16/07/2026
A separação do casal, representa uma experiência marcante para o filho, pois as figuras parentais constituem a base de sua segurança afetiva e da construção de sua identidade. Françoise Dolto ressalta que a criança é sensível não apenas ao que é dito, mas também ao clima emocional da família, percebe tensões, silêncios e conflitos que muitas vezes os adultos acreditam conseguir esconder.
Quando a separação não é explicada de forma clara, a criança pode interpretar a situação de maneira equivocada, chegando a acreditar que seus comportamentos ou até mesmo sua existência contribuíram para o rompimento da relação entre os pais. Esse sentimento de culpa, frequentemente inconsciente, pode favorecer o surgimento de insegurança, sofrimento emocional e dificuldades em seu desenvolvimento.
O fator determinante para o bem-estar da criança não é a separação em si, mas a maneira como os pais lidam com esse processo. Para ela, é fundamental conversar com a criança de forma sincera, utilizando uma linguagem compatível com sua idade, sem omitir a realidade ou menosprezar sua capacidade de compreensão. Também é indispensável reforçar que a decisão da separação pertence aos adultos e que os filhos não tem qualquer responsabilidade por esse acontecimento.
Além disso, a criança precisa sentir que continuará recebendo amor, cuidado e atenção de ambos os pais e que seus vínculos afetivos e sua rotina serão preservados sempre que possível. Essa postura contribui para oferecer segurança, estabilidade e melhores condições para que ela elabore essa importante mudança familiar.
Referencial Bibliográfico:
HELLINGER, Bert. Olhando para a alma das crianças.
Belo Horizonte: Atman, 2015
MARTINEZ, Ana Laura Moraes. O divã no dia a dia: crônicas do cotidiano sob o olhar da psicanálise. Ribeirão Preto: IELD, 2014.
DOLTO, Françoise. Quando os pais se separam. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1989.