06/11/2020
Texto .guedes em colaboração com
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Levando-se em conta as singularidades de cada processo, há muitas maneiras de um enlutado manter-se em conexão com um ente querido que faleceu. Para alguns, a realização de rituais será muito importante, podendo este ser de cunho religioso ou não. Há quem se utilize de objetos de ligação, por vezes pertences da pessoa que faleceu ou algo que remeta à essa relação, como forma de sentir essa presença.
Pensando no contexto das redes sociais, mais recentemente, por exemplo, passou a existir a possibilidade de se preservar a memória de quem morreu por meio da administração de uma página deixada aberta no Facebook. É um espaço que trouxe novas configurações para a forma de se expressar o luto, em que o enlutado pode falar sobre a morte, sentir que se mantém conectado ao ente querido, demonstrar sentimentos de pesar, compartilhar crenças, celebrar datas.
Com a inesperada chegada da pandemia do novo coronavírus, a relação entre os rituais fúnebres e a tecnologia também passou por transformações, aliás, essenciais mediante à nova realidade. No Brasil, poucos cemitérios possuem o recurso de transmissão online do velório e poucas empresas oferecem esse serviço, ainda.
De qualquer forma, em tempos de morte por covid-19 essas não seriam opções viáveis. Alguns canais da internet e algumas redes sociais, por meio da tecnologia, passaram a configurar um local para a realização dos rituais. No caso dos religiosos, por exemplo, missas católicas/budistas de aniversários de morte (sétimo dia, mês, ano), leitura da oração aos mortos (Yizkor), do Yon Kippur.
No caso dos não religiosos, pessoas amigas ou da mesma família têm promovido reuniões privadas, por meio de aplicativos, em que se reúnem para compartilhar vídeos, ler poesias, cantar músicas, dedicar homenagens em nome da pessoa que faleceu.
É importante ressaltar que esses não são os “novos rituais” do “novo normal”, pois não haverá um jeito inteiramente novo que substituirá amplamente os anteriores.
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