26/07/2026
Ontem foi um dia profundamente triste para a comunidade LGBTQIAPN+.
A Marcha do Orgulho em Berlim não é apenas uma celebração. O Christopher Street Day (CSD) realiza-se desde 1979 e tornou-se um dos maiores símbolos europeus de resistência, visibilidade e luta pelos direitos das pessoas LGBTQIAPN+. Ao longo de quase cinco décadas, centenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas para afirmar uma ideia simples, mas poderosa: todas as pessoas merecem viver com dignidade, liberdade e segurança. (Berlin)
Ontem, esse espaço de celebração transformou-se num cenário de violência. Um ataque durante o evento tirou a vida a uma mulher e deixou dezenas de pessoas feridas. (Reuters)
Enquanto profissional de saúde mental, sei que estes acontecimentos não afetam apenas quem esteve presente. Tocam também quem, ao ver as notícias, revive medos antigos, sente a sua segurança abalada ou volta a questionar se existe, de facto, um lugar onde possa simplesmente ser quem é.
É também um lembrete doloroso de que os direitos que hoje temos nunca podem ser dados como garantidos. Cada conquista da comunidade LGBTQIAPN+ foi alcançada através da coragem, da resistência e da persistência de quem veio antes de nós. E a História mostra-nos que nenhuma conquista é irreversível.
Sentir tristeza, medo, revolta ou ansiedade perante acontecimentos como este é uma resposta profundamente humana.
Mas o medo não pode ser aquilo que define a nossa comunidade.
Continuaremos a ocupar os nossos espaços.
Continuaremos a cuidar uns dos outros.
Continuaremos a defender o direito de existir com dignidade, liberdade e segurança.
Hoje choramos a vítima, abraçamos quem ficou marcado por esta tragédia e enviamos toda a nossa solidariedade à comunidade LGBTQIAPN+ de Berlim.
Porque o Orgulho nunca foi apenas uma festa.
Foi, e continua a ser, um ato de resistência. 🏳️🌈🖤