04/09/2026
O lemborexante chegou ao Brasil — e a pergunta não é "é novo?", é "muda alguma coisa?".
Muda o mecanismo. Dr**as Z e benzodiazepínicos potencializam o GABA: é pisar no freio da vigília. Os DORA bloqueiam a orexina — em vez de frear, tiram o combustível que nos mantém acordados.
O que sempre me incomodou nos GABAérgicos não foi fazer o paciente dormir. Foi a saída: tolerância, uso abusivo, rebote, e meses de negociação para desmamar um zolpidem que era "só por uns dias". Nos estudos de registro do lemborexante não houve insônia rebote nem abstinência — e ele aumentou REM e não-REM, ao contrário dos benzos e do zolpidem, que tendem a encurtar o REM
Mas ele segue Schedule IV no FDA, mesma classif**ação do zolpidem. O risco de abuso parece baixo, talvez menor que o dos hipnóticos tradicionais — mas menor não é zero.
No idoso é onde ele mais ganha espaço. A AGS recomenda evitar dr**as Z e benzos nessa população e classif**a os DORA como "mais seguros, mas não completamente seguros".
Na comparação direta, a metanálise em rede de Oxford (170 ensaios) colocou lemborexante e eszopiclona entre os melhores perfis de eficácia e tolerabilidade em 1 ano — tanto para induzir quanto para manter o sono.
É muito bom ter mais uma opção, com mecanismo diferente de tudo que tínhamos. Mas medicação nova não quer dizer, necessariamente, medicação melhor.
O que você pensa sobre a chegada desse novo remédio?
Seu amigo médico conhece ele?
📚 De Crescenzo F, et al. Lancet. 2022;400(10347):170-184. | Yardley J, et al. Sleep Med. 2021;80:333-342 (SUNRISE-2). | AGS Beers Criteria Alternatives Panel. J Am Geriatr Soc. 2025;73(9):2657-2677.