas terapêuticas específ**as por idade:

📌 60 a 79 anos: 0,4 a 0,8 mmol/L
📌 Acima de 80 anos: 0,4 a 0,7 mmol/L

Na prática, isso signif**a que um nível considerado adequado para um adulto pode estar acima do alvo recomendado para um paciente idoso.

Isso importa porque níveis inadequados para a idade podem se manifestar como tremor, instabilidade postural, alterações cognitivas ou sintomas motores — sinais que, muitas vezes, podem ser confundidos com envelhecimento, doença neurológica ou outra condição psiquiátrica.

A mensagem principal não é suspender ou reduzir o lítio por conta própria.
É interpretar a litemia dentro do contexto clínico: idade, função renal, sintomas, dose, interações medicamentosas e objetivo terapêutico.

Conteúdo informativo. A avaliação médica individualizada é indispensável.

Se você tem um familiar idoso em uso de lítio, converse com o psiquiatra sobre qual alvo terapêutico está sendo utilizado.

APA2026 Psicofarmacologia

14/07/2026

Antipsicóticos injetáveis de longa ação: por que ainda são tão pouco discutidos?

Em quadros como esquizofrenia e transtorno bipolar, a continuidade do tratamento pode ser decisiva para reduzir o risco de recaídas, internações e perda de funcionamento.

Os antipsicóticos de longa ação injetável, também chamados de LAIs ou medicações de depósito, são uma estratégia que pode ajudar alguns pacientes a manter maior regularidade no tratamento.

O ponto central é adesão.

Em esquizofrenia, estudos mostram que a não adesão ao antipsicótico oral pode chegar a 40–50%, e algumas revisões apontam mediana próxima de 55%.

Isso importa porque a interrupção do tratamento pode aumentar o risco de recaídas, hospitalizações, sofrimento familiar e prejuízo funcional.

Ainda assim, muitos pacientes, familiares e até profissionais associam a medicação injetável à gravidade da doença, como se fosse um recurso de último caso.

Mas, em pacientes selecionados, ela pode ser discutida antes — não por gravidade, mas por prevenção.

Não é uma estratégia para todos. A decisão precisa considerar diagnóstico, histórico de recaídas, resposta prévia, efeitos colaterais, preferências do paciente e acompanhamento médico.

Conteúdo informativo. A avaliação médica individualizada é indispensável.

Se esse tema pode ajudar alguma família, compartilhe este vídeo.

SaudeMental APA2026 Psicofarmacologia

09/07/2026

Um dos maiores avanços da psiquiatria em décadas no tratamento da esquizofrenia acabou de ser aprovado nos Estados Unidos.

A combinação de xanomelina + tróspio foi aprovada pelo FDA em 2024 para o tratamento da esquizofrenia em adultos.

O ponto mais importante não é apenas ser uma nova medicação — é o mecanismo de ação.

Por décadas, a maior parte dos antipsicóticos teve como eixo central a dopamina, especialmente os receptores D2. Essa via é fundamental no tratamento de sintomas como delírios e alucinações.

Mas sintomas negativos, como apatia, isolamento, falta de motivação e embotamento emocional, continuam sendo um dos grandes desafios no tratamento da esquizofrenia.

A combinação de xanomelina + tróspio atua por outro caminho: o sistema muscarínico, especialmente os receptores M1 e M4.

Isso não signif**a que seja uma solução para todos, nem que substitua automaticamente os tratamentos atuais. Mas representa uma mudança conceitual importante: tratar a esquizofrenia por caminhos neurobiológicos diferentes.

O medicamento ainda não está registrado no Brasil.

Conteúdo informativo. A avaliação médica individualizada é indispensável.

Se esse tema pode ajudar alguma família, compartilhe este vídeo.

APA2026 Xanomelina Trospio

07/07/2026

Você tem TDAH e sente que as manhãs são uma das partes mais difíceis do dia?

Acordar, se organizar, iniciar tarefas, preparar os filhos ou sair no horário pode ser um desafio antes mesmo da medicação começar a fazer efeito.

Estudos sobre TDAH mostram que o início da manhã pode ser uma janela importante de prejuízo funcional, especialmente em crianças e adolescentes.

No APA 2026, em São Francisco, esse foi um dos temas discutidos: como tratar melhor os sintomas do TDAH nos diferentes momentos do dia — inclusive nas primeiras horas da manhã.

Nos Estados Unidos, existe uma formulação específ**a de metilfenidato com liberação retardada e prolongada, pensada para ser tomada à noite e começar a agir no dia seguinte.

Importante: isso não signif**a tomar qualquer estimulante à noite. Trata-se de uma formulação específ**a, ainda não disponível da mesma forma no Brasil, e que exige avaliação médica individualizada.

No TDAH, não basta perguntar se a medicação funciona. Também é preciso entender em que horário os sintomas mais atrapalham a vida do paciente.

Você sente que o começo do dia é uma das partes mais difíceis no TDAH?

APA2026

02/07/2026

Medicamentos usados para obesidade e diabetes podem interferir no tratamento com lítio?

