13/07/2022
Há quem defenda como pilar exclusivo da corajosa atitude delas o fato de serem mulheres. Eu vou além.
1️⃣ Elas protagonizaram a acusação de violência sexual;
2️⃣ assumiram o ônus da prova; e
3️⃣ agora lidam com todo o risco remanescente de denunciar uma cruel violência no seu local de trabalho contra um homem, branco e médico.
Queria que o fator biológico de serem mulheres, enfermeirAs, fosse a pura e simples causa de atitudes como essa. Não só no Hospital da Mulher mas em todos os centros cirúrgicos em que atendi nesses 10 anos, cercada de pessoas nascidas mulheres.
Ainda hoje vemos mulheres contraproducentes, lutando contra direitos de outras mulheres, ignorando recortes raciais, econômicos, sociais, protagonizando barbáries em nome do sexismo; enquanto também são vítimas dele. Às vezes até sem sabê-lo.
Trazendo pro meu mundo… não romantizo! Há enfermeirAs, médicAs, que de dentro desses mesmos centros cirúrgicos, riem de planos de parto, fazem chacotas de doulas, fomentam animosidades entre equipes e contribuem colateralmente para experiências de parto negativíssimas.
Refletindo sobre isso eu ainda não entendo que ter nascido mulher seja fator - exclusivamente - responsável por fazer de uma pessoa uma emissária cotidiana da defesa dos direitos de outras mulheres. Isso é um processo! Pelo qual eu passei e passo, inclusive.
Não basta ser mulher para defender outra mulher. Não basta ser enfermeirA para assumir risco de demissão - e até de vida - em nome da justiça por uma paciente. Como elas fizeram!
Isso é uma atitude antissexista!
É fruto de um compromisso pessoal de cunhar dentro de si mesma um ser humanizado, corajoso, capaz de assumir uma postura que condena diariamente as diversas violências que assolam as mulheres.
Mais que biologicamente… é necessária uma pessoa que vê-se ONTOLOGICAMENTE MULHER e conscientemente humanizada para ser capaz de assumir riscos dessa m***a por suas pares.
Além de ser mulher, mãe, enfermeirA, médicA, doulA, advogadA, engenheirA, pastorA, pregadorA, sargentA, tenentA, professorA, fotógrafA, maquiadorA, sejamos antissexistas. Isso sim faz a diferença nos direitos de nós todas.