17/08/2026
Tem gente que aprendeu a ser gentil antes mesmo de aprender a perguntar o que queria.
Percebe o que o outro precisa.
Se antecipa.
Resolve.
Cede.
Evita incomodar.
Diz “não tem problema” quando, na verdade, tem.
E talvez você nem perceba o quanto isso cansa.
Porque existe uma diferença entre ser gentil e precisar ser gentil para continuar ocupando determinado lugar na vida de alguém.
A pessoa agradável.
A que entende.
A que não dá trabalho.
A que está sempre disponível.
A que consegue suportar mais um pouco.
Até que, um dia, aparece uma pergunta incômoda
se eu parar de oferecer tanto, ainda vão gostar de mim?
É aí que a gentileza pode deixar de ser apenas uma qualidade e começar a funcionar como combustível(gozo).
Combustível para ser aceita.
Para evitar conflitos.
Para não decepcionar.
Para continuar sendo necessária.
Na psicanálise, não interessa apenas aquilo que você faz.
Interessa também o que se repete por trás daquilo que você faz.
Talvez você não esteja sendo gentil porque quer.
Talvez esteja tentando garantir, através da gentileza, que nunca precise descobrir o que acontece quando você simplesmente diz:
“Eu não quero.”
E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis de sustentar:
não ser cruel,
não ser egoísta,
não deixar de amar ninguém.
Apenas descobrir que ser uma pessoa boa não exige estar sempre disponível para o desejo do outro.
se isso também te faz sofrer, o que ainda se satisfaz nessa repetição?
Se você percebe o que faz mas ainda não consegue parar de fazer sozinha, pedir ajuda também é caminho.