Ediane Ribeiro

Ediane Ribeiro Emoções, comportamento, trabalho, relacionamentos, saúde e muito mais! Página administrada pela psicoterapeuta Ediane Ribeiro

24/08/2026

A vergonha traumática é uma experiência corporal, emocional e relacional profundamente aprendida em contextos nos quais a pessoa não conseguiu escapar, se proteger ou preservar seu senso de valor.

Diferente da culpa que diz:
“Fiz algo de errado.”

A vergonha traumática dizer:
“Há algo errado comigo.”

Por isso, não basta tentar combatê-la com pensamentos positivos ou dizer a si mesmo que não deveria se sentir assim.

Lidar com a vergonha começa por deixar de tratá-la como uma verdade sobre quem você é e começar a reconhecê-la como uma resposta aprendida.

É preciso exercitar perceber o impulso de se esconder, se diminuir, se culpar ou desaparecer sem imediatamente obedecer a ele.

Esse trabalho de regulação emocional quando acompanhado de um mergulho mais profundo na própria história e em como a vergonha foi útil no passado para te proteger, aos poucos, ajuda a experimentar algo diferente: poder ser visto sem ser humilhado, estar em relação sem precisar esconder partes de si e descobrir que sentir desconforto em determinadas situações não significa que você não é digno de existir.

A vergonha conta uma história sobre você, mas hoje eu te convido a ser perguntar:

“e se essa história que estou contando sobre mim foi assimilada em momentos de medo, de dor ou a partir de pessoas que também estavam sofrendo? Que outras histórias eu poderia contar sobre mim?”

20/08/2026

O trauma não apenas modifica a forma como olhamos para nós mesmos, como vivemos, respiramos, trabalhamos, lideramos e amamos, como também esgarça o tecido social.

Quanto mais sobrecarregados física e emocionalmente ficamos, mais hostis e indispostos ao vínculo nos tornamos.

A ambição sofre uma distorção.

Não há problema algum em ambicionar conquistas individuais, ao contrário, esse é um impulso importante para caminhar na vida.

Mas quando o estresse traumático passa a reger o funcionamento de uma sociedade, a busca por controle e poder deslocam nossas necessidades de pertencimento, realização e reconhecimento para subjugação e destruição do outro.

Mas, trauma e potência habitam o mesmo castelo e quem guarda a porta de entrada são as nossas emoções.

Recuperar a capacidade de ouvir a voz sem palavras das nossas emoções nos ajuda a recuperar alguma segurança na própria pela e com isso algum discernimento em um contexto social que nos quer algozes de nós mesmos.

*Trechinho da entrevista que dei à querida no Revista CBN de 16/08

Uma cultura organizacional de saúde mental começa quando paramos de procurar culpados e passamos a ampliar a capacidade ...
19/08/2026

Uma cultura organizacional de saúde mental começa quando paramos de procurar culpados e passamos a ampliar a capacidade de avaliar contextos e transformar relações.

18/08/2026

O limite entre se importar e insistir em algo que não é nutritivo para nós ou em relações em que o movimento é unilateral pode ser mais desafiador do que parece.

Investir, tentar, comunicar desconfortos, se importar não deveria nos gerar constrangimento ou mal estar.

Se abrimos mão disso, podemos abandonar vínculos que seriam nutritivos pra nós por estarmos perdendo a habilidade para sustentar honestidade nas relações.

Mas quando esse movimento se encontra com o não movimento do outro lado vale lembrar da frase famosa de Eleonora Duse, frequentemente atribuída à Frida Kahlo "onde não puderes amar, não te demores.”

A ela eu acrescento onde não puderes amar a si e ao outro sem que seja preciso escolher entre um ou outro, sustentar a dor de deixar ir abre espaço para que a vida nos surpreenda. E ela pode nos surpreender com gentileza!

14/08/2026

Quando pessoas cotidianamente no trabalho se sentem obrigadas a colocar um sorriso no rosto e fingir que está tudo bem, independente de como estão se sentindo, desenvolvem o que Susan David chama de atuação superficial.
Em seus estudos ela encontrou uma forte relação dessa evitação emocional com altos índices de burnout e baixos índices de bem-estar.

Ao passo que ambientes em que as pessoas se sentem seguras para abrir mão da atuação superficial e seus valores são considerados estão associados a índices mais altos de bem estar e menores de burnout.

A evitação emocional exige um enorme gasto energético e, portanto, aumenta a carga de estresse no organismo. Além disso, apesar de tentarmos encobrir sentimentos como desmotivação, raiva, frustração e tristeza , eles são facilmente capturados pelas pessoas da equipe e a mensagem que deveria ser de motivação passa a ser de desumanização. É como se você dissesse: suas emoções reais não são bem vindas aqui.

O trabalho não precisa se transformar em um setting terapêutico, basta que as pessoas se sintam seguras o suficiente para não precisarem adotar a atuação emocional superficial dia após dia e isso, por si só, já aumenta a segurança psicológica do ambiente.

Se, somado a isso, existirem espaços estruturados de escuta e compartilhamento, essas emoções deixam de ser obstáculos e se tornam importantes informações para direcionar lideranças e equipes para transformações importantes na organização do trabalho, nos processos, na comunicação ou nos relacionamentos.

12/08/2026

Hoje (12/08) às 14h36, acontece um Eclipse Solar Total no céu. A lua entra em sua fase nova no signo de Leão.

E você não precisa ter nenhuma crença a respeito da influência dos céus sobre nós para continuar a ler esse post, porque meu convite hoje é para uma reflexão a partir do simbólico e não do científico. Afinal, o símbolo, na história da humanidade, sempre ajudou o humano a caminhar em direção a si mesmo.

