06/10/2026
Ontem, numa sala escura do Centro Cultural FGV, ouvi a história de quatro homens congoleses. Eu saí de lá diferente!
Felly, Prince, Maick e Frank chegaram ao campo de refugiados de Dzaleka, no Malawi, como tantos chegam: sem saber o que viria. Ali, junto com a Fraternidade sem Fronteiras, ajudaram a erguer a Nação Ubuntu. Escola. Comida. Acolhimento. Um lugar.
Ubuntu diz que eu sou porque nós somos.
Saí do cinema pensando que o silêncio de que o título fala talvez nunca tenha sido falta de voz. É falta de escuta. Aprendemos a olhar para a África como paisagem de dor, quase nunca como lugar de pensamento, de organização, de liderança. O filme desloca esse olhar. E deslocar o olhar já é, em alguma medida, reparação.
Muitas das pessoas acolhidas ali são crianças. E não há como medir o que a guerra, a fuga e a fome inscrevem num corpo pequeno. O trauma não cabe em números. Ele atravessa gerações, mora no silêncio, reaparece onde ninguém espera. Cuidar da infância não é caridade. É a única aposta possível num futuro que não repita o passado.
Esse filme chega em tempos sombrios. Depois dessas eleições, ficou difícil não sentir o peso do que ainda sustentamos como país. Por isso ele não é só bonito. É necessário. Movimentos sociais, educadores, pessoas que ainda acreditam que o mundo precisa mudar: vão. Levem gente. Ocupem a sala.
Obrigada, Fraternidade Sem Fronteiras , A Tati, Pri e Dani pelo convite e pela confiança. E ao Andrei Moreira pelo trabalho,convite e trocas! Estar com vocês nas formações antirracistas tem sido também um exercício de escuta, e ontem entendi um pouco mais o porquê.
Obrigada a Paulo Henrique Fontenelle e Iafa Britz por fazerem dessa história cinema. A Felly, Prince, Maick e Frank, por nos deixarem ver. E ao Festival do Rio - Rio de Janeiro Int'l Film Festival , que há tantos anos abre espaço para histórias que o país precisa ouvir. Porque histórias mudam o mundo.
Nação Ubuntu: A voz dos silenciados, Estreia nos cinemas em 12 de novembro. Vão.