12/05/2026
Com muito orgulho, compartilho este importante artigo da OMS que reúne um amplo levantamento sobre a Geriatria em 48 países. Tive a honra de participar dessa iniciativa ao lado de Marco Túlio Gualberto, representando a SBGG Nacional e contribuindo com os dados da Geriatria brasileira.
O estudo teve a finalidade de compreender a estruturação da Geriatria em nível global, a fim de se pensar estratégias e políticas públicas que possam sustentar o grande ENVELHECIMENTO POPULACIONAL MUNDIAL que vivenciaremos cada vez mais intensamente.
Ao comparar o Brasil com o cenário mundial, confesso que alguns resultados me surpreenderam positivamente. Enquanto a Geriatria é reconhecida oficialmente como especialidade médica em nosso país há mais de 60 anos, em alguns países participantes do estudo, como Portugal, Grécia e Eslovênia, ela é considerada ainda apenas uma área de atuação.
Hoje, o Brasil conta com cerca de 9 geriatras para cada 100 mil idosos, proporção superior à observada em países como Canadá, Japão e Estados Unidos. Embora ainda estejamos distantes de países com sistemas mais robustos, como Itália, Suécia e Espanha, os dados mostram que a Geriatria brasileira ocupa hoje uma posição mais sólida do que muitas vezes imaginamos no cenário internacional.
Além disso, os geriatras brasileiros atuam de forma ampla em ambulatórios, hospitais, reabilitação, cuidados paliativos, atenção domiciliar e universidades, enquanto em outros países as possibilidades de atuação são mais limitadas.
O envelhecimento populacional não representa apenas uma mudança demográfica — mas uma profunda transformação social, econômica e sanitária, capaz de redefinir completamente os sistemas de saúde nas próximas décadas.
Nesse cenário, talvez uma das principais reflexões sobre o artigo, é que a Geriatria deixa de ocupar um lugar periférico e passa a assumir um papel estratégico dentro da medicina contemporânea, embora aconteça de forma muito heterogênea entre os diferentes participantes deste survey.
E ver o Brasil avançando nessa construção apesar de todas as limitações estruturais que ainda enfrentamos — é motivo de orgulho, responsabilidade e, sobretudo, de compromisso com o futuro.