A imagem simbólica do eclipse de hoje, nas palavras da minha querida Cláudia Lisboa: “carrega uma pausa naquilo que costumamos mostrar, sustentar ou repetir para que possamos reconhecer desejos que ainda não encontraram expressão. Leão fala da presença que nasce do coração, da coragem de criar e da dignidade de assumir o próprio valor.”

Nesse eclipse eu convidei a pequena Di para um papo sobre nossas escolhas e sobre um tanto de coisas nossas que ainda guardamos nas gavetas da nossa alma. O começo desse papo deu origem a esse reels.

Algumas das minhas conversas com a pequena Di ainda ficarão só entre nós duas, mas outras vou deixar transbordar por cá de vez em quando, a partir de hoje e dessa lua nova em Leão. Quem sabe esse recortes do meu querido diário façam sentido pra alguém por aí também!

E você? O que esse eclipse pode te convidar a tirar da gaveta e enxergar com olhos de ver? O que você escolhe levar e o que escolhe deixar daqui em diante?

11/08/2026

A atualização da NR1 tem como importante reconhecimento que Saúde Mental não é uma questão apenas individual.

O ambiente, a organização e carga de trabalho e, principalmente, as relações que se estabelecem nas empresas são fatores que as empresas agora são exigidas de mapear e atuar para a promoção de um ambiente mais saudável e seguro.

Comunicação compassiva, segurança psicológica, respeito aos limites pessoais, prevenção de assédios são alguns dos elementos relacionais impactados por como as pessoas são vistas, escutadas e tem suas emoções consideradas no trabalho.

Com a NR1, as empresas não passam a ser responsáveis por todo e qualquer sofrimento psíquico e emocional dos seus profissionais, mas são responsáveis pelo ambiente que constroem e no qual se desenrolam os enredos emocionais que as pessoas estão tentando sustentar.

07/08/2026

À convite do participei ontem do LIV CONECTA, um dos principais eventos de liderança educacional do País.

Os contextos e desafios vividos nos ambientes de trabalho hoje são muito diferentes dos enfrentados há poucas décadas.

Esse é um dos motivos que tornou necessária a atualização da NR1: norma que regulamenta as medidas para tornar os ambiente de trabalho mais seguros e saudáveis.

No cenário atual é indispensável atuarmos na construção de uma cultura de pensar e sentir nas organizações que contemple as subjetividades, as vulnerabilidades, as conexões e as relações em constante transformação.

E as escolas enfrentam um desafio ainda mais específico, já que são por característica ambientes emocionalmente intensos.

Em uma conversa profunda, realista e ao mesmo tempo emocionante com , levamos ao palco do LIV conecta reflexões sobre esses desafios, sobre os riscos psicossociais para educadores nas escolas e sobre caminhos de cuidar daqueles que se dedicam à principal forma de transformação social que uma sociedade pode ter: a educação.

Agradeço a todas as pessoas envolvidas no evento pelo convite, cuidado e parabenizo pelo fomento a espaços como esse em que ideias, histórias e experiências podem se encontrar para pensar mudanças no presente e projetar futuros mais dignos e seguros para todos nós.

06/08/2026

Estar em espaços onde ideias, histórias e diferentes perspectivas se encontram para pensar o presente e imaginar futuros mais justos e saudáveis reafirma o poder transformador do diálogo.

Nesse tbt de hoje trago as duas mesas que participei na FLIP 2026 , e que me fizeram sair com esse sentimento de que os encontros são a nossa arma para transformação individual e coletiva.

No dia 24/7 estive na Casas Edições Sesc dividindo com e uma conversa que partiu do livro Uma breve imersão: ansiedade para uma conversa que ultrapassou as fronteiras de pensar ansiedade como uma condição individual. Falamos sobre como o tempo que vivemos molda a forma como reagimos, pensamos, nos relacionamos e sobre como isso se entrelaça na ansiedade que não é necessariamente prejudicial até os índices crescentes da ansiedade que nos causa dano.

No dia seguinte, 25/07, estive com e na Casa Poéticas Negras para refletirmos sobre “A Cor das oportunidades: raça, pertencimento e mobilidade no mundo contemporâneo.”

Uma conversa que deixou gostinho de quero mais sobre os desafios, a saúde, mas principalmente a potência de pessoas negras em espaços estratégicos e de decisão. Como trilhar esse caminho cuidando de nós e dos nossos foi a questão que ficou retumbando em mim durante essa mesa.

Agradeço as casas e pessoas envolvidas na organização pelos convites, aos colegas de mesa que me deixaram com vontade de mais momentos com vocês e todas as pessoas que estiveram lá dividindo esses momentos conosco.

Até uma próxima FLIP ou uma outra esquina por aí!

31/07/2026

Saudades de si é como tenho chamado em meus últimos escritos a desconexão emocional que não aparece como resultado de um trauma específico ou intenso, mas que vem do acúmulo de situações no cotidiano que nos levam a negar nossas necessidades, silenciar nossos sentimentos, anestesiar nossos desconfortos, nos diminuir pra caber em trabalhos, relacionamentos ou posições.

É verdade que sempre será necessário negociarmos com os contextos em que vivemos. Não existe realidade em que todas as nossas necessidades estarão atendidas o tempo todo. Isso é uma ilusão infantil.

Mas quando aquilo que é essencial para que nós nos reconheçamos passa a ser negociado nas mesas das relações que vivemos, aí corremos o risco de um tipo de desconexão emocional que nos leva para essa angústia difusa: a saudade de si.

Endereço

Rio De Janeiro, RJ
22775002

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