Esse foi um dos alertas discutidos no APA 2026, em São Francisco, e é especialmente relevante para pacientes com transtorno bipolar em uso de lítio.

Os medicamentos da classe SGLT2, como empagliflozina e dapagliflozina, podem aumentar a eliminação renal do lítio e reduzir seus níveis no sangue. Isso pode diminuir a eficácia do tratamento e aumentar o risco de instabilidade do humor ou recaída.

Já medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro podem trazer outro tipo de preocupação: náuseas, vômitos, redução da ingestão de líquidos e desidratação podem favorecer níveis mais altos de lítio e maior risco de toxicidade.

A mensagem principal não é interromper nenhuma medicação por conta própria. É monitorar.

Se você usa lítio e vai iniciar um medicamento para obesidade ou diabetes, converse com seus médicos e avalie a necessidade de checar a litemia antes e depois do início.

Você já tinha ouvido falar dessa interação?

Psiquiatria SaudeMental APA2026

30/06/2026

Uma medicação usada na doença de Parkinson vem sendo estudada como adjuvante em alguns casos de depressão resistente: o pramipexol.

Em 2025, um estudo publicado no The Lancet Psychiatry avaliou 150 pacientes com depressão resistente. O pramipexol, usado como adjuvante ao antidepressivo, mostrou maior redução de sintomas em comparação ao placebo ao longo de 12 semanas.

O interesse está no seu mecanismo dopaminérgico, relacionado à motivação, energia e capacidade de sentir prazer.

Por isso, esse mecanismo pode ser relevante em alguns subgrupos de depressão resistente marcados por anedonia, apatia e amotivação — ou falta de motivação.

Esse tema conversa diretamente com meu doutorado em Neurociências pela USP, em que estudei anedonia e amotivação em pacientes com depressão.

Importante: o pramipexol não é indicado para todos os pacientes e não deve ser usado sem avaliação médica individualizada.

Você acha que sintomas como falta de prazer e falta de motivação deveriam pesar mais na escolha dos tratamentos? Comente sua opinião.

Neurociencia

25/06/2026

Será que um exame de sangue pode ajudar a entender melhor alguns casos de depressão?

Um dos marcadores mais estudados é a PCR, uma proteína relacionada à inflamação no corpo.

A literatura sugere que uma parte dos pacientes com depressão apresenta sinais de inflamação de baixo grau — e esse subgrupo pode ter características clínicas e resposta ao tratamento diferentes.

Isso não signif**a que a PCR diagnostique depressão. Mas ela pode ajudar a identif**ar subgrupos, orientar pesquisas e abrir caminho para uma psiquiatria mais personalizada.

Esse tema conversa diretamente com meu doutorado em Neurociências pela USP, em que estudei marcadores inflamatórios em pacientes com depressão.

Você acha que exames de sangue podem ter um papel maior na psiquiatria do futuro? Comente sua opinião.

17/06/2026

60% das depressões podem estar sendo tratadas de forma errada.

No congresso APA 2026 em San Francisco, o Dr. Nassir Ghaemi, de Harvard, apresentou um dado que muda completamente a forma como entendemos a depressão: a maioria dos episódios que chamamos de depressão não são depressão pura — são estados mistos.
Depressão com agitação, irritabilidade, pensamento acelerado ou insônia grave acontecendo ao mesmo tempo.
O problema começa no próprio diagnóstico. Pelo DSM-5 atual, apenas 10 a 20% dos casos são identif**ados corretamente — porque os critérios excluem justamente os sintomas mais comuns: agitação e irritabilidade.
E a consequência é grave: 51% das depressões mistas foram induzidas pelo uso de antidepressivos. O tratamento errado pode estar piorando o quadro que deveria tratar.
Reconhecer um estado misto é fundamental — tanto para quem trata quanto para quem vive com a doença. Identificá-lo corretamente pode ser o que faltava para a melhora que ainda não veio.

📌 Acompanhe a série completa de atualizações da APA 2026.

16/06/2026

Análogos de GLP-1 (Ozempic, Mounjaro, Wegovy) qual relação com saúde mental? O que os estudos mostratram no congressso APA 2026"

No congresso APA 2026 em San Francisco, um tema surpreendeu: os análogos do GLP-1 — Ozempic, Wegovy, Mounjaro — podem ter efeitos diretos sobre o humor, independentemente da perda de peso.
Um estudo publicado no JAMA Psychiatry em 2026 mostrou que a semaglutida reduziu a anedonia e melhorou a motivação em pacientes com depressão — sem relação com o emagrecimento. Receptores GLP-1 estão presentes no córtex pré-frontal e no hipocampo, áreas centrais na regulação do humor.
Ainda não é uma indicação psiquiátrica formal — mas os dados são promissores. Essa pode ser uma das grandes viradas da psiquiatria na próxima década.
💬 Você já percebeu melhora do humor com esses medicamentos?
📌 Acompanhe minha série completa de atualizações da APA 2026.

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R. Galileu Galilei, 1800/Sala 701
Ribeirão Prêto, SP
14024-193

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