07/09/2026
“Mas você é pediatra e ainda não é mãe?”
Eu ouvi essa pergunta muitas vezes.
Às vezes ela vinha com afeto. Às vezes com curiosidade. Às vezes com aquela ideia escondida de que, para cuidar bem de uma criança, eu precisaria primeiro viver a maternidade.
Mas a verdade é que a pediatria não começa quando uma médica se torna mãe.
Ela começa muito antes.
Começa nos anos de estudo, nos plantões, na residência, nos atendimentos, nas famílias acompanhadas, nas dúvidas respondidas, nas noites revisando condutas, nos protocolos, nas histórias que a gente carrega e na responsabilidade de cuidar de uma criança como alguém único.
Ser mãe pode trazer uma experiência profunda.
Mas não é isso que valida a competência de uma pediatra.
O que valida é o compromisso com o cuidado.
E eu sempre acreditei nisso.
Mas hoje essa conversa ganha uma nova camada.
Porque agora eu também estou esperando a minha primeira filha.
E, de repente, muita coisa que eu já sabia pela ciência começou a chegar por outros caminhos.
Pela expectativa. Pela imaginação. Pela espera. Pelo medo bom.
Pela ternura. Pela descoberta de que um bebê muda a nossa vida antes mesmo de chegar.
Eu continuo sendo a pediatra que estuda, orienta, acolhe e acredita em ciência com afeto. Mas agora também sou uma mulher vivendo a espera da minha filha.
Eu não precisei ser mãe para cuidar.
Mas agora vou descobrir como é cuidar carregando, dentro de mim, uma nova forma de amor.
Se quiser deixar uma mensagem para essa bebê que já chega cercado de histórias, carinho e pediatria, eu vou amar ler.
Com carinho,
Dra Ana Luiza Cêia
Pediatra e Gastroenterologista pediátrica
CRM-RJ: 52.105167-9 RQE 28315 / 33899